Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
terça-feira, 21 de abril de 2020
terça-feira, 7 de abril de 2020
Dourados
Desceu as escadas de sua casa com toda a poética de uma criança. Riscou o tempo com as mãos, trazendo as folhas de seu caderno no espaço. Deixou este nos degraus com suas letras e desenhos. Em seguida, pegou de uma só vez aquele brinquedo de rodas que estava sob a árvore do quintal. Um pé no pedal e o outro, também. Os olhos voltavam-se para o portão da frente da casa. Num esforço contínuo, realizou magicamente seu maior desejo naquele momento. Depois, deixara seu brinquedo no chão e abraçou seu caderno outra vez. Gritou pelas irmãs mais novas, pela mãe, pela tia e pelos avós (numa felicidade incontida, até mesmo, pelo céu dourado daquela tarde).
- Eu consegui! Parabéns pra mim!! Eu consegui, Vô! Aprendi a andar de bicicletaaaa! Uhuhuhuhu!
Edemir Fernandes Bagon
terça-feira, 24 de março de 2020
Introspecção
intangível o querer
intransponível a saudade
intramuscular o desejo
intransitivo o ciúme
interativo o silêncio
intermitente o passado
invertido o sinônimo
invertebrado o cansaço
inoperante o descaso
inofensivo o abraço
impuro o atraso
inválido o prazo
inalterado o quadro
inexata a solidão
indexada a memória
indivisível o sonho
Edemir Fernandes Bagon
quarta-feira, 4 de março de 2020
Nefelibata
deixo meu corpo num tanque cheio de espinhos
espero pela canção do mar
espalho sal nos olhos dos espíritos
e, nas ruínas do tempo,
permito que meus pés se afastem do deserto
por entre os vícios do mundo
e estátuas profanadas
[minhas cidades de vidro cortam o céu em pedaços]
antes de ser, meu não-ser brincava com as nuvens
Edemir Fernandes Bagon
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| By @diegoorigrafima |
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020
Máscaras
o mar descansa, pura e simplesmente, porque é da sua natureza esperar pelo toque das pedras
as incertezas compreendem a delicadeza da vida
a infância, guardada em silêncio, engana o corpo queimado pelo cigarro nas mãos
o espírito, dominado pelo horror da loucura, devora asas de anjos no escuro
virá na forma de chuva o deus salvador (?)
ter desfeito um dos nós do destino é ter a ferida aberta ou a dor mascarada (?)
Edemir Fernandes Bagon
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020
domingo, 2 de fevereiro de 2020
sábado, 28 de dezembro de 2019
Ceticismo
quinta-feira, 19 de dezembro de 2019
Céu
em tudo existe perda
para fora do espírito
na linha reta das planícies
no encontro das águas da chuva com os rios escuros
nas encostas sublimes das montanhas rosas
nas flores que nascem nos campos
nos filhos que não nos encontram
no passado eclesiástico do profano
são as horas estilhaçadas no vazio
os gritos desmedidos dos perdidos
os que abandonam nos acenos seus navios
os que enganam no seu teatro interior
Edemir Fernandes Bagon
para fora do espírito
na linha reta das planícies
no encontro das águas da chuva com os rios escuros
nas encostas sublimes das montanhas rosas
nas flores que nascem nos campos
nos filhos que não nos encontram
no passado eclesiástico do profano
são as horas estilhaçadas no vazio
os gritos desmedidos dos perdidos
os que abandonam nos acenos seus navios
os que enganam no seu teatro interior
Edemir Fernandes Bagon
terça-feira, 10 de dezembro de 2019
Teoria do Conhecimento
nada mais passou a ter importância diante do que sinto quando me encontro
perto de teu espírito
aninhado assim no teu corpo
atrelado nas palavras da tua boca
decerto
nada mais passou a ter sentido
para entregar em teu nome
a minha memória
como uma rubrica
ou uma forma esculpida na terra por formigas que fogem da chuva
eu me encanto apenas porque me tens para sempre
e te espero com a certeza da vida desse lado de dentro do mundo
onde o amor não precisa de fórmulas químicas, nem de física ou matemática
Edemir Fernandes Bagon
quinta-feira, 28 de novembro de 2019
Perto do Portão da Escola
ali, deixado para sempre,
espero
encosto os dedos em seu ventre
para nascer de novo
toco meus lábios em seus lábios
para viver
seguro em suas mãos para o destino
ser uma certeza em mim
espelha-se em seus os meus olhos
para não me perder em tanto amor
[perto do portão da escola]
Edemir Fernandes Bagon
domingo, 10 de novembro de 2019
"I never left you"*
Era um dia encantado
[desses em que germinam sementes
e nascem flores do campo.]
Ali, pertinho do coração, a mãe abraçou o filho.
O corpo macio zelava o espírito e
as palavras vieram para acalentar o mundo.
- Eu te amo para sempre, Gui.
E o menino, como que encantando o tempo, reinventou o sonho:
- Eu te amo desde o passado.
Edemir Fernandes Bagon
*Verso da canção "Mother", de John Lennon.
quarta-feira, 30 de outubro de 2019
quarta-feira, 23 de outubro de 2019
Eighty-four
os nomes escritos num papel de caderno
o doce encontro nos cantos da escola
[o riso deixado para além das horas]
o mar inventado num quadro azul e branco
o barco deixado no lado de onde vejo o tempo
[presente perfeito conjugado em seu nome]
Edemir Fernandes Bagon
quinta-feira, 19 de setembro de 2019
Pedro
Parecia perdido diante do portão de ferro da escola. Aquilo tudo era para ele um mundo feito de concreto. Ali, naquela hora, zelava pelo acolhimento de seus dois irmãos. A mãe ficava no guichê, esperando atendimento. Os papéis de matrícula e a falta de sensibilidade dos atendentes.
O orgulho e a inquietude da infância faziam dele um ser muito mais do que especial. Era ele os braços e os olhos do irmão menor (cadeirante), bem como a consciência do irmão do meio. De repente, seu nome foi chamado pela mãe. Teria que dar conta de encontrar o irmão mais novo. E, por entre os carros no estacionamento do prédio escolar, deslizou seus olhos na direção do outro (perdido, talvez?).
Sem querer, no entanto, encontrou uma mulher de olhos verdes sentada perto de uma coluna. Sentiu seu toque suave nos braços e um abraço foi trocado no tempo. Timidamente dissera seu nome ("Pedro").
O corpo franzino e as roupas sujas.
Outro abraço na forma interrogativa .
A mulher de olhos verdes perguntou:
O orgulho e a inquietude da infância faziam dele um ser muito mais do que especial. Era ele os braços e os olhos do irmão menor (cadeirante), bem como a consciência do irmão do meio. De repente, seu nome foi chamado pela mãe. Teria que dar conta de encontrar o irmão mais novo. E, por entre os carros no estacionamento do prédio escolar, deslizou seus olhos na direção do outro (perdido, talvez?).
Sem querer, no entanto, encontrou uma mulher de olhos verdes sentada perto de uma coluna. Sentiu seu toque suave nos braços e um abraço foi trocado no tempo. Timidamente dissera seu nome ("Pedro").
O corpo franzino e as roupas sujas.
Outro abraço na forma interrogativa .
A mulher de olhos verdes perguntou:
- Achou seu irmão? Sua mãe quer saber onde ele está.
Pedro correu para um canto. Logo depois, voltou com um sorriso (quase perfeito), empurrando uma cadeira de rodas de cor azul.
O irmão mais novo estava perto.
Estava salvo.
O irmão mais novo estava perto.
Estava salvo.
- Como se chama seu irmão?
- Lucas.
- Por que ele está na cadeira?
sábado, 24 de agosto de 2019
Laços*
se tiver todos os outros bens, a nobreza ou gentileza para si."
(Aristóteles)
algo assim feito céu
feito mar de Deus
tanto desse jeito
que se perde
tanto desse modo
que se encontra
tanto mar íntimo
tanto marítimo
tanta alma
tanto tempo que num abraço cabe
Edemir Fernandes Bagon
(*) Para Ana, Márcia e Marina.
quarta-feira, 21 de agosto de 2019
Resiliência LIII
Em pouco tempo Elisa descobriu quem era. Restava ainda buscar do outro lado do mundo a parte misteriosa de sua vida. Quase no final, sentou-se na calçada da Avenida Plutão e arriscou sentir um pouco de tudo que não via com bons olhos.
Enxergou de longe as sombras do passado que ela cuidava. Viu de perto seus próprios inimigos reais e inventados. Distanciou-se dos cínicos, mas continuou ali para esperar com resignação a vinda de seu maior amor.
Vieram a chuva e o frio. Vieram as flores e o sol. Cresceram os frutos e as sementes que foram deixadas no chão. Os pássaros azuis chegaram e se alimentaram dos frutos e dos sonhos de Elisa. Assim, ela seguiu em direção ao oriente e acabou se deitando bem perto do céu.
Edemir Fernandes Bagon
terça-feira, 13 de agosto de 2019
quarta-feira, 24 de julho de 2019
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Island
The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...
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O tempo nomeia o medo das coisas. Não há distanciamentos destinados por encantos humanizados. Tudo é temporariamente um nome. E...














