parte de mim é tua por inteiro
íntima
perene
vulnerável
espalhada em tuas águas entranhadas nas palavras estranhas
[ e nos círculos descritos em forma de mistérios
Edemir Fernandes Bagon
Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
parte de mim é tua por inteiro
íntima
perene
vulnerável
espalhada em tuas águas entranhadas nas palavras estranhas
[ e nos círculos descritos em forma de mistérios
Edemir Fernandes Bagon
transliterado o tempo
o templo dos homens silencia
o tempo das rezas
o campo das guerras
as crianças que choram
os velhos que ainda cantam
as mulheres que sentem a despedida dos filhos
os pés descalços de um deus
os apátridas dos sonhos
os néscios da vingança
as traições vendidas
as moedas partidas
por entre os sicários do medo
desce o rio até o mar mais distante
cortam os fios de luz o vazio de dentro
e com as flores do clero antigo o trigo se espalha em terras secas
por onde vai o que se perde por ter sido amante da estupidez?
o que se encontra por fora do desejo falso da imagem de um mito desumano:
o canto de liturgia e o cálice elevados para o ego dos pastores políticos
[o corpo cingido com uma tolha limpa, mas com as mãos e os pés sujos]
ou
o fim em si mesmo, o próprio homem dissecado em sua própria memória e seu desejo de poder?
os templos silenciam.
(REMBRANDT. O BOI ESFOLADO – MUSEU DO
LOUVRE, PARIS, 1655. ÓLEO SOBRE MADEIRA, 94CM
X 69CM) |
"O que deseja saber, Sinédrio?"
"Deus prefere os ateus?"
Edemir Fernandes Bagon
por um não-sei-o-quê deixado
na memória
................................................
a vida entardece diante dos olhos
Edemir Fernandes Bagon
O tempo delicadamente abraçava o tecido feito de espera
Terminado aquele ano, guardou na gaveta o antigo calendário. Em seguida, pôs-se a cuidar da casa. Limpara tudo e a alma. Depois, sentou-se no sofá colocado num canto perto dos livros (que seriam lidos ainda). Pensou na vida, no mundo, nas coisas perdidas com o tempo... e encheu-se de esperança e coragem.
Edemir Fernandes Bagon
Edemir Fernandes Bagon
Perto do silêncio do céu, olhou para o mais distante do seu mundo.
Edemir Fernandes Bagon
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| The Kiss by Gustav klimt |
Edemir Fernandes Bagon
Edemir Fernandes Bagon

Das retinas quisera apenas ter o vermelho do sol nascente. O arquétipo escorpiano delineado no corpo em transe. A porta entreaberta. O desejo de permanecer ali para sempre, de retirar o laço e desvendar a alma a partir dos cabelos que deslizavam num lápis.
Um toque na luz da parede do céu. Um gemido dentro do silêncio abocanhado (como se fosse possível ver o que havia no lado de fora da carne doce e macia).
Tudo vertido: a boca noutra boca molhada; os seios de uma geisha tocados num templo de Buda; o dorso claro como um espelho d'água (onde Narciso não ouve, mas ecoa).
Os sinais de pele emaranhados. O caminho das flores. As cadeiras de vime. O lago dos peixes. Os saltos pretos abertos no eclipse da cama.
《Atravessa o destino, com a astúcia do tempo, o que procura alma.》
Edemir Fernandes Bagon
Viu o tempo passar. Em busca do perdão perdido, prostrou-se diante do cisne. Edemir Fernandes Bagon