quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Nevoeiro

publico meu corpo em
palavras que respiram

distintas formas da história
recente do amor que descubro

edemir fernandes bagon

sábado, 7 de janeiro de 2012

Corpo de S.Paulo


Ruas do centro de São Paulo
República
Viaduto do Chá
Rua da Quitanda
15 de Novembro
Anhangabaú
Teatro Municipal
Corpos que se vendem embaixo da ponte
Mendigos por toda parte deitados na calçada
Mendigos nas esquinas formadas no Largo do Arouche
E o Colégio São Bento...
Um cheiro de mofo dentro do Edifício Conde Matarazzo
Elevadores dentro do estômago
Um movimento intenso nos escritórios de cobrança
Um movimento intenso dos terminais de ônibus
O desumano espelhado nos carros
A ficção do anonimato com destino
Destino apagado nos túneis do metrô
Vozes de oração do falso pastor
Encenação da vida (?)
Ferrugens nos ferros do bueiro
E um homem desce a escada rolante com apenas uma das pernas
E uma jovem sentada na mureta da praça espera
De onde vieram?
Para onde foram?
Ambos à venda ?
Enterram-se as flores com prédios inteiros demolidos
Mendigos que forram o chão das ruas
E os carros valem mais que todos esses corpos nas avenidas
E os carros valem mais que todos esses corpos nas avenidas
E os carros valem mais que todos esses corpos nas avenidas






Edemir  Fernandes Bagon

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Mentiras

Fingir para ser aceito no rebanho de falsos cordeiros de Deus

Ou inventar uma verdade para esquecer as mentiras da gente?


Edemir Fernandes Bagon

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Caminhos




são caminhos
tantos cantos
que eu sinto

são imagens
tantos sonhos
que escrevo
são idéias
tantos mundos
que espero

são palavras
tantas horas
que me ouvem

são histórias
tantos mares
que me inundam
são viagens
tantos medos
que me entendem

são amores
tantas rosas
que nasceram
são silêncios
tantos passos
assim dados

são infâncias
tantas cenas
do cinema
são as portas
tantas formas
que me prendem

são luzes
tantas linhas
que me amarram
são letras
tantas nuvens
que me calam

são montes
tantos vales
em que descanso

são lembranças
tantos vidros
que me cortam
são espaços
tantas pedras
que me atiram

tão distantes
tantos corpos
em minh' alma
são intensas
as paixões
que tenho agora


edemir fernandes bagon

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Hospital

A insegurança é o princípio do fracasso.

edemir fernandes bagon

Narrativas

dentro do querer
um eu absolutamente faminto
inventando sonhos

dentro do sentir
um espírito abortado
pela intolerância e incompreensão

dentro do pensar
um conto de fadas
com as formas do seu corpo-personagem

dentro do mundo de estórias, Vida,
Dito e Miguelim
ao mesmo tempo sou.

edemir fernandes bagon

sábado, 10 de dezembro de 2011

Segredo

em segredo me revelo
toda vez  em que eu me sinto teu
toda vez em que eu imagino segurar nas tuas mãos em segredo.

edemir fernandes bagon

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

sábado, 26 de novembro de 2011

Ainda

ficar entre estrelas, galáxias, poeira cósmica e sistema solar
ainda é pouco para saber de que maneira eu me encontro no mundo
feito de pele, olhos, boca, coração, pensamento e saudade

ainda é pouco para sentir tudo o que perdi com o tempo
ou com a vida

ficar entre tantos continentes sonhos e palavras
é ainda pouco para o tanto que sou  em segredo

ficar entre  meu eu e teus mistérios
ainda é pouco para compreender o instante

aceitar  tocar  teu corpo para viver de ontem
de dúvida e de verdade para enganar o espelho

esquecer da ausência de mim mesmo e silenciar-me para escrever em  infinitos
ficar ao lado do mar para esperar que alguém me encontre

eu me procuro no mundo ainda
para dividir qualquer sonho


edemir fernandes bagon

terça-feira, 22 de novembro de 2011

sábado, 19 de novembro de 2011

Indelével



de repente
o coração poderia ser
uma palavra escrita
dentro da gente:
lembrança


edemir fernandes bagon

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Releitura

reinvento  seu corpo
como letras num poema

basta querer
para que eu entenda


edemir fernandes bagon

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Ponta Negra II

caminhando sobre os campos de flores amarelas
pássaros brancos
vestido rosa com fita branca na cintura
caminhos de terra vermelha
braços que me abraçam
ventos castanhos
cabelos molhados de orvalho
boca rosa
voz que diz um nome para existir

edemir fernandes bagon

Ponta Negra

a religião se impõe
porque amamos
e odiamos o outro
não criamos nada

todas as coisas nascem
não por vontade
não por desejo
nascem apenas

o outro é uma religião sem Deus.

edemir fernandes bagon

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Alternativas

eu me perco em todos os segundos
me guardo em todos os seus passados

eu me desconstruo na sua ausência
me reencontro nos seus olhos

eu me torno um só
como sonho

eu me ignoro nesse mundo
se me procuro

eu me corto no seu beijo
e me transformo em cinco
alternativas de absurdos

como num canto transparente da alma
não me vejo

e sinto desenhos sobre minha pele
retorcida como um fio de cobre

eu me perco em todos os segundos
como céu entre nuvens

como prece na infância

edemir fernandes bagon

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Travessia

descoberto o coração:  talvez seja ele entregue a qualquer um que entenda o silêncio do Amor

(o sino que fica sobre a pele  se os olhos forem descobertos ou procurados  nos textos do silêncio)

dádiva dos que se perdem nos poros e na miséria



sempre há lembranças porque somos mitos escritos com sabor de ausência

quase revoltas  que não se deixam ser

universos velejando sob os olhos antigos


descoberto o coração: não somos mar e nem barcos


edemir fernandes bagon

Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...