Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
sábado, 20 de outubro de 2018
quarta-feira, 10 de outubro de 2018
Fé
Não encontrava nenhuma forma para falar tudo aquilo que sentia de verdade. Daí, olhando para o céu, estendeu sua mão para uma nuvem e desejou alcançá-la. Olhou de um lado para o outro, não vendo ninguém que o observasse, prostrou-se. De repente, soltou um grito ensurdecedor; pôs a mão na cintura onde guardava um 38 e atirou contra o medo de existir.
Edemir Fernandes Bagon
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sexta-feira, 28 de setembro de 2018
quarta-feira, 26 de setembro de 2018
Mar de Dentro
[longe do silêncio o espírito tergiversa]
as letras caem sobre o mundo
e as flores dos campos dançam diante dos anjos
[para que servem os sonhos dos cegos
se aqueles que vivem ainda descalços os renegam (?)]
ficaram de outrora
apenas encantos indivisíveis
[como alma escrita dentro do mar]
Edemir Fernandes Bagon
domingo, 19 de agosto de 2018
terça-feira, 24 de julho de 2018
terça-feira, 17 de julho de 2018
Princípios
Descia a viela escura, preocupada. Era preciso falar todos os verbos para ele. Do lado direito, um conhecido lhe acenara. À sua frente, perto de um poste de luz, um amontoado de sacos de lixo (esquecidos pelos garis no período da manhã). Entre os degraus irregulares construídos ali, via as fezes de cães e humanos. Segurou com as pontas dos dedos o nariz. Ergueu o olhar para o final da viela e se encheu de coragem para ir além. Sabia que iria encontrá-lo, sentado na calçada, e que seria aquele momento o fim de tudo. Quando chegou no portão, chamou-o inúmeras vezes. Ninguém respondeu de dentro da casa. Estava vazia desde o princípio.
segunda-feira, 2 de julho de 2018
terça-feira, 12 de junho de 2018
domingo, 10 de junho de 2018
sábado, 26 de maio de 2018
Jail
o barulho das águas
e o desespero do céu
a vida e o
encontro das pedras
o menino
e sua fotografia na parede
o velho
e seu carrinho no chão
a teia
e as grades na janela
o pássaro
e as asas deixadas no vão
da alma.
o herói
e o perigo da guerra
o destino
e as mãos do pai
o viés
e a porta trancada do lado de fora
da esperança.
Edemir Fernandes Bagon
domingo, 20 de maio de 2018
quarta-feira, 25 de abril de 2018
sábado, 14 de abril de 2018
sábado, 31 de março de 2018
Enunohcanê
toque delicadamente
as mãos dos que vieram de longe
entregue a água doce e límpida para os velhos viajantes
enlace o tempo em seu ventre
Edemir Fernandes Bagon
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018
Pedaços
O céu encobre toda a montanha azul
E Deus se deita para ver de longe os homens se escondendo no mar
Diáspora de sonhos sobre a terra em transe
Eclesiastes em luta corporal com os pedaços da discórdia
Um caminho descoberto pelos olhos do insano
Edemir Fernandes Bagon
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018
Formas
tocam as mãos da infância
os encantos
perdoam os olhos
dos doentes
velhas formas de desejo
Edemir Fernandes Bagon
os encantos
perdoam os olhos
dos doentes
velhas formas de desejo
Edemir Fernandes Bagon
domingo, 10 de dezembro de 2017
segunda-feira, 20 de novembro de 2017
Vênus escrevendo cartas de amor
a primeira folha no chão deixada pelo outono
o primeiro tempo do jogo perdido
o nem sempre acometido de um brutal arrependimento
por onde vem o canto de Deus?
das janelas são vistas as asas do anjos...
o teu amor sob o mundo
os ritos explicados por xiitas da escuridão
a capital e o capital do abandono
o estado imperfeito de todos os egos
o insano circunspecto da vida
e os sons trazidos de tão longe para se deitar com o mar
(Vênus escrevendo cartas de amor)
das sementes incrédulas nascem as dores
fakes debruçados em camas giratórias de motéis decadentes
toda a extrema-direita lutando com um martelo e uma foice nas mãos contra a chegada de um anticristo anunciado em seu próprio espelho
um cardume inteiro esperando o cesto a ser dividido em partes iguais
anéis colocados nos dedos da discórdia
vendidos são os olhos da virtude
Edemir Fernandes Bagon
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