sexta-feira, 26 de setembro de 2014

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Dálias


Peles que se encontram num quarto escuro
Doce toque de Eva no corpo de Adão

Quarenta dias de chuva sobre as ruas
Dálias perdidas por entre as praças

Tempo de invenção do mundo

Portões de ferro abertos
Terra que silencia versos deixados

Íntimos caminhos sonoros

Medo no tempo vivido desenhado em paredes
Ruas de pedras e pinheiro

Encontram-me seus olhos por onde vou
Seja minha vida o tempo inteiro


Edemir Fernandes Bagon



quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Ortodoxia

oleiro 
joio
trigo 
barcos
vento

árvore da traição
anjos da morte
paixões 


riquezas
roupas de linho e outros tecidos finos
traças e ferrugem
gritos de escravos
ervas do campo
palavras escritas nas estrelas

tempo de começar
pedras de moinho e corpo
abrigos perdidos no meio do deserto
fogo que se acende 
caminhos pelo céu
atravessar o rio de pedras

colheitas no outono
lugar para adoração dos teus olhos: alma 



edemir fernandes bagon






terça-feira, 9 de setembro de 2014

Absolvição

Há cantos que não se encontram em desespero

Cristais e pedras preciosas de mentira
             aparências fingidas
Tantos são os homens com poder sem espelho

Não são caminhos os mistérios?
Se houvesse uma maneira de não fingir o que somos, seríamos tão felizes nas fotografias?

Para onde nos levam os discursos inflamados sobre a moral das máscaras sobre os palcos?
Sendo a vida uma coleção inteira de esperanças,
          o que esperar das pretensas teorias de salvação social?

A alma que se encanta diante dos que nascem
Os olhos que se perdem no longe que alcançam

Existir é um abismo formado entre o parágrafo e o ponto de exclamação colocado no final                   do amor.

Ainda resta um pouco das coisas sonhadas
Há cantos que não se encontram em desespero


Edemir Fernandes Bagon





quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Sacrifício

uma declaração de amor é uma canção que não se esquece nunca
predicado e sujeito escritos no lado eterno do tempo... dos olhos

sementes sobre os campos abertos tocados pelos anjos
telhados molhados de chuva 

cadernos diários com vida


descansa teu corpo num canto
desnuda tua alma

o que não sente é o que faz sentido.


edemir fernandes bagon




sábado, 30 de agosto de 2014

Labial

Palavras soltas no mundo
Descansam

Nasce  (sem ser o que é)  o sentido
Leitura labial dos amores

Discurso profano escondido
Sob as pedras

Nuvens colhidas no tempo
Atrás dos cantos]

Montanhas de sonhos se escondem

A luz encanta o caminho das cores




edemir fernandes bagon



quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Testemunhos

As flores que estão perto de mim não me pertencem
São transitórios os desejos
São transitórias as coisas 

Sei que me vejo apenas como um desenho feito na finitude do mundo
Que me vejo feito espírito de palavras escritas

O perdão e o sentimento de culpa nas mãos da infância


Meu olhar inseguro
Meu caminho à espera de versos

Cada instante desaguando sonhos

Mãos que sentem os anjos 

Para onde vai toda ausência?
Para onde?

Que sejam prisões os pensamentos
Que sejam...

As palavras libertam sempre.


Edemir Fernandes Bagon

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Escritos

quando os desejos são colocados sobre os destinos
nos tornamos humanos

são os olhos que encantam a primavera
           filhos que trazem esperança
           é o tempo que espera à distância poemas escritos



edemir fernandes bagon





sábado, 16 de agosto de 2014

Encontros


quis esquecer o retrato

encontrar o passado

me vi no mundo igual palavra esquecida em dicionário





edemir fernandes bagon
     





sábado, 2 de agosto de 2014

Estrelas


Nos cantos do mundo
A guerra não cansa

Mães que choram
Filhos que perdem

Os olhos de Gaza não brilham
Abraão virando Cronos

Desertadas todas as mãos
Encobertas as estrelas que guiam no deserto
Sarah, Jacob e João - abraçados num mar morto

Cantam os cantos Salmos


 Edemir Fernandes Bagon




sexta-feira, 18 de julho de 2014

Poética


De repente, o corpo se perde na espera

Vez por outra
A vida vira poesia

Edemir Fernandes Bagon





quarta-feira, 9 de julho de 2014

Orbitais


encontros perdoados pela ausência
diáspora de sonhos
órbitas dos olhares mais profundos para o lado mais claro do tempo

imagem desmembrada da pintura
calmamente inscrita na espera

vem do mistério antes seus segredos
       dos mares donos de seu espelho

A alma não se faz de palavras


Edemir Fernandes Bagon




Estigma

O destino é incapaz de reconhecer a insanidade do desejo.

edemir fernandes bagon

terça-feira, 1 de julho de 2014

Witness

Vez por outra
Os olhos se esquecem

A vida é um pouco disso ou daquilo...
De repente as coisas se renovam em nome do que foi

Sobretudo reinventa-se o inacabado
Para deixar seguir o espírito do novo em paz

Unilaterais são as paixões porque são histórias


edemir fernandes bagon






sexta-feira, 27 de junho de 2014

Distribuição do tempo


Cada vez são mais os que crêem menos
Nas coisas que preencheram as nossas vidas,
Os mais altos, os incontestáveis valores de Platão ou Goethe,
O verbo, a pomba sobre a arca da História,
A sobrevivência da obra, a descendência e as heranças.

Nem por isso caem do céu do neófito
Na ciência que expõe máquinas na lua;
Na verdade, tanto faz que o doutor Barnard
Faça transplantes do coração
Era preferível mil vezes que a felicidade de cada um
Fosse o exacto, o necessário reflexo da vida
Até que o coração insubstituível pudesse dizer simplesmente basta.

Cada vez são mais os que crêem menos
Na utilização do humanismo
Para o nirvana estereofónico
De mandarins e estetas.

Sem que isto queira significar
Que quando houver um instante de inspiração
Não se leia Rilke, Verlaine ou Platão,

Ou se escute os nítidos clarins,
Ou se vislumbre os trémulos anjos
De Angélico.


- Julio Cortázar, em "Rosa do mundo" - poemas para o futuro. [tradução Jorge Henrique Bastos]. Portugal: Assírio & Alvim, 2001.

Ethos


Ainda que seja um símbolo
Ainda que procure ser
Ainda que não me encontre
Ainda que incompleto
Ainda que tenha sido um fato do passado histórico e livre

A autonomia do amor é viver]


Edemir Fernandes Bagon







terça-feira, 24 de junho de 2014

Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...