quinta-feira, 17 de junho de 2010

Reflexão acerca da Educação Contemporânea



Os que procuram conhecimento desejam estabelecer um vínculo de amizade com aqueles que ensinam. Esse vínculo é, portanto, um ideal pressuposto no processo de ensino e aprendizagem. Etimologicamente, a educação significa "guiar, conduzir para fora”. Assim, é o educador essencial para que o mundo exterior seja ao educando explicitado. O filósofo Sócrates afirmava ser a amizade ("φιλíα" transliteração para o latim: "philia") um meio de conhecimento do mundo e de si próprio. Nesse contexto, a relação professor-aluno precisa ser fundamentada em valores de confiança mútua, estabelecidos a partir do antigo conceito de philia.

Quem aprende, precisa confiar naquele que ensina. A confiança passa a existir à medida que a educação seja vista enquanto bem comum. Sendo assim, o mestre não deve ser considerado, e tampouco considerar-se, um ser superior. Antes, porém, ser reconhecido (reconhecer-se) em sua singularidade e em seu caráter receptivo-interativo, permitindo a fruição da beleza do ato de ensinar e de aprender (com amor e respeito).

Pode-se dizer, também, que os educandos constroem para si um novo sentido da palavra educação quando reconhecem na pessoa que ensina um ser humano que valorize o outro. Para tanto, é necessário um novo olhar do educador em relação ao aprendiz. O professor não deve invalidar, mediante "pretensa" autoridade, a existência e a voz do aluno. Este, por sua vez, precisa reconhecer a figura humana do professor enquanto valor. Logo, a amizade se faz essencial para que sejam atingidos os fins últimos do processo de aprendizagem.

É preciso refletir profundamente sobre o significado da antiga paideia em tempos modernos. Longe de ser um anacronismo, esse conceito se apresenta como alternativa positiva para a reconstrução de uma sociedade contemporânea em crise. Não nos restam dúvidas de que a amizade e o conhecimento podem juntos despertar o gosto pela beleza da vida e do saber. Eis o sentido da verdadeira educação: revelar o mundo ao ser. Já que os valores éticos apresentam-se tão esquecidos por tantos governos e indivíduos, o momento se torna propício para uma reflexão acerca do conceito grego de paidéia com a finalidade de serem encontradas soluções para os graves problemas enfrentados pela Escola atual.

Edemir Fernandes Bagon


Aniversário de Gabriel


Meu corpo desenhado no seu nome
entre as formas do instante
Meu desejo encontrado para ser tudo o que quiser
Meu amor completado nos seus olhos
feito tempo de infância...


Edemir Fernandes Bagon


*Poema dedicado a meu filho  que hoje completa 15 anos de vida.

Recantos



Folhas claras
dentro do mar.
As pedras se tocam
no tempo que existem.

Edemir Fernandes Bagon

terça-feira, 8 de junho de 2010

Espírito

representam as horas o ser
representam as flores o mundo
representam os caminhos encantados o riso
representam as pedras as nuvens

representa o infinito essa linha chamada de  horizonte ...
[guerra dentro do pensamento]
vislumbrada de bem longe
igual  mistério
estando no mundo

representa uma letra  
desconhecida minha mão no céu
- uma heroína inventada na
manhã de inverno

meu espírito me carrega pelo corpo no meio do tempo sempiterno
e o tempo já não representa mais saudade nenhuma dos desencantos que vivi um dia.

Edemir Fernandes Bagon


Contradições

que há de novo em tudo aquilo que desejamos?


talvez nada.

são sempre as mesmas contradições:

ou uma casa, ou um carro, ou Deus?

há nisso algum inconveniente?

penso que não...

a não ser quando me pergunto sobre a vida de crianças portadoras de destinos especiais...

ou quando penso a respeito das mulheres emudecidas pelo matrimônio da sua angústia que, por algum motivo, continuaram vivas...

de repente sinto um pouco do absurdo da vida .



Edemir Fernades Bagon

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Contradições II

                                                          
             


Os homens não encantam, porque mentem.
As mulheres existem, porque amam
sempre a vida inteira.

[Edemir Fernandes Bagon]

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Lago do Tempo

                                                                                                                                                                           
a vida não é um eterno retorno...


se trata de um instante
no qual se descobrem os abismos
e os céus avermelhados da tarde
que amiúde procuram os lagos perdidos em que
às vezes se julgam as horas cansadas e
noutras tantas se desfaz o sentimento assim repentinamente
como um gemido ou como uma rosa....

e no que se pensa e no que se diz
não há a intensa verdade de uma
oração voltada para uma divindade

não há sequer um pouco do desejo puro
porque este é apenas invenção dos olhos

ainda que se diga o contrário disso

pensar o amor e vivê-lo são coisas diversas -
coisas que não se encontram como os céus avermelhados e a terra.

e, no entanto, deve existir, ou melhor, existe em algum canto do mundo.

mas esse é o abismo interior distanciado da mentira...


a vida é um pouco mãe - que - morre quando se é menino ainda

de repente, com o tempo passado, a imagem vai se desfigurando...se desfigurando...desfigurando... ando
e uma estranha dor com a forma de algo sem forma é colocada à frente de tudo
e logo não se reconhece  mais 
e tão-somente se sente a saudade de dentro.

a vida é saudade puramente saudade [não é eterno retorno de nada].


mesmo assim é necessária para ser dita ao filho
mesmo assim é necessário viver
mesmo assim é imprescindível nascer sempre e contrapor-se aos céticos

e dizer ao menos que não deveria haver injustiça social
que não deveria haver falsidade e egoísmo e racismo e ...

dizer ao menos que a vida é necessária para amar o que se está amando
que é necessária para pensar em outras maneiras de dividir o acumulado nos bancos
                                                                           de repartir as terras
e dividir a beleza dos livros de amor


mas é a saudade que todos repartem com todos -

 vida que fica na rua quase perdida perto do lago do ego atrás do tempo.










Edemir Fernandes Bagon

terça-feira, 1 de junho de 2010

Peles

tira teu coração
e veja o que fica

olhos
boca
pernas
braços
dentes
dedos
unhas


mastiga a alma
e veja o que sobra
solidão
tristeza
dor
morte
cansaço

arranca teus olhos
e pensa no mundo
nas cores
nas formas
nas chuvas
nas montanhas
nos ventos

esconda teus erros
e sinta a verdade
a impossibilidade
a vergonha
o desprezo
o exílio
o martírio
o jugo
o silêncio

corta o tempo
e nada te sobra
do sonho
da vida
do gosto
do encontro
do destino
da loucura

respira a vida sem a graça de Deus: a vontade dos miseráveis
terá sentido?
será omisso o pensamento do que se pressupõe acerca de ti?
[julgamentos puros e irônicos sobre tua forma de viver]

retira teu coração...
não sobra nada
nem origem
nem finalidade
apenas os outros
que te desejam o menor dos sonhos dessa ridícula bobagem de ser o que jamais será.

recomece o canto aos inimigos para pintar o céu de vermelho e as estrelas da cor de todas as peles humanas

[Edemir Fernandes Bagon]




domingo, 30 de maio de 2010

Transformação


Transformação


vivi inteiramente o passado da longínqua história do homem
vivi a angústia do mundo todo
e assim se me deu a tranformação
o que ninguém é capaz de peceber
é que já não há rimas no final do corredor

e no filme coexistam dois mundos
duas pessoas apaixonadas pela vida
enquanto uma vive para si e
a outra para o mundo
Dois estranhos capazes também de odiar

já não quero ter o tempo
já não desejo o desejo de ter
porque sou um outro semelhante ao carneiro.

[Edemir Fernandes Bagon]

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Vontade e representação

Que importam as representações
Se foram elas inventadas pelo desejo?

As mãos se curam [a si mesmas]
E o sonho compreende a vida.

É tão-somente isso.

Porque a vontade liberta aquilo que não se sonha mais.
Quase o sublime perdido como o sol que se põe no mundo.

E ele não se representa [a si].
É o mundo que o inventa enquanto ser.


                                                                            [Edemir Fernandes Bagon]

sábado, 22 de maio de 2010

Fingir



Escrever é lembrar do passado
Numa palavra ou em qualquer palavra

Escrever é lembrar do passado
Agora ou talvez
Ou tudo ou nada

Esquecer é fingir não lembrar.


Edemir Fernandes Bagon

domingo, 9 de maio de 2010

Dicotomia



Obscuramente, não vos pertenço.

Nem ao sonho,
Nem à vida...

Cantem aos mortos, meus inimigos verdadeiros,
Pois dentro de cada um de nós há o silêncio de um passado inteiro.

Viajantes, por que vos calais para tudo?

O gosto pelas nuvens e pelas montanhas e pelas estradas do espírito
Não é o mesmo que descobre o estranho vício da existência sobre-humana?

Assim que o Tempo terminar o canto do coração,
Seremos mar...
Nascerá de vós, amigos falsos, um filho morto e todo salmo virá à alma para encantar toda forma...
Talvez toda dúvida e também toda partida ou toda a invenção de uma estrela caída.

O que importa ser num instante entrecortado no sempre,
Se podemos esperar pela Esperança montada num cavalo de prata...?

Somos rios imaginários
Somos conchas
Somos livros
Somos advérbios ambulantes...

[E Eco se deita sobre o espelho d'água para beijar Narciso]

Todo amor é fagogênico.
E silenciosamente todo amor descobre o sentido de suas próprias palavras
Quando não há palavras.

[não há mitos para o instante desenhado num céu quase de estrelas]

Claramente, vos perco - imagens tristes.

Agora, não preciso mais de vós ou de outrem.
Agora não me encontro mais no espelho à espera da Esperança.
Agora não mais sou Eco.
Agora redescubro o mar que fui  inteiro
                                                       feito na lembrança
                                                       sem nenhuma linha
                                                       me dividindo ao meio

Pertenço a mim mesmo como pedra no fundo mágico de um rio perdido no horizonte.

[Edemir Fernandes Bagon]

Indagações

Por que a vida
Quase nunca é como a sonhamos?

Por que nossos sonhos, geralmente,
Não se realizam?

Por que temos que esperar
Quase sempre para sermos felizes?

Por que é tão complicado viver?


[Edemir Fernandes Bagon]

Revelação


ter sono
é bom para esquecer um pouco as mentiras da gente
e inventar sonhando a verdade
sem ter que fingir
apenas para ser aceito no rebanho de falsos cordeiros de Deus.

Edemir Fernandes Bagon

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Rosas


nem sempre é necessário olhar  abismos a todo o tempo
existe a possibilidade de reencontrar aquela antiga rua feita de paralelepípedos e rosas
existe sempre uma chance de reconstruir a vida...


edemir fernandes bagon

Ser

Pode ser que a vida seja uma espécie de para sempre...



edemir fernandes bagon

Interioridade


Vontade de ter
                de ser
                de querer
                de estar
                de ficar
                de sonhar

de dizer
de inventar
de criar
de abrir
de fingir
de viver
de partir

de sentir  amor.


          
                      edemir fernandes bagon

Gêmeos com ascendente em Áries





Viver é como escrever num cantinho
da folha de papel e
aceitar que seja
isso um
poema


Edemir Fernandes Bagon

Reflexão



Nunca é uma palavra
Curta demais
Para tanto tempo
Que demora.

[Edemir Fernandes Bagon]

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Severina

Estação de trem. Carapicuíba.
Severina estendeu-me o braço.
Queria ela saber onde estava o antigo prédio (...).
Fez um gesto e se dirigiu para o caminho da grande pedra.

Severina pegou o ônibus errado.
Eram quase três horas da tarde.
Descrevia-lhe tudo ao redor: calçada, banco, faixa, semáforo...

Eu a deixei diante do prédio antigo.
Retornei a casa e não quis mais me ver ao espelho.

[Edemir Fernandes Bagon]

Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...