Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
terça-feira, 30 de abril de 2013
sábado, 27 de abril de 2013
quinta-feira, 25 de abril de 2013
sábado, 20 de abril de 2013
Violência
para remover do caminho os falsos encantos
destituir do poder os homens podres sentados
despir a fraqueza dos horrores do mundo
seduzir as virgens impuras com pupilas dilatadas
seguir em frente com mãos repletas de barro
saciar o corpo com bolor de pão
deixar as formigas andarem sobre os restos no chão
secar as feridas abertas da pobreza nas valas
violência
violência violência
violência
jovens mudos caídos calados nos becos
fogueiras metais e mortos nas ruas
palavras mortas faladas nos cantos
capas e revistas e jornais em salas iluminadas
assassinatos e sangue nos quintais
desordenadas as vozes que os mistérios trazem
coordenadas as mortes que os partidos dizem
visionários hipócritas de massacres feitos
de repente o tempo se cansa e não volta mais
de repente o tempo se cansa e não volta mais
de repente
Edemir Fernandes Bagon
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Com o tempo
[...]
de quando a mãe segurava minha mão
de quando ela colocava o copo sobre o rádio na hora da missa das seis
de quando eu ficava com medo de não comer tudo que ela colocava no prato na hora do jantar
de quando era obrigatório ir dormir às oito
de quando não podia entrar em casa com os chinelos sujos
de quando no domingo tinha macarronada
de quando na escola havia reza para se fazer a prova de matemática
de quando eu ficava no quintal esperando que ela me chamasse
de quando me abraçava e também os meus irmãos
de quando havia festas de São João no quintal de casa
de quando ela ouvia as canções de Elis de Jessé de Magal
de quando ela ficava esperando a carta
de quando ela dançava na varanda com um vestido florido
de quando ela amava o pai tão intensamente quanto a vida
de quando éramos cinco...
para sempre
edemir fernandes bagon
domingo, 14 de abril de 2013
quarta-feira, 10 de abril de 2013
segunda-feira, 8 de abril de 2013
sábado, 6 de abril de 2013
Unidade
E Deus
Com toda a sua sabedoria
Decidiu nos ver
Porque chegada era a hora de nos descobrir
E os homens
Com todo o seu falseamento
Revelaram-se em carne, palavras e ausência.
Com toda a sua sabedoria
Decidiu nos ver
Porque chegada era a hora de nos descobrir
E os homens
Com todo o seu falseamento
Revelaram-se em carne, palavras e ausência.
Edemir Fernandes Bagon
quarta-feira, 3 de abril de 2013
To learn
1.ª lição: não faça da sua vida um escândalo.
2.ª lição: não confie no homem.
3.ª lição: afaste-se do mal.
4.ª lição: não divulgue seu amor.
5.ª lição: ignore o ignorante.
4.ª lição: não divulgue seu amor.
5.ª lição: ignore o ignorante.
Edemir Fernandes Bagon
quarta-feira, 27 de março de 2013
Reescrita
Quando dos olhos afastar
A saudade
Quando dos sinos aguardar
Os sons
Quando nas horas estender
A infância
Reinvente as formas de dizer
Quando da vida não esperar
Mais nada
Quando perder as forças
Para lutar sem causa
Quando não puder ouvir
Do mistério o insano
Reescreva a história
Quando mitigar a sede
Com a loucura
Quando desistir do desejo
Quando não souber o caminho de volta
Quando não houver silêncio
Quando se perder na imagem
Quando encontrar seu mundo
Me encontre
A saudade
Quando dos sinos aguardar
Os sons
Quando nas horas estender
A infância
Reinvente as formas de dizer
"Te amo"
Quando da vida não esperar
Mais nada
Quando perder as forças
Para lutar sem causa
Quando não puder ouvir
Do mistério o insano
Reescreva a história
Quando mitigar a sede
Com a loucura
Quando desistir do desejo
Quando não souber o caminho de volta
Quando não houver silêncio
Quando se perder na imagem
Quando encontrar seu mundo
Me encontre
Edemir Fernandes Bagon
segunda-feira, 18 de março de 2013
Livre-arbítrio
quero o tempo
as margens
os rios
os espelhos formados
quero o silêncio
as palavras
as formas
os caminhos vazios
quero os vãos
as esquinas
os andaimes
os prédios na chuva
quero os erros
eros
o mistério
deuses sobre as fontes
quero o destino
os hinos
os cantos
os céus inventados
quero o querer
perto
os olhos
a saudade de outro lado
quero as cortinas
o teatro
o palco
o ser em cena real
quero a dúvida
o não
o mote
a espera pelas horas no jardim
quero a fome
em nome da deserção do mal
quero a guerra
em nome da inércia do poder
quero ser em números estatísticos
em nome de nada
quero ir ao seu encontro
no passado
quero o medo de não ter outro segredo
quero o sempre do desejo
quero as águas encobrindo as ilhas
o eterno procurando os filhos
uma parte vivendo no mundo
as margens
os rios
os espelhos formados
quero o silêncio
as palavras
as formas
os caminhos vazios
quero os vãos
as esquinas
os andaimes
os prédios na chuva
quero os erros
eros
o mistério
deuses sobre as fontes
quero o destino
os hinos
os cantos
os céus inventados
quero o querer
perto
os olhos
a saudade de outro lado
quero as cortinas
o teatro
o palco
o ser em cena real
quero a dúvida
o não
o mote
a espera pelas horas no jardim
quero a fome
em nome da deserção do mal
quero a guerra
em nome da inércia do poder
quero ser em números estatísticos
em nome de nada
quero ir ao seu encontro
no passado
quero o medo de não ter outro segredo
quero o sempre do desejo
quero as águas encobrindo as ilhas
o eterno procurando os filhos
uma parte vivendo no mundo
outra a escrever em sonhos
Edemir Fernandes Bagon
sexta-feira, 15 de março de 2013
Gavetas
Os instantes se calam com o tempo
e, por onde nenhuma certeza caminha,
o desejo de ser mais intenso se revela
Pouco se sabe o que somos de verdade
e, também, não há nenhuma possibilidade de revisar o que dissemos
Viver é ir desistindo aos poucos de alguns consertos
lendo escritos em explícitos silêncios
Querendo ou não
os destinos desatam os nós das lembranças
e as maiores perdas viram apenas papéis avulsos -
esquecidos em gavetas de estanho para onde sempre vão as histórias imaginadas no sem-fim
Como um personagem interpretando o ator
Como um filho criando o pai
Como uma restauração do moderno em antigo
Como um império destruído e reformado por mendigos e escravos
Caminhamos de mãos dadas em direção aos sonhos
Somos plásticos nos jardins sem flores
Murais cortados por espelhos inteiros
Viver é ir desistindo aos poucos de alguns consertos
edemir fernandes bagon
domingo, 10 de março de 2013
terça-feira, 5 de março de 2013
Pedagogia
Analfabetismo amoroso:
Não tocar as mãos.
Não olhar nos olhos
e nem ler os lábios.
Não tocar as mãos.
Não olhar nos olhos
e nem ler os lábios.
Edemir Fernandes Bagon
segunda-feira, 4 de março de 2013
Guerra
quando dos caminhos se fizeram outros estreitos
e do orgulho enormes pedras foram deixadas no céu
instantes inteiros vieram em busca de amor
para mitigar a fome dos silêncios perdoados
cadeados encontrados nas ruas das lembranças
distanciamentos sorridentes deformados em seres violentos
discursos de paz ensanguentados no ódio e no sentimento de superioridade
castrados por números digitados e debruçados sobre as mesas do Estado
para onde irão as mãos erguidas em favor da vida e da humanidade
os monstros se escondem nas escolas pitagóricas
e os versos nas florestas se libertam dos machados
destino e palavras se equilibrando para vencer os olhos do mal
e do orgulho enormes pedras foram deixadas no céu
instantes inteiros vieram em busca de amor
para mitigar a fome dos silêncios perdoados
cadeados encontrados nas ruas das lembranças
distanciamentos sorridentes deformados em seres violentos
discursos de paz ensanguentados no ódio e no sentimento de superioridade
castrados por números digitados e debruçados sobre as mesas do Estado
para onde irão as mãos erguidas em favor da vida e da humanidade
os monstros se escondem nas escolas pitagóricas
e os versos nas florestas se libertam dos machados
destino e palavras se equilibrando para vencer os olhos do mal
Edemir Fernandes Bagon
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