Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
domingo, 18 de outubro de 2015
sábado, 17 de outubro de 2015
Regresso
como se o tempo fosse o mar
como se a vida fosse um regresso
como se a pele fosse uma escrita
como se o céu fosse um espelho
como se os olhos fossem sinais
como se o desespero fosse um caminho
como se o que foi vivido não viesse mais
como se lido me encontrasse a paz
como se todas as letras escritas fossem em minha alma
(todos os dias caem folhas de uma árvore no meu quintal, cheias de palavras que não entendo)
Edemir Fernandes Bagon
como se a vida fosse um regresso
como se a pele fosse uma escrita
como se o céu fosse um espelho
como se os olhos fossem sinais
como se o desespero fosse um caminho
como se o que foi vivido não viesse mais
como se lido me encontrasse a paz
como se todas as letras escritas fossem em minha alma
(todos os dias caem folhas de uma árvore no meu quintal, cheias de palavras que não entendo)
Edemir Fernandes Bagon
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| (Pela Silverman - Ref. NBL101274) |
sábado, 3 de outubro de 2015
Inconfidência
janelas abertas no céu sem-fim
esquecidos olhos perto da areia
vence o mar o desconhecido
o que vem depois das horas
o que espera antes o destino
amor escrito em sementes - castiçais
escolhidos para serem portas
a cor do vestido despindo o espírito
a pele clara iluminando os dias
um gosto de chuva nos cabelos
lábios com versos em prosa
as mãos seguram os sonhos como ofertas e dízimos
querer é um ato subversivo
amar é uma inconfidência corpórea
Edemir Fernandes Bagon
esquecidos olhos perto da areia
vence o mar o desconhecido
o que vem depois das horas
o que espera antes o destino
amor escrito em sementes - castiçais
escolhidos para serem portas
a cor do vestido despindo o espírito
a pele clara iluminando os dias
um gosto de chuva nos cabelos
lábios com versos em prosa
as mãos seguram os sonhos como ofertas e dízimos
querer é um ato subversivo
amar é uma inconfidência corpórea
Edemir Fernandes Bagon
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| (Quadro de Renato Guedes) |
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Efeméridas
"Não saias fora de ti, volta-te a ti mesmo; a verdade habita no homem interior, e, ao dar-te conta de que tua natureza é mutável, transcende a ti mesmo... Busca, então, chegar lá onde a própria lâmpada da razão recebe luz.'' (AGOSTINHO, S. A verdadeira religião, p. 72)
Mas o mundo continua aqui dentro de mim
Sem saber para onde irei
Ou por quais caminhos
Seus olhos e os meus irão seguir
Meu corpo perde para o tempo
E envelhece
Edemir Fernandes Bagon
sábado, 26 de setembro de 2015
Sobre a transferência de mais de 1 milhão de alunos das escolas do Estado de São Paulo
Lamentável é a maneira como a Secretaria da Educação entende os problemas relacionados à aprendizagem dos alunos. Para ela, o que determina o desenvolvimento de habilidades e competências é o espaço físico onde o aluno permanecerá por algumas horas do dia. Por essa razão, propõe-se que sejam transferidos os educandos de um lugar para outro, conforme sua idade e ciclo de ensino.
Triste mesmo é reconhecer a inoperância do Estado em promover uma política na qual o professor seja valorizado por meio de salários dignos, de um plano de carreira que o estimule a permanecer em sala de aula e que essa mesma sala de aula tenha, no máximo, 25 alunos exercendo seu direito subjetivo de aprender.
Vejo, com imenso pesar, o descaso do governo estadual para com aquelas mães que exercem jornadas duplas de trabalho, e portanto, sofrem demais para acompanhar a vida escolar dos filhos quando estes estudam em turnos diferentes ou tipos de ensino (fundamental ou médio). Como farão para zelar pela educação dos seus filhos, se eles estiverem em duas escolas, por exemplo? E aquele professor que completa sua jornada, na mesma escola, terá que se desdobrar também para lecionar nas unidades onde a Secretaria da Educação determinar/impor a oferta dos ciclos de ensino?
Caros Governador e Secretário da Educação, deveriam vir e ver como os professores, as mães, os pais/responsáveis e alunos vivem nas regiões mais carentes do Estado de São Paulo para entender que os índices de qualidade de ensino e aprendizagem não chegarão a níveis de excelência pela imposição de um projeto sem nenhuma natureza democrática e que visa apenas cortar investimentos significativos por meio de uma estratégia neoliberal bastante conhecida: "amontoar" as crianças e os adolescentes em estabelecimentos de ensino padronizados e massificados.
O Brasil é o país do futuro do pretérito...
sábado, 19 de setembro de 2015
domingo, 13 de setembro de 2015
Caelum
Minha alma é um escrito deixado no tempo por Deus
Meus olhos são versículos datados nos mais diferentes livros sagrados
Meu coração não cansa porque todo ele é feito de salmos
Meus pés resistem nos cânticos de todos os calvários
Minhas mãos - pregadas por reis em madeira -
ungidas com água salgada pelas mulheres que sofrem
Mar inteiro ornado pelos dedos das filhas
Desertos tocando no céu vermelho
Setenta vezes sete dividido por amor ou por qualquer mistério
Minhas são as pedras do sepulcro
Minhas são as chagas do passado
Meus são os perdidos pelas praças
Meus são os que vivem nas calçadas
Meus os que deixam os sonhos
Meus os que escrevem nos cantos com a forma de seus corpos
Nasci esperando sua ausência
Edemir Fernandes Bagon
Meus olhos são versículos datados nos mais diferentes livros sagrados
Meu coração não cansa porque todo ele é feito de salmos
Meus pés resistem nos cânticos de todos os calvários
Minhas mãos - pregadas por reis em madeira -
ungidas com água salgada pelas mulheres que sofrem
Mar inteiro ornado pelos dedos das filhas
Desertos tocando no céu vermelho
Setenta vezes sete dividido por amor ou por qualquer mistério
Minhas são as pedras do sepulcro
Minhas são as chagas do passado
Meus são os perdidos pelas praças
Meus são os que vivem nas calçadas
Meus os que deixam os sonhos
Meus os que escrevem nos cantos com a forma de seus corpos
Nasci esperando sua ausência
Edemir Fernandes Bagon
sábado, 12 de setembro de 2015
Enquanto
O medo está sobretudo na ideia de que o destino possa de fato existir
e de que a multiplicidade dos eventos esteja sob o domínio da razão
ou que seja uma pretensão dos homens em fazer do amor uma categoria do discurso apenas
prefiro buscar compreender a vida a partir de suas próprias contradições
visto que os olhos só entendem os caminhos imaginados ou deixados no tempo
por hora me encontro em paz com os instantes (que não são deuses e nem nobres)
fossem os desejos prescritos em leis
fossem sabidamente reconhecidos os lugares em que as sementes se abrem para acolher o mundo
ou tivessem os jovens amantes dons de profecia
o medo não significaria forma de opressão nenhuma
porque o destino transfigurar-se-ia em humanidade
existiriam assim os caminhos do mundo
por enquanto
Edemir Fernandes Bagon
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
Γένεσις
amanhã, o mundo será o mesmo
pois quase nada se transforma sem amor
quase nenhuma forma se desfaz sem a presença da memória
quase nenhum sentido na contramão da luz encontra um fim
posto que o mundo inteiro se esconde atrás de máscaras
os olhos podem mentir para Deus?
o destino tem medo dos círculos?
pouco importa
amanhã, o mundo será o mesmo
pois quase nada se transforma sem desejo
Edemir Fernandes Bagon
terça-feira, 1 de setembro de 2015
Resignação
as folhas caem e desaparecem
as mãos não as tocam
mas os olhos
estes continuam livres
edemir fernandes bagon
sábado, 29 de agosto de 2015
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
Reinados
Escolham o destino dos ritos
Atirem as folhas no chão imperfeito
Vistam o abismo sagrado inventado pela ambição
Corpos em cópula esguicham espinhos no céu
Desumano orgulho dos déspotas travestidos de deus
Estrelas descansam no mundo com heróis forjados no inferno
Defendam a morte dos sonhos porque as águas não limpam o calvário
Recomecem a farsa dos anjos azuis
Cortem a pele dos monstros criados por leis
Venham com um presente escondido por dentro dos cavalos de madeira
Olhos de Judas, mãos de Pilatos´
Pés lavados no escuro
Mar e reinado entre as cabeças cortadas
Pedras lançadas no mundo
Poemas de Ló na loucura
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
Antídoto
somos pedintes durante a vida inteira
porque os olhos semeiam palavras em tudo
enfeitam com flores
os caminhos curvos
espreitam o instante sem saber contudo
que sentir é antídoto para não sofrer no mundo
Edemir Fernandes Bagon
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
Semântica
Seriam os passos dados por entre caminhos
Seriam as luzes vistas de longe
Seriam os segredos escritos
Seriam os deuses com flores
Seriam os mistérios e horrores
Seriam as canções sentidas
Seriam os outros perdidos
Seriam os gritos ouvidos
Seriam os princípios vendidos
Seriam as formas perfeitas
Seriam as almas e corpos
Seriam os pecados os trapos
Seriam os choros os laços
Seriam os desertos os olhos
Seriam disformes os sinceros
Seriam desejos os credos
Seriam menores os sonhos
Seriam tantos os espaços
Seriam grandes os temores
Seriam claros os espíritos
Se não fossem as dúvidas
Se não fossem as distâncias
Se não fossem as letras
Se não fossem as águas
Se não fossem os montes
Se não fossem as notas
Se não fossem as horas
Se não fossem as formas
Se não fossem os lados
Se não fossem os falsos
Se não fossem os santos
Se não fossem as mãos
Se não fossem os instantes
Se não fossem as virtudes
Se não fossem os círculos
Teria a vida algum sentido?
Edemir Fernandes Bagon
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| (O terapeuta (1941) - René Magritte) |
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Estado de sítio
Faça da loucura sua razão.
Cria uma guerra contra suas ideias fundamentadas em certezas.
Cala o silêncio do instinto.
Edemir Fernandes Bagon
Cria uma guerra contra suas ideias fundamentadas em certezas.
Cala o silêncio do instinto.
Edemir Fernandes Bagon
quinta-feira, 30 de julho de 2015
Lune
desaparecem no tempo os sonhos
os fios das tragédias se desenlaçam
meu corpo, porém, encanto com as tuas mãos
e a vida passa procurando o mar ainda
os fios das tragédias se desenlaçam
meu corpo, porém, encanto com as tuas mãos
e a vida passa procurando o mar ainda
edemir fernandes bagon
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