Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
quarta-feira, 15 de julho de 2015
Portal dos Olhos
{descobrimentos
- instantes muito mais significativos do que a capacidade dos homens de intuir o destino}
{debruçar o eu sobre o próprio eu em busca de paz.
- em contentamento, sentir o mais abstrato sem supor condição alguma}
{a esperar o mítico,
a compreender o enredo,
a buscar resposta para o enigma da salamandra,
vivem os olhos}
Edemir Fernandes Bagon
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Parênteses
encontro cores escrevo palavras desenho paredes
invento caminhos apago instantes recrio passados
traduzo olhares sinto cantos espero retornos desejo abraços anseio segredos toco vazios escuto silêncios abraço almas guardo verdades escolho sentidos esqueço imagens lembro vozes sublinho nuvens
entrego saudades
....
eu te amo entre parênteses
edemir fernandes bagon
quinta-feira, 25 de junho de 2015
quarta-feira, 17 de junho de 2015
Dicionário
nasce o tempo
com a forma de amor
seus olhos encantam o mundo
vez em quando
me encontro traduzindo sua vida em versos de lembranças minhas
como encontrar o sentido primeiro de sua língua misturada na minha?
com a forma de amor
seus olhos encantam o mundo
vez em quando
me encontro traduzindo sua vida em versos de lembranças minhas
como encontrar o sentido primeiro de sua língua misturada na minha?
Edemir Fernandes Bagon
segunda-feira, 1 de junho de 2015
domingo, 24 de maio de 2015
sábado, 16 de maio de 2015
Sobre as coisas que não me saem da memória
seu instante: meu princípio filosófico
seu caminho: minha escolha intuitiva
seu descanso: meu canto de encontro
seu sorriso: sempre o verso último de meu livro
seu mistério: destino e desatino sob o céu de Vênus
seu encanto: meus olhos procurando ser no mundo
seu caminho: minha escolha intuitiva
seu descanso: meu canto de encontro
seu sorriso: sempre o verso último de meu livro
seu mistério: destino e desatino sob o céu de Vênus
seu encanto: meus olhos procurando ser no mundo
Edemir Fernandes Bagon
quarta-feira, 13 de maio de 2015
Oração
Bem-aventurados os que nascem para ter esperanças
Bem-aventurados os que amam sem exigir do tempo nenhuma perfeição
Bem-aventurados os que ensinam com a própria vida
Bem-aventurados os que encontram um caminho e também um labirinto
Bem-aventurados os que negam aos poucos sonhadores sua incompreensão
Bem-aventurados os que se perdem sem olhar para trás
Bem-aventurados os enganos abandonados nas esquinas do mundo
Bem-aventurados os nomes dessacralizados da arte
Bem-aventurados os loucos comedidos
Bem-aventurados os silêncios decorridos do discurso
Bem-aventurados os momentos esquecidos no abismo
Bem-aventurados os nós desatados com sangue escorrido nas mãos
Bem-aventurados os mistérios acorrentados pelos olhos
Bem-aventurados os que vigiam o mar e sentem o gosto amargo do corpo arrependido
Bem-aventurados os egos nos espelhos quebrados
Bem-aventurados os instintos remidos que se levantam do chão desconhecido
Bem-aventurados os que amam sem exigir do tempo nenhuma perfeição
Bem-aventurados os que ensinam com a própria vida
Bem-aventurados os que encontram um caminho e também um labirinto
Bem-aventurados os que negam aos poucos sonhadores sua incompreensão
Bem-aventurados os que se perdem sem olhar para trás
Bem-aventurados os enganos abandonados nas esquinas do mundo
Bem-aventurados os nomes dessacralizados da arte
Bem-aventurados os loucos comedidos
Bem-aventurados os silêncios decorridos do discurso
Bem-aventurados os momentos esquecidos no abismo
Bem-aventurados os nós desatados com sangue escorrido nas mãos
Bem-aventurados os mistérios acorrentados pelos olhos
Bem-aventurados os que vigiam o mar e sentem o gosto amargo do corpo arrependido
Bem-aventurados os egos nos espelhos quebrados
Bem-aventurados os instintos remidos que se levantam do chão desconhecido
Edemir Fernandes Bagon
segunda-feira, 4 de maio de 2015
Estacionamento
Eu me procuro no tempo
Esperando a chuva terminar
Esperando a palavra criar o mundo
Esperando os olhos lerem o céu e o mar
Eu me procuro o tempo inteiro
Inventando espaços verdadeiros em mim
Colando pedaços de papel nos vidros da infância
Eu me inscrevo no que vier sob a forma de destino
Escravizando o escândalo como efeito do desejo
Eu me procuro sendo seu espírito
Eu me reconheço como fim daquilo que não veio
me transformo em música feita de silêncio
abraçando-me o peito como tornado o seu amor desfeito
e eu me procuro...
não sei em qual tempo e tampouco em qual mundo
Esperando a chuva terminar
Esperando a palavra criar o mundo
Esperando os olhos lerem o céu e o mar
Eu me procuro o tempo inteiro
Inventando espaços verdadeiros em mim
Colando pedaços de papel nos vidros da infância
Eu me inscrevo no que vier sob a forma de destino
Escravizando o escândalo como efeito do desejo
Eu me procuro sendo seu espírito
Eu me reconheço como fim daquilo que não veio
me transformo em música feita de silêncio
abraçando-me o peito como tornado o seu amor desfeito
e eu me procuro...
não sei em qual tempo e tampouco em qual mundo
Edemir Fernandes Bagon
quinta-feira, 30 de abril de 2015
Cecília
Manhã de quarta-feira. Ainda cansada da jornada do dia anterior, Cecília arrumou-se para o trabalho. Sabia que não poderia fazer corpo mole. Aluguel, água e luz para pagar. Era preciso passar na casa de Flora, sua irmã mais velha, e deixar suas filhas pequenas ali.
Recebeu um telefonema de seu ex-marido e discutiram como de costume. Ela chegou na estação de trem por volta das sete e quinze. Completaria o trajeto até a loja do centro da cidade. Olhou ansiosa para o letreiro, procurando ter uma ideia de quantos minutos se atrasaria. Saindo da estação, virou à esquerda, desceu uma rua e pronto. Lá estava.
Com o pouco movimento, Cecília esperava que a dona da loja fosse liberá-la antes das cinco da tarde. Entretanto, ficou encarregada de arrumar o estoque após o fechamento. Com isso, garantiria algumas extras. Na sua condição, era necessário. Avisou à irmã que iria demorar para voltar. Falou com as meninas. Buscou forças.
Terminado o expediente, correu para a estação. Trem lotado. Uma amiga falava-lhe. Seu pensamento longe havia sido desfeito ao desembarcar. Era um pouco mais de nove da noite. Faltava-lhe pouco para chegar. O namorado novo a esperava. Tinha motivos para acreditar que poderia ser diferente a vida.
Um passo, dois - e as mãos de ambos se tocaram. Um leve toque nos lábios. A paz encontrada. Era tudo bem diferente daquilo vivido em seu casamento.
Flora a esperava. As meninas vieram também. Sérgio acompanhou-as até o portão. Ele despediu-se carinhosamente de Cecília e de suas filhas.
Alguns minutos depois, a vizinhança ouvia três disparos de arma de fogo. "Sérgio", sentiu Cecília.
Carros de polícia. Um grupo de pessoas na rua. Perícia. IML. Investigação e constatação do que parecia ser óbvio: a prisão do ex-marido.
Edemir Fernandes Bagon
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Malebolge
Quando saiu de casa, Ryan sentia que não voltaria mais. Um medo estranho no caminho. Pouco tempo depois, descobrira os olhos e percebeu o mundo.
Perdeu as coisas que amava por engano. Desenhou no céu o nascimento de estrelas e, também, o seu ocaso.
Seu era o corpo inalado no espaço.
Quis escrever, quis amar, quis ser o que era antes. Ficou, porém, sentado ali, naquela praça. Os dedos queimados. Havia nos lábios trincheiras. As unhas coçavam-lhe o couro cabeludo. Eram suas as fezes depositadas no centro.
Vale do Rio Flegetonte. Vale da Floresta dos Suicidas. Vale do Deserto Abominável. Cachoeira de Sangue. Ryan, com a cabeça jogada para frente, foi embora para sempre.
sábado, 18 de abril de 2015
sexta-feira, 17 de abril de 2015
Atalhos
Júlio não pensou duas vezes para mudar o destino de sua vida.
Deixou emprego, família e amigos. O novo soava-lhe como um verso perfeito.
Quando, porém, quis ter de volta tudo o que havia deixado para trás, sentiu que não existia mais nada. Os olhos se aquietaram.
Houve um silêncio tão grande.
Edemir Fernandes Bagon
terça-feira, 14 de abril de 2015
domingo, 12 de abril de 2015
Ananke
a gente brinca de ser livre porque tem medo
o silêncio nunca é o mesmo
a alma não dorme
não sei o porquê e nem como
o tempo me encanta
descortina o mundo
tingindo os olhos com instantes
edemir fernandes bagon
quarta-feira, 8 de abril de 2015
Reflexo
As coisas mais simples da vida deveriam ser vistas num espelho
inventar o outro em si mesmo
carregar o tempo nas mãos
abrir as portas e limpar as janelas do lado de fora
não é possível compreender o desespero humano com a vaidade
pois bem pouco somos diante de sonhos
Edemir Fernandes Bagon
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Istmo
E agora que o tempo esqueceu de existir
Vem-me assim por engano tocar o meu corpo
Meu espírito é um istmo
E para além das cortinas brancas do meu quarto está o meu pequeno mundo
Procuro por caminhos antigos
Porque meu coração é surdo
Edemir Fernandes Bagon
Vem-me assim por engano tocar o meu corpo
Meu espírito é um istmo
E para além das cortinas brancas do meu quarto está o meu pequeno mundo
Procuro por caminhos antigos
Porque meu coração é surdo
Edemir Fernandes Bagon
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A cortina de renda, 2008
Márcio Melo ( Brasil)
Acrílica sobre tela, 61cm x 76 cm
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quinta-feira, 2 de abril de 2015
Incertezas
por outro lado, crer em qualquer tipo de certeza a respeito da vida é uma tolice
o instante é uma peça de Shakespeare
o sentir não é filosofia encenada na galáxia
são os olhos deuses que esperam sempre compreender o mundo
edemir fernandes bagon
o instante é uma peça de Shakespeare
o sentir não é filosofia encenada na galáxia
são os olhos deuses que esperam sempre compreender o mundo
edemir fernandes bagon
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