Pois aquilo que é ilimitado em vós habita a mansão do céu, cuja porta é orvalho da manhã, e cujas janelas são as canções e o silêncio da noite.
(Khalil Gibran)
encontro a vida
(ainda que as formas sejam puramente lembranças)
em todo o tempo
a vida me encontra
(ainda que meramente ao acaso
para me ver livre do passado)
em todo o tempo
o eu se disfarça para simplesmente continuar amando
(porque não há descanso para espíritos inquietos)
em todo o tempo a saudade inventa
monólogos e diálogos por entre os instantes
como se nada existisse
como se os álbuns de fotografia fossem feitos com vida de verdade
por alguma razão o tempo não passa para os que sonham
por alguma razão ficam as árvores no lugar dos museus
por alguma razão o destino não fala como as mãos e os olhos
por alguma razão a solitude se transforma em alegria
não compreendo a vida, mas posso senti-la.
edemir fernandes bagon


