Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
sábado, 5 de agosto de 2017
sexta-feira, 28 de julho de 2017
Cérbero
Descolavam das mãos os desenhos coloridos
Pássaros com adornos
Cães em relevo
Cães em relevo
Céu azul monocromático
E o homem-deus deitado no teto de suas angústias
Edemir Fernandes Bagon
segunda-feira, 10 de julho de 2017
Renascença
Cabem no tempo
As pedras cristalinas tocadas pelos pés dos anjos
sobre as águas dos rios
A espera
Dos que sentem amor por aqueles que nada têm a
entregar
Cabem no tempo
O mistério das palavras atrás das nuvens
E o silêncio dos olhos
Cabem no tempo
Os caminhos perdidos ou deixados dentro do baú das
horas
E as histórias inventadas pelo desespero
Cabem no tempo
O sentido e o desejo
O pronome e o nome do mundo
Cabem no tempo
A corda estendida do alto da casa em direção à rua
O menino com a pipa no horizonte
Cabem no tempo
O ainda
O talvez
A saudade e o recomeço
Edemir Fernandes Bagon
![]() |
Andrew Biraj/ReutersMenino empina pipa em Cabul, Afeganistão |
sexta-feira, 30 de junho de 2017
Memórias
Pedras guardadas nos caminhos dos esquecidos
Anjos
arrastados sobre palavras escritas em pergaminhos
Vinte pássaros de prata em torno de estrelas cadentes
Mistérios de barro e de ferro condenando os olhos dos
reis
A cidade em ruínas diante dos réus
A invenção das máquinas de mentir
Corpos escuros e nus amarrados a doutrinas
O homem-estado decepado por espadas de bronze
Os impostos de Saulo cobrados pela solidão
As valas encobertas pelo pó
Sinais e montes invisíveis engolidos vivos pela
Loucura
Imensidão da memória
Edemir Fernandes Bagon
sábado, 10 de junho de 2017
Inquietações
Os olhos
O passado
O que vem depois
As cores do céu
A terra sob os pés
A fé
Os caminhos deixados atrás dos vales
Os círios colocados perto do espírito
Existir em versos e em arcos prateados
Em pedaços de madeira colados
Em sinais de trânsito
Em declarações de guerra e de amor
Deixar o pensamento acalentando o desespero
Para então silenciosamente conhecer a vida
Edemir Fernandes Bagon
sábado, 13 de maio de 2017
Vestes
são as coisas perdidas no tempo
os encantos das estátuas sob a chuva
os espaços escritos na memória
são os anúncios publicados nos becos
as inúmeras formas de existir no mundo sem forma
são os olhos dos pedintes nas ruas
são os gritos dos filhos do incesto
a pátria morta
a república dos senhores dos grandes empreendimentos
são os pastores cortados na carne e alimentados por demônios
são os criadores da miséria nos planaltos, nas planícies e desertos
são as mãos levantadas no calvário
os apostólicos personagens de uma grande farsa encenada por egos monstruosos
| ("A Torre de Babel", Van Valckenborgh - séc. XVI) |
no alto do edifício babilônico
estendidas foram as vestes sujas daqueles que vociferam
Edemir Fernandes Bagon
sábado, 29 de abril de 2017
Linguística amorosa
Amor é isso: linguística aplicada a uma teoria literária fundamentada na vida e na imagem do outro.
Edemir Fernandes Bagon
sexta-feira, 21 de abril de 2017
White
Não havia mais tempo.
Era a hora de encontrar a si mesmo.
Compreender suas próprias escolhas e aceitar os erros.
O que poderia fazer da vida agora?
Restava-lhe ir a outro canto do mundo.
Seus olhos queriam ver as nascentes dos rios, embora todo o resto do corpo desejasse não ser.
Edemir Fernandes Bagon
Era a hora de encontrar a si mesmo.
Compreender suas próprias escolhas e aceitar os erros.
O que poderia fazer da vida agora?
Restava-lhe ir a outro canto do mundo.
Seus olhos queriam ver as nascentes dos rios, embora todo o resto do corpo desejasse não ser.
Edemir Fernandes Bagon
terça-feira, 18 de abril de 2017
quinta-feira, 30 de março de 2017
Cegueiras
prontas estão as armas
porque os olhos não enxergam as feridas
prontas estão as armas.
Edemir Fernandes Bagon
porque os olhos não enxergam as feridas
os desvios egoístas
dos homens deformados pela ingratidão
as sombras caídas e abraçadas em terras escuras
os escárnios cruzando ruas e vielas antigas
os restos escolhidos pelo arbítrio
livremente
o pouco tempo transformado em ausência eterna
prontas estão as armas.
Edemir Fernandes Bagon
![]() |
| Saturne dévorant un de ses fils (1819-1823), Francisco de Goya |
sábado, 18 de março de 2017
Atos
Perder?
Não se pode pensar a vida dessa forma.
Existem tantos caminhos.
Presente e futuro.
Há um pouco de solidão nos versos.
Sentir?
Seria uma maneira de compreender o universo.
Difícil aceitar a verdade do que somos.
Enganar a própria alma ou interpretar a si mesmo?
Bondade?
Viver num mundo de aparências sem aparência.
Retirar as cores de um quadro para simplesmente vir a ser moldura.
Silêncio?
O que existe para além das formas?
Sonhos?
Perfeição?
Mistério?
Farsa?
O sentido da vida é um conto inventado por Deus.
Edemir Fernandes Bagon
sexta-feira, 17 de março de 2017
quarta-feira, 8 de março de 2017
Prerrogativa
[...] mas as palavras... estas possuem uma necessidade tão grande de existir.
edemir fernandes bagon
sábado, 11 de fevereiro de 2017
Cadafalso
interior
silêncio inconformado
céu transparente agarrado à cor da cortina
resposta que virá ou nunca
história do sem fim
desatino
inquietar-se nos ombros feitos em forma de âncora
trancar-se atrás de portas quebradas
em qualquer destino o medo inventa uma história acabada
Edemir Fernandes Bagon
silêncio inconformado
céu transparente agarrado à cor da cortina
resposta que virá ou nunca
história do sem fim
desatino
inquietar-se nos ombros feitos em forma de âncora
trancar-se atrás de portas quebradas
em qualquer destino o medo inventa uma história acabada
Edemir Fernandes Bagon
quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
Lâmia
linha tênue
descaminho em sentido contrário cheio de implícitos
o tempo entre os laços dos fios e dos pedaços estilhaçados dos espelhos
em parte desalinhado passado
ausência
Edemir Fernandes Bagon
sábado, 14 de janeiro de 2017
Conflito
o tempo nascido nas estrelas
a poeira escrita nos olhos
o corpo dividido na alma
o passado inventado na ignorância dos sentidos
caminhos sem margens
cruzes nas pedras do mirante
o medo não acordado
a voz correndo no quintal da infância
a vida imersa
num espírito imundo
Edemir Fernandes Bagon
a poeira escrita nos olhos
o corpo dividido na alma
o passado inventado na ignorância dos sentidos
caminhos sem margens
cruzes nas pedras do mirante
o medo não acordado
a voz correndo no quintal da infância
a vida imersa
num espírito imundo
Edemir Fernandes Bagon
sexta-feira, 30 de dezembro de 2016
segunda-feira, 26 de dezembro de 2016
Cárceres
Rasgam cinzas os insanos perdidos nas ruas
Queimam pétalas nos olhos dos faunos
Vieram pelas moedas de ouro
Trouxeram lagos de areia como dádivas para o mal
Tergiversam os pobres nos murais e porões
Sombras dos muros apodrecem em nome das leis
As lanças apontadas para a vida dos incautos
Os cães sem nome bebendo a água com sal e vísceras
Os círios transformam escadas de ferro em prata
Impérios sob os canais de sangue inventam naus aladas
Pedras entalhadas no céu
Valas e calhas desfiguram a carne dos culpados sem
rito
Nobres e falsos celestiais nas marquises dos templos
Cárceres úmidos desaparecendo na poeira dos corpos desnudados
As formas justas das injustas formas das imagens dos vidros
encarnados
Edemir Fernandes Bagon
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