Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
sábado, 18 de abril de 2015
sexta-feira, 17 de abril de 2015
Atalhos
Júlio não pensou duas vezes para mudar o destino de sua vida.
Deixou emprego, família e amigos. O novo soava-lhe como um verso perfeito.
Quando, porém, quis ter de volta tudo o que havia deixado para trás, sentiu que não existia mais nada. Os olhos se aquietaram.
Houve um silêncio tão grande.
Edemir Fernandes Bagon
terça-feira, 14 de abril de 2015
domingo, 12 de abril de 2015
Ananke
a gente brinca de ser livre porque tem medo
o silêncio nunca é o mesmo
a alma não dorme
não sei o porquê e nem como
o tempo me encanta
descortina o mundo
tingindo os olhos com instantes
edemir fernandes bagon
quarta-feira, 8 de abril de 2015
Reflexo
As coisas mais simples da vida deveriam ser vistas num espelho
inventar o outro em si mesmo
carregar o tempo nas mãos
abrir as portas e limpar as janelas do lado de fora
não é possível compreender o desespero humano com a vaidade
pois bem pouco somos diante de sonhos
Edemir Fernandes Bagon
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Istmo
E agora que o tempo esqueceu de existir
Vem-me assim por engano tocar o meu corpo
Meu espírito é um istmo
E para além das cortinas brancas do meu quarto está o meu pequeno mundo
Procuro por caminhos antigos
Porque meu coração é surdo
Edemir Fernandes Bagon
Vem-me assim por engano tocar o meu corpo
Meu espírito é um istmo
E para além das cortinas brancas do meu quarto está o meu pequeno mundo
Procuro por caminhos antigos
Porque meu coração é surdo
Edemir Fernandes Bagon
![]() |
A cortina de renda, 2008
Márcio Melo ( Brasil)
Acrílica sobre tela, 61cm x 76 cm
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quinta-feira, 2 de abril de 2015
Incertezas
por outro lado, crer em qualquer tipo de certeza a respeito da vida é uma tolice
o instante é uma peça de Shakespeare
o sentir não é filosofia encenada na galáxia
são os olhos deuses que esperam sempre compreender o mundo
edemir fernandes bagon
o instante é uma peça de Shakespeare
o sentir não é filosofia encenada na galáxia
são os olhos deuses que esperam sempre compreender o mundo
edemir fernandes bagon
sexta-feira, 27 de março de 2015
Elohim
***
quando era menino
queria dar a volta ao mundo em oitenta dias como na história de Verne
o tempo parecia demorar tanto
e eu me perguntava por que Deus apagava a luz das estrelas durante o dia
o mundo era tão grande assim que não cabia nos meus
sonhos
***
Edemir Fernandes Bagon
sexta-feira, 20 de março de 2015
Totalitarismo
Curiosa foi a revolução da Alma.
Instituíra poder absoluto ao Esquecimento,
Mas sua práxis política em relação à ação subversiva do Amor fracassou.
Consolidou-se assim um Estado Totalitário da Paixão e da Saudade.
Instituíra poder absoluto ao Esquecimento,
Mas sua práxis política em relação à ação subversiva do Amor fracassou.
Consolidou-se assim um Estado Totalitário da Paixão e da Saudade.
Edemir Fernandes Bagon
terça-feira, 17 de março de 2015
Intersecções
procurei por nós dois e me perdi
no tempo das coisas
no tempo de vir
no tempo arcaico
trilhas realinhadas por meus olhos vem-me agora na memória
uma estranha chuva colorida cai por entre meus dedos
vinda com o barulho da espera
(>>>)
teoremas viscerais sob a forma de um obscuro tipo de poder
que a alma inventa e a gente denomina amor.
no tempo das coisas
no tempo de vir
no tempo arcaico
trilhas realinhadas por meus olhos vem-me agora na memória
uma estranha chuva colorida cai por entre meus dedos
vinda com o barulho da espera
(>>>)
teoremas viscerais sob a forma de um obscuro tipo de poder
que a alma inventa e a gente denomina amor.
edemir fernandes bagon
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| (Sketch from 2013 - Renato Guedes) |
quarta-feira, 4 de março de 2015
Desencarnados
a gente não sabe dizer para onde vai o coração
[destino? escolha? coincidência?]
talvez seja assim um pouco da tarde que chega com a chuva
procurando o instante sem saber da vida e , nem mesmo, como tecer o ontem
o perdão é construído e perdido por entre espíritos
[os olhos libertam o amor]
edemir fernandes bagon
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
Partituras
{*}
seriam sempre eternos os encantos trazidos pelo Amor
se os homens não fossem incapazes de amar.
[chega como folha que cai sob o lago
entra assim pela porta da frente semelhante o mistério do corpo escrito na alma]
seriam os cantos entoados no mar pelas naus do imaginário
a vontade dos olhos em preencher o mundo de imagens?
[a vida desfeita num cesto de vime
horas que esperam as vozes vazias]
dizer que o contrário é um medo de ser
que talvez o tempo não saiba esconder a verdade da história
{*}
teriam as cores um relevo de angústia
se não houvesse a infância?
seria assim como um solo com árvores invertidas?
mártires covardes nas nuvens inventando as flores?
{*}
seria o mundo inteiro minha vontade?
seria o sonho pura expressão da linguagem?
ou Cristo atirando pedras no infinito?
seriam sempre eternos os encantos trazidos pelo Amor
se os homens não fossem incapazes de amar.
[chega como folha que cai sob o lago
entra assim pela porta da frente semelhante o mistério do corpo escrito na alma]
seriam os cantos entoados no mar pelas naus do imaginário
a vontade dos olhos em preencher o mundo de imagens?
[a vida desfeita num cesto de vime
horas que esperam as vozes vazias]
dizer que o contrário é um medo de ser
que talvez o tempo não saiba esconder a verdade da história
{*}
teriam as cores um relevo de angústia
se não houvesse a infância?
seria assim como um solo com árvores invertidas?
mártires covardes nas nuvens inventando as flores?
{*}
seria o mundo inteiro minha vontade?
seria o sonho pura expressão da linguagem?
ou Cristo atirando pedras no infinito?
edemir fernandes bagon
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Diadorim
olhar o mundo e ficar sem entender como as coisas existem
sem metafísica
sem explicação filosófica
sem razão nenhuma investigada
sem amor inventado
sem palavras ou fotografias
vez em quando vem o fim - desapego do instante.
o silêncio é amargo
edemir fernandes bagon
sábado, 7 de fevereiro de 2015
Campo de Sangue
(E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder. - Atos 1:7)
O tempo não espera nada.
.
..
....
......
edemir fernandes bagon
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
Archangelus
Miguel cresceu pertinho do mar.
Brincava todo o tempo com as ondas que vinham despertar a areia da praia.
De longe, a mãe chamava seu nome:
De longe, a mãe chamava seu nome:
- Miguel! Miguel! Vem, anjo!
Um dia, Miguel amarrou uma linha na cabeça de um peixe morto e correu pela orla inteira imitando o barulho de um carro.
A mãe achava graça de ver na mão do seu menino uma linha enrolada nos restos do peixe do mar.
- Miguel! Miguel! Vem, anjo!
A voz da mãe ecoou nos cantos do mundo como a de um arcanjo contra dragões inimigos e anjos infiéis.
Miguel não veio.
Edemir Fernandes Bagon
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
Petição
vem o tempo
de repente
com o coração enfermo
com as unhas sujas
com os olhos perdidos nas ruas
vem
o tempo
de repente
ouvindo letras de um poema
vendendo desenhos de nuvens
vem o tempo
de repente por entre as pedras
tirando enganos dos dogmas
vem o tempo de repente
com perfumes de sândalo
com o cheiro de memória abraçada a um corpo sem flores
vem o tempo de repente
pedindo amor para não ser nômade
edemir fernandes bagon
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
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The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...
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