sábado, 31 de julho de 2010

Susan



Hoje conversei com Susan, uma aluna da 7ª série do ano de 1998. Agora ela está com 25 anos de idade. Possui um filho com 4 anos e meio e seu marido está preso por causa do tráfico.Tivera o filho na rua e, depois disso, passou a ser prostituta para sustentar o vício e a criança.
Susan contou-me a respeito de sua vida, de sua dor, de sua angústia. Seu irmão também está preso; sua mãe morreu quando tinha 12 anos e o pai sumiu no mundo.Os "amigos" a chamam o tempo inteiro. Ela se vira e vai em busca daquilo que pensa que quer . Me diz o contrário do que faz, porém segue o caminho dos sobreviventes.
De mim ouviu apenas uma palavra, mas não sei dizer se era realmente o que eu queria falar. Sinceramente, não sei. Acho que tive um pouco de receio e pensei talvez que estivesse indo além de sua condição.Tive medo de dizer a ela que o mais importante da vida era o sonho. Eis condição humana: sonhar.
Nunca mais encontrarei Susan.

Edemir Fernandes Bagon

terça-feira, 27 de julho de 2010

domingo, 25 de julho de 2010

Renovação

de nada me lembro.
apenas sei das coisas, mas não me lembro delas.
nem memória
nem identidade nenhuma
nem casa de absolutamente nada
apenas o vento que me vem de todo o mundo
feito música
 como a chuva
  semelhante canto

Junho estranho
de um frio estranho com sol

meu desespero é não ter para onde ir sendo livre
e ser trazido à vida com a loucura de todas as mortes que terei ainda

de novo o assombro
de novo o aspecto triste de um coração boiando no mar que eu ainda preciso ver
para renovar-me como a terra.

edemir fernandes bagon

Espanto




eu vi o mar sem sal.
nele entrei
e dele bebi suas águas -
fiquei insípido.

Edemir Fernandes Bagon

Desenho na parede

Em cada desenho
há um pouco de mim,
mas não quero ser refeito...







Edemir Fernandes Bagon

terça-feira, 20 de julho de 2010

Descobrimentos

o coração impede a dúvida.
mas a razão, não.


edemir fernandes bagon

Enigma


Infinitamente grande

Infinitamente pequeno

[Sabemos o que não somos]

Aplicamos nossa duplicidade às coisas

E não obtemos respostas


Os homens são desconhecíveis ao Homem.


Edemir Fernandes Bagon

Infinitude



caminho de flores amarelas que encontrei
água que me lava o corpo no tempo
olhos de outro mundo que ficam tristes
tempo de esconder-se sob o chapéu

tempo de virar todas as esquinas
hora de ser toalha de mesa com cores vivas
tempo de flores amarelas que ficam tristes
toalha de mesa no corpo

todas as cores do tempo ignoradas
outro mundo outro tempo
outra hora outro corpo encontrei

outro caminho de flores amarelas
água que me lava o corpo no tempo
tempo que existe sem fim

edemir fernandes bagon





Semblante




Por entre a distância dos olhos  e da consciência
Por entre teu encanto e teu ser nascente
Por entre teus caminhos estranhos
Eu te procuro por trezentos e sessenta e cinco dias.
O coração impede a dúvida.
Mas a razão, não.

[Edemir Fernandes Bagon]

sábado, 17 de julho de 2010

Céu


Sob o céu encontram-se seus olhos castanhos...
E, de repente, vem-me uma saudade tão grande de mim mesmo
Que te procuro
Como um estranho no caminho
Como um galho de árvore no inverno

Sob o céu encontram-se seus olhos.

[Edemir Fernandes Bagon]

Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...