sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Rosa

Todos os sonhos
Todas as formas
Todos os dias
Todas as armas

Todo Amor
Toda fraqueza
Toda fome
Toda tolice

Todo filho
Toda chuva
Todo o mar
Todo corpo

Toda a parte
Toda a vida
Toda canção
Todo final


Todo o sempre
Nem campo
semente
Luz que se apaga
Sempre
Sempre
Sempre


Mundo todo
todo
eu...

De repente,
Meu amor foi assim: Diadorim.

Eu longe
feito sertanejo

o descobri Riobaldo

[Ser é tão grande que não me acho.]

Edemir Fernandes Bagon

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Caminhos



Existe um universo de mentiras
Que desfigura todo o céu cinza
Que o inverno me entrega.

Um desconforto por cima das nuvens.
Um pouco de dúvida sobre a necessidade de viver.
Para onde vai, Caminho?



[Edemir Fernandes Bagon]

sábado, 23 de janeiro de 2010

Desespero

perdi a noção do tempo e da sensação de
como foram os anos de minha vida
[o doce mundo que parti ao meu gosto]


com o meu amor inteiro
[dividido com o vento (?)]
perdi os sentidos primeiros
procurei a forma da pura insanidade

desencantei-me por quase tudo que ainda existe

sonhar...[?]

talvez existam caminhos formados 
procurados na ideia de outro dia
como se o eu estivesse competindo
                ou quisesse voar de um penhasco
pairando sobre o espírito inquietante do mar escuro e longínquo
para calar-me num imensurável e estranho eu-perfeito e
quase imperceptível  sob a forma de um desejo em preto e branco 

entreguei-me a mim mesmo para esperar pelo tempo novamente
para mergulhar doravante no encanto da própria esperança redimida
sem ter mais a ansiedade pela compreensão da vida

senhor de mim mesmo - em total desespero,
(escravo de minha fé na insanidade)
eu (imperfeito) vejo o dia chegar da janela do quarto e a vida ir embora em silêncio-segredo.

Edemir Fernandes Bagon

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Formas

importa é a vida

ignorada a todo instante

cuja beleza não percebida
de algum modo é colocada
diante dos olhos dos homens e das mulheres 

na forma de mãe

               de avô segurando o neto
               de esperança do que vive em paixão
               de beijo em separado

estranhamente segregada

num grande desejo e com intenso medo

a vida não é senão outra coisa:  instantes.


move-se

enquanto ser

              como um corpo num passado 

                        mãos que tocam na areia
                        em cada despedida do mar

A vida sempre retorna depois de sentir saudade do mundo.




Edemir Fernandes Bagon

Lázaro



Onde foram as esperanças e idéias sobre a vida igualitária?
Fingimos um discurso sobre a igualdade entre os homens para que a paz contrariada possa existir?

Quando percebo a imagem de um homem-político, bem como sua imperfeita palavra enunciada, sinto náusea.
Ainda que possa garantir seu  status mediante a fome e a miséria,
Não é possível aceitar a essa condição imposta como forma perfeita do destino.

Não somos predestinados. Somos humanos.

É o humano que compreende e que se desfaz.
É o humano que se engana se assim o quiser.
É o humano que resiste à dor sob os escombros.

Para que servem complexos e rentáveis sistemas financeiros - suas organizações, leis, decretos e estados compactados, sustentados pela vaidade e ambição?

Haverá a possibilidade da reconstrução da vida humana,
Ou deixaremos de viver a felicidade plena em favor do mesquinho interesse e da hipocrisia?

Como Lázaro, príncipe do mar, entregue à terra

Sem ser humano.
Sem caverna.
Sem a quem chamar.

De repente, o céu se transforma.



Edemir Fernandes Bagon

domingo, 17 de janeiro de 2010

Borboletas Azuis

borboletas azuis em cima das estrelas
mosquitos de verão no céu
e longe o pensamento
tão longe assim

[te beijar em pensar em ti]
[te viver e estar em mim]
[te encontrar ]
[te dizer em calar]
[emaranhadamente final de mim]


(Edemir Fernandes Bagon)

Interior

Entretanto
Teu medo
Atravessa
A rua da inconstância do meu amor...


[Edemir Fernandes Bagon]

Perspectiva



Dentro do mundo:
Coração.
Ao lado da vida:
Metáfora .
Detrás das nuvens:
Segredo.
Sobre o mar:
Saudade.

Dentro da história:
Ausência.
Detrás da infância:
Mãe.
Sobre os livros:
Poeira.

Dentro da hora:
Instante.
Detrás do desejo:
Palavra.
Sobre a ternura:
Sorriso.

Dentro de tudo:
Espírito.
Detrás do muro:
Olhos.
Sobre o muro:
Escrevo.

Escrevo nos olhos o espírito...

[Edemir Fernandes Bagon]

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Leituras

Sol triste de outono. Li Pablo Neruda e Shakespeare. E também, O Amor Romântico e Outros Temas - de Dante Moreira Leite. Em cima da mesa da biblioteca, ficaram as obras de Fernão Lopes [Crônicas] e de Alexandre Dumas [Rei de Paris]. Ficaram como eu estou: soltas e sozinhas. Vôo rasante de minha alma. Vôo rasante de minha vida. Discordo de Sartre: o inferno sou eu.

Encontros


Um final de tarde assim
para me deixar ainda mais
com a sensação de abandono.
Fiquei por você,
Ou seria por mim?




[Edemir Fernandes Bagon]

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Nênia

de repente
olhei-me
e não me vi
como ontem

não me recordei
de nenhuma palavra
minha

e descalço
me aproximei
do outro que me serviu
por tantos caminhos

de fora
parecia ser eu o mesmo
que de dentro

mas não era


[Edemir Fernandes Bagon]

Eterno retorno a la poesía

Eterno retorno a la poesía
Imágenes de una expedición artística
'Cuando aún era de noche
Cuando aún no habia dia'
Los colores, tonos y matices
Eterno retorno a la poesía.
[Los colores, tonos y matices]
Los ojos castaños, eternos colores
[Tonos y matices]
El deber del Amor se mostrarse
unido en alma y intención.

[Edemir Fernandes Bagon]

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Contorno

Procura-se na areia da praia
uma concha
que se encha d' água salgada.
E trêmulas e cintilantes
estrelas-do-mar presentes
nos seus olhos castanhos.
Procura-se seu corpo no horizonte
banhado de garças azuis.
E seu sexo novo e perdido
em meio a seu espírito
de palavras e gestos
de amor.
[Edemir Fernandes Bagon]

Procura



Procuro

Nos

Teus

Olhos

A

Solidão

Do

amor.


Edemir Fernandes Bagon

domingo, 3 de janeiro de 2010

The Perfect Human Body


Lembrar-se  do  instante
Medir o que não vem


A poesia  é o homem num quadro de Da Vinci


Edemir Fernandes Bagon



sábado, 2 de janeiro de 2010

Raphael&Gabriel


já pensei que meus filhos não me amassem mais

já pensei que não mereceria ser chamado de pai

quase desisti de viver
Mas suas vozes me acompanharam a um jardim secreto.

... tornei-me outro homem...
 espelho de dois meninos com
                                                                                                               nomes de anjo: Raphael e Gabriel.

Sem ausência
Sem angústia 
                     instante e infinito
                     perto e longe


Edemir Fernandes Bagon

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Nudez


preciso de um tanto assim de vontade para viver

mais razões do que antes talvez

talvez minha vida seja isso: mito da procura

um mito

um herói (?) destinado a não se achar nunca

sem fios de ouro

sem mares

sem longos e nem ondulados cabelos

sem navios de prata

(minha vida semelhante a de tantos outros)


preciso de um tanto assim de vontade para viver

mais razões do que antes talvez

se houvesse sentido

bastaria ficar nu diante de Deus?

minha vida e eu nos separamos sempre



corro pra chuva precisando viver.


Edemir Fernandes Bagon

Corpo

A pele do corpo desfigura-se

Tendo à frente um campo imenso de flores
E um vazio enorme dentro da vida

Um pouco tiveram os olhos de alegria 
Quase ficou perdida a música antiga

[Mar longe]

O sol se enganava pelo céu
Enquanto a hora encontrava a luz

O tempo e a dança cantam agora a volta do sonho

O retorno da moça de laço 
Aresta de vaso em pleno quadro-mundo

[Desfigura-se a pele do corpo]

Olhos mais sinceros e cerrados.

No campo não existem flores nenhuma
Não há dentro da vida
Vazio nenhum
Existe a vida de dentro
Mas do lado de fora vida não há.


Edemir Fernandes Bagon

Reflexões


não espere pelo tempo
porque este não vem carregando nas mãos flores vermelhas

nem espere que a vida venha para te entregar ao verdadeiro amor
porque este se esqueceu que o sol se põe

nem duvide que o encanto esteja descansando na cortina de renda

nada importa
nem a definição ou a própria forma

mas  as marcas do rosto resistirão
quando te recordares de tudo o que não fora permitido pelo destino
[esse deus que não se encontra]


Edemir Fernandes Bagon

Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...