transliterado o tempo
Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
quarta-feira, 23 de junho de 2021
Praça Pôr do Sol
domingo, 9 de maio de 2021
quinta-feira, 1 de abril de 2021
Rebanhos
o templo dos homens silencia
o tempo das rezas
o campo das guerras
as crianças que choram
os velhos que ainda cantam
as mulheres que sentem a despedida dos filhos
os pés descalços de um deus
os apátridas dos sonhos
os néscios da vingança
as traições vendidas
as moedas partidas
por entre os sicários do medo
desce o rio até o mar mais distante
cortam os fios de luz o vazio de dentro
e com as flores do clero antigo o trigo se espalha em terras secas
por onde vai o que se perde por ter sido amante da estupidez?
o que se encontra por fora do desejo falso da imagem de um mito desumano:
o canto de liturgia e o cálice elevados para o ego dos pastores políticos
[o corpo cingido com uma tolha limpa, mas com as mãos e os pés sujos]
ou
o fim em si mesmo, o próprio homem dissecado em sua própria memória e seu desejo de poder?
os templos silenciam.
(REMBRANDT. O BOI ESFOLADO – MUSEU DO
LOUVRE, PARIS, 1655. ÓLEO SOBRE MADEIRA, 94CM
X 69CM) |
sexta-feira, 12 de março de 2021
Aula
Tudo estava ali como sempre. A lousa, o giz, a lição do dia. Sinônimos e antônimos desafiavam os fatos relembrados pela História. Os Números reivindicavam suas formas arcaicas no meio daquelas inequações. E, diante do que se conhecia sobre as antigas canções de amigo e de amor, os olhos de Sinédrio desenhavam na carteira seu destino incompleto. Quando a aula acabou, caminhou em direção à professora e quis falar-lhe.
"O que deseja saber, Sinédrio?"
"Deus prefere os ateus?"
Edemir Fernandes Bagon
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021
Vesperum
por um não-sei-o-quê deixado
na memória
................................................
a vida entardece diante dos olhos
Edemir Fernandes Bagon
domingo, 7 de fevereiro de 2021
Órion
O tempo delicadamente abraçava o tecido feito de espera
sexta-feira, 8 de janeiro de 2021
domingo, 3 de janeiro de 2021
Ano Novo
Terminado aquele ano, guardou na gaveta o antigo calendário. Em seguida, pôs-se a cuidar da casa. Limpara tudo e a alma. Depois, sentou-se no sofá colocado num canto perto dos livros (que seriam lidos ainda). Pensou na vida, no mundo, nas coisas perdidas com o tempo... e encheu-se de esperança e coragem.
Edemir Fernandes Bagon
segunda-feira, 28 de dezembro de 2020
Faux bleu
Edemir Fernandes Bagon
sexta-feira, 18 de dezembro de 2020
Estrela binária
Perto do silêncio do céu, olhou para o mais distante do seu mundo.
Edemir Fernandes Bagon
quarta-feira, 18 de novembro de 2020
Dísticos
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| The Kiss by Gustav klimt |
Dois anjos surgiram diante de Deus, trazendo nas mãos duas grandes tábuas. Em cada uma delas, ambos escreveram dois versos inteiros (talhados na madeira e ornados com pedras preciosas).
Enquanto o primeiro deles declamava suas palavras, o outro ficou em silêncio para sentir e contemplar a Graça.
Depois de ouvir aquele, o Criador ordenou que o segundo viesse diante dele e falasse. A voz desse anjo ressoou por todo o universo.
Findadas as leituras dos dísticos celestiais, o primeiro esperou receber elogios do Senhor. Este, porém, calou-se.
O segundo permanecera em oração sem esperar por nada. E, então, Deus criou o amor.
Edemir Fernandes Bagon
sábado, 10 de outubro de 2020
Alameda
Edemir Fernandes Bagon
segunda-feira, 7 de setembro de 2020
Óculos de Miguelim

terça-feira, 18 de agosto de 2020
terça-feira, 11 de agosto de 2020
Geisha
Das retinas quisera apenas ter o vermelho do sol nascente. O arquétipo escorpiano delineado no corpo em transe. A porta entreaberta. O desejo de permanecer ali para sempre, de retirar o laço e desvendar a alma a partir dos cabelos que deslizavam num lápis.
Um toque na luz da parede do céu. Um gemido dentro do silêncio abocanhado (como se fosse possível ver o que havia no lado de fora da carne doce e macia).
Tudo vertido: a boca noutra boca molhada; os seios de uma geisha tocados num templo de Buda; o dorso claro como um espelho d'água (onde Narciso não ouve, mas ecoa).
Os sinais de pele emaranhados. O caminho das flores. As cadeiras de vime. O lago dos peixes. Os saltos pretos abertos no eclipse da cama.
《Atravessa o destino, com a astúcia do tempo, o que procura alma.》
Edemir Fernandes Bagon
domingo, 26 de julho de 2020
quinta-feira, 9 de julho de 2020
quinta-feira, 2 de julho de 2020
sexta-feira, 26 de junho de 2020
Depois de amanhã
O que fazer com as nuvens molhadas no escuro? Como os anjos irão dormir agora?
Onde ficarão os sonhos sem o templo que é teu corpo?
Onde estarão os dias e as obras do Senhor?
《Os olhos permutam sensações com um coração translúcido》
Entre os lírios mágicos e o silêncio invasor dos campos
Existe um lago prateado de vida
Mas não o toco
Edemir Fernandes Bagon
Island
The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...
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Edemir Fernandes Bagon [1] Resumo : O objetivo deste artigo é discutir o processo de construção do conto “A solução”, de Clari...
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O tempo nomeia o medo das coisas. Não há distanciamentos destinados por encantos humanizados. Tudo é temporariamente um nome. E...












