Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
sábado, 1 de outubro de 2016
In nomine patris
Disse que um dia voltaria. O pai pegou as malas e dirigiu-se até o portão da casa.
Desapareceu nas ruas e nunca mais foi visto em canto nenhum do mundo.
Desapareceu nas ruas e nunca mais foi visto em canto nenhum do mundo.
O menino ficou na janela esperando seu retorno.
Sem perceber a vida, foi sentindo seu corpo franzino ganhar forma.
Sem perceber a vida, foi sentindo seu corpo franzino ganhar forma.
Um dia, porém, desistiu da procura do pai. E ficou para sempre na memória.
Edemir Fernandes Bagon
quarta-feira, 28 de setembro de 2016
Regresso
![]() |
| Acervo particular - Três Lagoas (MS) |
Escuta a leitura dos versos de Lorca
E também os encantos da música de Nina
Guarda em armários de prata a espera
E os acordes da alma
Transforma as linhas em princípios
E carrega nos braços as súplicas das flores
Divida a vida em províncias e literatura
Percorra o mundo para além do corpo
Quando voltar de tão longe
Edemir Fernandes Bagon
domingo, 28 de agosto de 2016
Pedras de Ur
Faces
dos incrédulos esculpidas em orgulho de carrara
Escaravelhos
aprisionados pelas serpentes da cidade de Ur
Instinto
em cordas de enforcamento na morada dos homens
Cada
dia em cada volta do assombro da espera
Bandeiras
e lanças e lençóis
Sobre
corpos mutilados em tela vistos pela alma
Metrificadas
as pedras dos versos da solidão
Seriam
as feridas as filhas dos rios infernais(?)
Calafrios
balançam nos barcos que navegam nos escuros
Mirante
dos olhos daqueles que vencem
Ponto
e espaço e vazio invertidos
Em
desordem por entre os grãos das areias antigas
Edemir
Fernandes Bagon
sábado, 27 de agosto de 2016
domingo, 7 de agosto de 2016
sábado, 23 de julho de 2016
Diário
As janelas continuam abertas.
Quase noite.
Na casa ao lado, a mulher espera calada a chegada do
filho.
Atrás do meu cômodo, um casal de velhos calados espera
a vinda do neto.
Em frente ao portão de casa, o pai da menina descansa
na cadeira colocada no quintal.
Os latidos que não param.
Os olhos deixam as páginas de Dostoiévski.
O coração é acusado injustamente.
Edemir Fernandes Bagon
terça-feira, 19 de julho de 2016
Anunciação
O mundo nasce nos olhos
como pele de elefantes tocando as flores
O mundo nasce nos olhos
como cartas de viajantes encontrando a saudade
O mundo nasce nos olhos
transformando a alma escrita no corpo
O mundo nasce nos olhos
para ver o amor apenas em parte
Edemir Fernandes Bagon
segunda-feira, 27 de junho de 2016
domingo, 26 de junho de 2016
Entrelaçamentos
O
destino é o que não vem agora
É
o que entrelaça o depois procurando o fim
Por
onde anda
Por
onde vai o querer
Por
onde segue a lembrança
O
destino é uma invenção da vida
Edemir
Fernandes Bagon
sexta-feira, 27 de maio de 2016
Carbono
Pouco
a pouco a gente vai entendendo o que fica na lembrança
Não
é tão simples deixar atrás de si as memórias
É
a alma que sente o que não existe fisicamente
Cadeias
de carbono não significam absolutamente nada para os olhos de quem fica na
janela esperando seu amor voltar
Edemir
Fernandes Bagon
terça-feira, 24 de maio de 2016
segunda-feira, 23 de maio de 2016
Arcos
Os
justos não perdem nada, pois entendem que o tempo é onipotente.
Por
mais que sintam a alegria da criação, são eles incapazes de silenciar a
contingência do ser.
Aceitam-na
como um pedaço da doce vida.
O
olhar e a voz dos justos se confundem com a beleza do amor juvenil.
Não
lutam em vão, mas compreendem que a dor é humana.
Encantam
o céu, colando grãos de areia.
Os
justos não fazem ídolos de pedra ou conspiram com signatários do ódio.
Estão
em toda parte encontrada no mistério.
Abdicam
da solidão do poder a fim de servir.
Deixam
sobre a terra a leveza.
Caminham
pelas vielas escuras em busca de algo.
São
como as escritas antigas e os arcos etruscos.
Os
justos encantam desertos.
Edemir
Fernandes Bagon
segunda-feira, 2 de maio de 2016
Manifesto
_________________________
Quer saber?
Se a Vida me oferecer
outra chance, terei enorme prazer em dizer-lhe “não”.
Nascer de novo só para
ter a certeza de que deveria ter feito tudo de outro modo, não tem o menor
sentido.
O que passou... será para
sempre.
"Pelo direito de amar uma
vez sem ter traído ou ter traído sem ter sido amado.
Pelo direito de ter sido
estúpido sem ter sido louvável.
Pelo direito de ter lido
e esquecido tudo.
Pelo direito de não ter
tido influência de honoráveis hipócritas e imorais.
Pelo direito de não
voltar para o início com desculpas tolas por ter sido jovem.
Pelo direito exclusivo de
viver uma vez só em plenitude – com todos os erros cometidos".
Sem amarras, sem
desculpas, sem nenhum sinal de cansaço em virtude de algum princípio humano e
irracional – se me for oferecida outra possibilidade de viver, direi “não”.
______________
Edemir Fernandes Bagon
quarta-feira, 6 de abril de 2016
segunda-feira, 4 de abril de 2016
Rodapé
Tenho escutado meu
coração nas tardes de domingo
Tenho visto as coisas que
me cercam
Tenho feito tantas
perguntas para Deus que já não me reconheço
Tenho procurado nos
sonhos a razão dos medos
Tenho discutido comigo
mesmo os meus pecados e minhas tristezas
Tenho desviado o destino
por não saber para onde ir
Tenho encontrado tanto de
mim nos salmos e cartas
Tenho ficado mais em
silêncio e sozinho
Tenho tido menos
esperanças que certezas
Tenho sido mais fraco e
benevolente do que outrora
Tenho construído menos
castelos de areia
Tenho inventado menos
histórias
Tenho menos sabedoria do
que imaginava ter
Tenho pouco ou quase nada
de conhecimento que julgava um dia
Tenho escrito palavras
que não leio
Tenho sido como vento
Tenho dormido nas cinzas
Tenho ficado na
superfície das formas antigas
Tenho fechados os olhos para
ver o mundo
Tenho sentido pouco do
efeito do desejo de existir agora
Tenho tido o corpo
aquecido pela ausência
Tenho compreendido sem
ter sido
Tenho sido nota de rodapé de um
texto sem sentido
Edemir Fernandes Bagon
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