segunda-feira, 15 de abril de 2013

Com o tempo


[...]

de quando a mãe segurava minha mão 
de quando ela colocava o copo sobre o rádio na hora da missa das seis
de quando eu ficava com medo de não comer tudo que ela colocava no prato na hora do jantar
de quando era obrigatório ir dormir às oito
de quando não podia entrar em casa com os chinelos sujos
de quando no domingo tinha macarronada
de quando na escola havia reza para se fazer a prova de matemática
de quando eu ficava no quintal esperando que ela me chamasse 
de quando me abraçava e também os meus irmãos
de quando havia festas de São João no quintal de casa
de quando ela ouvia as canções de Elis de Jessé de Magal 
de quando ela ficava esperando a carta
de quando ela dançava na varanda com um vestido florido
de quando ela amava o pai tão intensamente quanto a vida
de quando éramos cinco... 

para sempre

edemir fernandes bagon




segunda-feira, 8 de abril de 2013

Lua minguante


Quando era bem pequeno
o segredo
olhou para o céu à noite
e disse:
Mãe, quem foi que estragou a lua?


edemir fernandes bagon

sábado, 6 de abril de 2013

Unidade

E Deus
Com toda a sua sabedoria
Decidiu nos ver

Porque chegada era a hora de nos descobrir

E os homens
Com todo o seu falseamento
Revelaram-se em carne, palavras e ausência.


Edemir Fernandes Bagon






quarta-feira, 3 de abril de 2013

To learn



1.ª lição: não faça da sua vida um escândalo.

2.ª lição: não confie no homem.



3.ª lição: afaste-se do mal.

4.ª lição: não divulgue seu amor.


5.ª lição: ignore o ignorante.



Edemir Fernandes Bagon




quarta-feira, 27 de março de 2013

Reescrita

Quando dos olhos afastar
A saudade
Quando dos sinos aguardar
Os sons
Quando nas horas estender
A infância
Reinvente as formas de dizer
"Te amo"

Quando da vida não esperar
Mais nada
Quando perder as forças
Para lutar sem causa
Quando não puder ouvir
Do mistério o insano
Reescreva a história

Quando mitigar a sede
Com a loucura
Quando desistir do desejo
Quando não souber o caminho de volta
Quando não houver silêncio
Quando se perder na imagem
Quando encontrar seu mundo
Me encontre


Edemir Fernandes Bagon

segunda-feira, 18 de março de 2013

Livre-arbítrio

quero o tempo
as margens
os rios
os espelhos formados

quero o silêncio
as palavras
as formas
os caminhos vazios

quero os vãos
as esquinas
os andaimes
os prédios na chuva

quero os erros
eros
o mistério
deuses sobre as fontes

quero o destino
os hinos
os cantos
os céus inventados

quero o querer
perto
os olhos
a saudade de outro lado

quero as cortinas
o teatro
o palco
o ser em cena real

quero a dúvida
o não
o mote
a espera pelas horas no jardim

quero a fome
em nome da deserção do mal
quero a guerra
em nome da inércia do poder
quero ser em números estatísticos
em nome de nada

quero ir ao seu encontro
no passado

quero o medo de não ter outro segredo
quero o sempre do desejo

quero as águas encobrindo as ilhas
o eterno procurando os filhos

uma parte  vivendo no mundo 
outra a escrever em sonhos 



                                                                                                      Edemir Fernandes Bagon

sexta-feira, 15 de março de 2013

Gavetas


Os instantes se calam com o tempo
e, por onde nenhuma certeza caminha,
o desejo de ser  mais intenso se revela

Pouco se sabe o que somos de verdade
e, também, não há nenhuma possibilidade de revisar o que dissemos
Viver é ir desistindo aos poucos de alguns consertos
lendo escritos em explícitos silêncios

Querendo ou não
os destinos desatam os nós das lembranças
e as maiores perdas viram  apenas papéis avulsos -
esquecidos em gavetas de estanho para onde sempre vão as histórias imaginadas no sem-fim

Como um personagem interpretando o ator
Como um filho criando o pai
Como uma restauração do moderno em antigo
Como um império destruído e reformado por mendigos e escravos

Caminhamos de mãos dadas em direção aos sonhos
Somos plásticos nos jardins sem flores
Murais cortados por espelhos inteiros
Viver é ir desistindo aos poucos de alguns consertos

edemir fernandes bagon  







domingo, 10 de março de 2013

terça-feira, 5 de março de 2013

Pedagogia

Analfabetismo amoroso:

Não tocar as mãos.
Não olhar nos olhos
                                e nem ler os lábios.

Edemir Fernandes Bagon

segunda-feira, 4 de março de 2013

Guerra

quando dos caminhos se fizeram outros estreitos
e do orgulho enormes pedras foram deixadas no céu

instantes inteiros vieram em busca de amor
para mitigar a fome dos silêncios perdoados

cadeados encontrados nas ruas das lembranças
distanciamentos sorridentes  deformados em seres violentos

discursos de paz ensanguentados no ódio e no sentimento de superioridade
castrados por números digitados e debruçados sobre as mesas do Estado

para onde irão as mãos erguidas em favor da vida e da humanidade
os monstros se escondem nas escolas pitagóricas

e os versos  nas florestas se libertam dos machados
destino e palavras se equilibrando para vencer os olhos do mal



Edemir Fernandes Bagon






sábado, 23 de fevereiro de 2013

Joy Division - Love Will Tear Us Apart (Video)

Lluvia


La solitud mira el espírito del mundo.
Y  el canto hace nosotros olvidar amores.

Lluvia cantante.
Cuerpo adelante de los ojos.
Sentidos muertos.

Aunque las certezas del tiempos inciertos sean
El amor descansa en la superficie de la tierra
Porque ello es un deseo de la vida llena.

La solitud mira el espírito del mundo.


Edemir Fernandes Bagon

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Montanhas




O tempo me encontra sempre tão longe

Me perco no mundo 

Meu espírito sente paixão
Meu corpo ama em silêncio

O tempo me encontra sempre tão longe

Me descubro no meio de círculos

Meus olhos me deixam sozinho
Minhas mãos te chamam

O tempo me encontra tão longe de mim.


Edemir Fernandes Bagon

Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...