de um lado, a imagem de mim mesmo numa luta constante com a realidade
de outro, inadvertidamente, o corpo desenha no espírito a vontade de viver sem amarras
no interior dos diálogos incessantes, que nascem da minha vida inventada com as vidas inventadas pelos outros,
um palco imensurável onde a linguagem se desnuda no silêncio
não somos nada diferentes uns dos outros
antes, formas elaboradas com grafites de mentira coladas no tempo
pelas ruas e sem destino julgamos a todo instante
existirá silêncio na culpa?
edemir fernandes bagon
Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
sexta-feira, 23 de março de 2012
sábado, 17 de março de 2012
Confidências
a vida é sempre infância inventando palavras para dar sentido ao mundo
para existir em nomes esquecidos no tempo
não se compreende porque é mar
não se faz plena porque é céu
ecoa no espírito dobrado
moinho à espera de vento.
edemir fernandes bagon
para existir em nomes esquecidos no tempo
não se compreende porque é mar
não se faz plena porque é céu
ecoa no espírito dobrado
moinho à espera de vento.
edemir fernandes bagon
segunda-feira, 5 de março de 2012
Fúrias
guarda o medo
e entrega o tempo
para as Fúrias
desfolheia o princípio
desenhando ruas
no mundo
íntimo
santo
correndo no interior d'alma
à margem do corpo
intensamente olha-te no espelho
para não ter certeza de nada mais
ser é tão feio do lado de dentro.
edemir fernandes bagon
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Aporia
Se suas certezas absolutas forem derrubadas pela revolução da interioridade,
Fique diante de um espelho d'água
Faça um pacto com Eco e Narciso
Dance com o Tempo para encontrar o Termo
E não se arrependa por ter sido sempre publicano.
Edemir Fernandes Bagon
Fique diante de um espelho d'água
Faça um pacto com Eco e Narciso
Dance com o Tempo para encontrar o Termo
E não se arrependa por ter sido sempre publicano.
Edemir Fernandes Bagon
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Mandamentos
guarda o segredo de viver em paz
para que não tenhas nunca que sentir saudade
guarda na caixinha colorida colocada no fundo do guarda-roupa
todo artesanato de tua vida
guarda uma foto de teu pai e de tua mãe
para não esquecer da tua origem
guarda os nomes de teus irmãos
para não te sentir só no mundo
guarda a data de toda conquista tua
para acostumar-te com a solidão
guarda na carteira o vazio das relações humanas
para não te perder no eu
guarda na memória o primeiro beijo na praça
como se fosse uma oração aprendida quando criança
guarda para sempre o nunca
para não te esquecer do sonho
guarda as impressões da ausência
para aguardar o nascimento do fruto
guarda as privações da vida
para bem longe da liberdade de ser
guarda o silêncio
dentro do tempo
guarda a tristeza
em tua própria vaidade
guarda em tuas mãos
todas as tuas lembranças
edemir fernandes bagon
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Alma
Alma: extensa superfície na qual repousa a vontade de ser tudo.
E
N
V
E
L
H
E
Ç
O
C
O
M
Amor
Apenas para esperar seus olhos castanhos.
Edemir Fernandes Bagon
E
N
V
E
L
H
E
Ç
O
C
O
M
Amor
Apenas para esperar seus olhos castanhos.
Edemir Fernandes Bagon
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Tasso
E num pedaço de mim
Escrevo agora
Para ser traduzido noutra língua
E ser feito de amor
Da mesma maneira que o universo
Compreendido apenas no silêncio
E colocado diante dos olhos para ser um mistério
Edemir Fernandes Bagon
Escrevo agora
Para ser traduzido noutra língua
E ser feito de amor
Da mesma maneira que o universo
Compreendido apenas no silêncio
E colocado diante dos olhos para ser um mistério
Edemir Fernandes Bagon
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Sinal
um instante perto do passado: palavra
enquanto o tempo não passa: calado
enquanto a infância é perdida: abraço
um sinal de angústia: fechado
um discurso vazio: aceno
uma carta de amor: salmos
um cansaço infinito: nascemos
edemir fernandes bagon
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Quando
Quando for o tempo
Quando for embora
Quando for a hora
Quando for ao templo
Quando for lá fora
Quando for aurora
Quando for nascer
Quando for morrer
Quando for maior
Quando for melhor
Quando for senhor
Quando for raiar
Quando for me amar
Quando for voltar
Quando for dizer
Quando for sofrer
Quando for cantar
Quando for sentir
Quando for fugir
Quando for entrar
Quando for o mar
Quando for o céu
Quando for mortal
Quando for amor
Quando for eterno
Quando for memória
Quando for história
Quando for matéria
Quando for singela
Quando for inglória
Quando for me olhar
Quando for seguir
Quando for partir
Quando for assim
Quando me quiser
Quando te disser
Quando eu sonhar.
Edemir Fernandes Bagon
Quando for embora
Quando for a hora
Quando for ao templo
Quando for lá fora
Quando for aurora
Quando for nascer
Quando for morrer
Quando for maior
Quando for melhor
Quando for senhor
Quando for raiar
Quando for me amar
Quando for voltar
Quando for dizer
Quando for sofrer
Quando for cantar
Quando for sentir
Quando for fugir
Quando for entrar
Quando for o mar
Quando for o céu
Quando for mortal
Quando for amor
Quando for eterno
Quando for memória
Quando for história
Quando for matéria
Quando for singela
Quando for inglória
Quando for me olhar
Quando for seguir
Quando for partir
Quando for assim
Quando me quiser
Quando te disser
Quando eu sonhar.
Edemir Fernandes Bagon
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Nevoeiro
publico meu corpo em
palavras que respiram
distintas formas da história
recente do amor que descubro
edemir fernandes bagon
palavras que respiram
distintas formas da história
recente do amor que descubro
edemir fernandes bagon
sábado, 7 de janeiro de 2012
Corpo de S.Paulo
Ruas do centro de São Paulo
República
Viaduto do Chá
Rua da Quitanda
15 de Novembro
Anhangabaú
Teatro Municipal
Corpos que se vendem embaixo da ponte
Mendigos por toda parte deitados na calçada
Mendigos nas esquinas formadas no Largo do Arouche
E o Colégio São Bento...
Um cheiro de mofo dentro do Edifício Conde Matarazzo
Elevadores dentro do estômago
Um movimento intenso nos escritórios de cobrança
Um movimento intenso dos terminais de ônibus
O desumano espelhado nos carros
A ficção do anonimato com destino
Destino apagado nos túneis do metrô
Vozes de oração do falso pastor
Encenação da vida (?)
Ferrugens nos ferros do bueiro
E um homem desce a escada rolante com apenas uma das pernas
E uma jovem sentada na mureta da praça espera
De onde vieram?
Para onde foram?
Ambos à venda ?
Enterram-se as flores com prédios inteiros demolidos
Mendigos que forram o chão das ruas
E os carros valem mais que todos esses corpos nas avenidas
E os carros valem mais que todos esses corpos nas avenidas
E os carros valem mais que todos esses corpos nas avenidas
Edemir Fernandes Bagon
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Mentiras
Fingir para ser aceito no rebanho de falsos cordeiros de Deus
Ou inventar uma verdade para esquecer as mentiras da gente?
Edemir Fernandes Bagon
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Caminhos
são caminhos
tantos cantos
que eu sinto
são imagens
tantos sonhos
que escrevo
são idéias
tantos mundos
que espero
são palavras
tantas horas
que me ouvem
são histórias
tantos mares
que me inundam
são viagens
tantos medos
que me entendem
são amores
tantas rosas
que nasceram
são silêncios
tantos passos
assim dados
são infâncias
tantas cenas
do cinema
são as portas
tantas formas
que me prendem
são luzes
tantas linhas
que me amarram
são letras
tantas nuvens
que me calam
são montes
tantos vales
em que descanso
são lembranças
tantos vidros
que me cortam
são espaços
tantas pedras
que me atiram
tão distantes
tantos corpos
em minh' alma
são intensas
as paixões
que tenho agora
edemir fernandes bagon
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Narrativas
dentro do querer
um eu absolutamente faminto
inventando sonhos
dentro do sentir
um espírito abortado
pela intolerância e incompreensão
dentro do pensar
um conto de fadas
com as formas do seu corpo-personagem
dentro do mundo de estórias, Vida,
Dito e Miguelim
ao mesmo tempo sou.
edemir fernandes bagon
um eu absolutamente faminto
inventando sonhos
dentro do sentir
um espírito abortado
pela intolerância e incompreensão
dentro do pensar
um conto de fadas
com as formas do seu corpo-personagem
dentro do mundo de estórias, Vida,
Dito e Miguelim
ao mesmo tempo sou.
edemir fernandes bagon
sábado, 10 de dezembro de 2011
Segredo
em segredo me revelo
toda vez em que eu me sinto teu
toda vez em que eu imagino segurar nas tuas mãos em segredo.
edemir fernandes bagon
toda vez em que eu me sinto teu
toda vez em que eu imagino segurar nas tuas mãos em segredo.
edemir fernandes bagon
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
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amor é uma raiz quadrada de dois.
edemir fernandes bagon
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Island
The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...
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Edemir Fernandes Bagon [1] Resumo : O objetivo deste artigo é discutir o processo de construção do conto “A solução”, de Clari...
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O tempo nomeia o medo das coisas. Não há distanciamentos destinados por encantos humanizados. Tudo é temporariamente um nome. E...



