quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Estado de sítio

Faça da loucura sua razão.
Cria uma guerra contra suas ideias fundamentadas em certezas. 
Cala o silêncio do instinto.

Edemir Fernandes Bagon


Diáspora

Encontro Deus
quando
tenho
medo

do mundo.



Edemir Fernandes Bagon

"O Grito", Edvard Munch, 1893.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Lune

desaparecem no tempo os sonhos
os fios das tragédias se desenlaçam

meu corpo, porém, encanto com as tuas mãos
e a vida passa procurando o mar ainda





edemir fernandes bagon

Olhos de Édipo


os olhos de Édipo se desencantam do mundo
descem imundos num poço com claras águas
lutam em campos feitos de almas


edemir fernandes bagon





quarta-feira, 15 de julho de 2015

Emy Reynolds - Tonight

Portal dos Olhos

{descobrimentos
 -  instantes muito mais significativos do que a capacidade dos homens de intuir o destino}

{debruçar o eu sobre o próprio eu em busca de paz.
 - em contentamento, sentir o mais abstrato sem supor condição alguma}


{a esperar o mítico, 
  a compreender o enredo,  
  a buscar resposta para o enigma da salamandra,
  vivem os olhos}


Edemir Fernandes Bagon

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Parênteses

 encontro cores escrevo  palavras desenho paredes 
invento caminhos apago instantes recrio passados
traduzo olhares sinto cantos espero retornos desejo abraços anseio segredos toco vazios escuto silêncios abraço almas guardo verdades escolho sentidos esqueço imagens lembro vozes sublinho nuvens
 entrego saudades 


....
eu te amo entre parênteses





edemir fernandes bagon










quinta-feira, 25 de junho de 2015

Olhos

o corpo o silêncio encanta
o espírito alcança a palavra ausente
e acalenta os anjos com a sua voz

[que os olhos digam o que o coração não sente]


Edemir Fernandes Bagon 







quarta-feira, 17 de junho de 2015

Dicionário

nasce o tempo
com a forma de amor

seus olhos encantam o mundo

vez em quando
me encontro traduzindo sua vida em versos de lembranças minhas

como encontrar o sentido primeiro de sua língua misturada na minha?


Edemir Fernandes Bagon

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Sísifo

o presente sempre desmente o destino
de repente
o desconhecido amor inventa uma de suas histórias
e o caminho de pedras figura diante dos olhos
como um arco-íris



edemir fernandes bagon

domingo, 24 de maio de 2015

Yuna - Come As You Are

Gaia

temendo à Luz
o Tempo coloriu-se de azul
e virou um céu inteiro de brilho

os olhos de todos viram as flores que dançavam à beira do rio
junto a Deus a poesia veio
e o Amor escutou as palavras de um sábio debaixo da árvore do encanto

e foi assim que o mundo se fez


edemir fernandes bagon




sábado, 16 de maio de 2015

Sobre as coisas que não me saem da memória

seu instante: meu princípio filosófico
seu caminho: minha escolha intuitiva
seu descanso: meu canto de encontro

seu sorriso: sempre o verso último de meu livro
seu mistério: destino e desatino sob o céu de Vênus
seu encanto: meus olhos procurando ser no mundo


Edemir Fernandes Bagon

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Oração

Bem-aventurados os que nascem para ter esperanças
Bem-aventurados os que amam sem exigir do tempo nenhuma perfeição
Bem-aventurados os que ensinam com a própria vida
Bem-aventurados os que encontram um caminho e também um labirinto

Bem-aventurados os que negam aos poucos sonhadores sua incompreensão
Bem-aventurados os que se perdem sem olhar para trás
Bem-aventurados os enganos abandonados nas esquinas do mundo
Bem-aventurados os nomes dessacralizados da arte

Bem-aventurados os loucos comedidos
Bem-aventurados os silêncios decorridos do discurso
Bem-aventurados os momentos esquecidos no abismo
Bem-aventurados os nós desatados com sangue escorrido nas mãos

Bem-aventurados os mistérios acorrentados pelos olhos
Bem-aventurados os que vigiam o mar e sentem o gosto amargo do corpo arrependido
Bem-aventurados os egos nos espelhos quebrados
Bem-aventurados os instintos remidos que se levantam do chão desconhecido





Edemir Fernandes Bagon

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Estacionamento

Eu me procuro no tempo
Esperando a chuva terminar
Esperando a palavra criar o mundo
Esperando os olhos lerem o céu e o mar


Eu me procuro o tempo inteiro
Inventando espaços verdadeiros em mim
Colando pedaços de papel nos vidros da infância


Eu me inscrevo no que vier sob a forma de destino
Escravizando o escândalo como efeito do desejo
Eu me procuro sendo seu espírito
Eu me reconheço como fim daquilo que não veio


me transformo em música feita de silêncio
abraçando-me o peito como tornado o seu amor desfeito

e eu me procuro...
não sei em qual tempo e tampouco em qual mundo



Edemir Fernandes Bagon

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Cecília

Manhã de quarta-feira. Ainda cansada da jornada do dia anterior, Cecília arrumou-se  para o trabalho. Sabia que não poderia fazer corpo mole. Aluguel, água e luz para pagar. Era preciso passar na casa de Flora, sua irmã mais velha, e deixar suas filhas pequenas ali.
Recebeu um telefonema de seu ex-marido e discutiram como de costume. Ela chegou na estação de trem por volta das sete e quinze. Completaria o trajeto até a loja do centro da cidade. Olhou ansiosa para o letreiro, procurando ter uma ideia de quantos minutos se atrasaria. Saindo da estação, virou à esquerda, desceu uma rua e pronto. Lá estava.
Com o pouco movimento, Cecília esperava que a dona da loja fosse liberá-la antes das cinco da tarde. Entretanto, ficou encarregada de arrumar  o estoque após o fechamento. Com isso, garantiria algumas extras. Na sua condição, era necessário. Avisou à irmã que iria demorar para voltar. Falou com as meninas. Buscou forças.
Terminado o expediente, correu para a estação. Trem lotado. Uma amiga falava-lhe. Seu pensamento longe havia sido desfeito ao desembarcar. Era um pouco mais de nove da noite. Faltava-lhe pouco para chegar.  O namorado novo a esperava. Tinha motivos para acreditar que poderia ser diferente a vida. 
Um passo, dois - e as mãos de ambos se tocaram. Um leve toque nos lábios. A paz encontrada. Era tudo bem diferente daquilo vivido em seu casamento. 
Flora a esperava. As meninas vieram também. Sérgio acompanhou-as até o portão. Ele despediu-se carinhosamente de Cecília e de suas filhas. 
Alguns minutos depois, a vizinhança ouvia três disparos de arma de fogo. "Sérgio", sentiu Cecília. 
Carros de polícia. Um grupo de pessoas na rua. Perícia. IML. Investigação e constatação do que parecia ser óbvio: a prisão do ex-marido.  


Edemir Fernandes Bagon

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Malebolge

Quando saiu de casa, Ryan sentia que não voltaria mais. Um medo estranho no caminho. Pouco tempo depois, descobrira os olhos e percebeu o mundo.
Perdeu as coisas que amava por engano. Desenhou no céu o nascimento de estrelas e, também, o seu ocaso. 
Seu era o corpo inalado no espaço. 
Quis escrever, quis amar, quis ser o que era antes. Ficou, porém, sentado ali, naquela praça. Os dedos queimados. Havia nos lábios trincheiras. As unhas coçavam-lhe o couro cabeludo. Eram suas as fezes depositadas no centro. 
Vale do Rio Flegetonte. Vale da Floresta dos Suicidas. Vale do Deserto Abominável. Cachoeira de Sangue. Ryan, com a cabeça jogada para frente, foi embora para sempre. 


Edemir Fernandes Bagon


sexta-feira, 17 de abril de 2015

Atalhos

Júlio não pensou duas vezes para mudar o destino de sua vida.
Deixou emprego, família e amigos. O novo soava-lhe como um verso perfeito.
Quando, porém, quis ter de volta tudo o que havia deixado para trás, sentiu que não existia mais nada. Os olhos se aquietaram.
Houve um silêncio tão grande.


Edemir Fernandes Bagon


terça-feira, 14 de abril de 2015

Cirene


nada que pudesse fechar a porta
a não ser a pele desnuda do corpo

nada que não fosse desejo
seria



edemir fernandes bagon




(By Renato Guedes)















Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...