but i don't know that i can't feel
sometimes i can see my soul in the sky
sometimes i think that you're mine
and the birds fly for me
edemir fernandes bagon
Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Rewrite
gostaria de ter novamente minha maneira de sentir o mundo
e meu medo de ficar sozinho e de não saber o caminho de volta pra casa
houve um tempo em que eu não tinha a consciência da existência de fato das coisas
houve um tempo em que eu não tinha a consciência de estar só no mundo tão cheio de palavras
naquele tempo eu apenas brincava de ser um super-herói voando sobre os muros ou sobre as calçadas
naquele tempo eu não sabia do que era feito o mundo
naquele tempo eu sentia medo de ficar sozinho e não saber o caminho de volta pra casa
naquele tempo eu queria viver de verdade apenas por brincadeira
gostaria de voltar no passado apenas pra fazer alguns retoques na minha história
só pra ver no que daria
só pra ver...
edemir fernandes bagon
e meu medo de ficar sozinho e de não saber o caminho de volta pra casa
houve um tempo em que eu não tinha a consciência da existência de fato das coisas
houve um tempo em que eu não tinha a consciência de estar só no mundo tão cheio de palavras
naquele tempo eu apenas brincava de ser um super-herói voando sobre os muros ou sobre as calçadas
naquele tempo eu não sabia do que era feito o mundo
naquele tempo eu sentia medo de ficar sozinho e não saber o caminho de volta pra casa
naquele tempo eu queria viver de verdade apenas por brincadeira
gostaria de voltar no passado apenas pra fazer alguns retoques na minha história
só pra ver no que daria
só pra ver...
edemir fernandes bagon
domingo, 8 de maio de 2011
Gates
caem folhas no jardim
quase todos os dias
e sempre o vento
as arrasta para longe
caem folhas sobre um rio
e as águas se abrem como nos sonhos dos anjos tristes
caem folhas
caem folhas sob a ponte
edemir fernandes bagon
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Maio de 2011
somos cristãos
comemorando a morte
de um homem
pela ruas de nova iorque
somos cristãos
comemorando a morte
de um homem
nas areias de um deserto
nas mansões de hidrocarboneto
somos cristãos
comemorando a morte
de um homem
com bandeirinhas em nossas mãos
somos cristãos
comemorando a morte
de um homem
com a doce vida dessa justiça humana
somos cristãos
comemorando a morte
de um homem
por suas mortes
somos cristãos
comemorando
a morte da insensibilidade
somos cristãos
comemorando
a loucura hipócrita
de nossos hinos de louvor
somos cristãos
para engolir a areia
e cheirar a pólvora
do nosso orgulho de vingança
somos cristãos
idolatrando a dor
do dinheiro podre
dos senhores do mundo
somos cristãos
caminhando sobre
os outros
somos cristãos inventando touros
amamentados por lobas de nosso imaginário
somos os impérios do passado
somos os símbolos da discórdia
somos humanos? somos a verdade,
o caminho e a fé?
somos cristos ou fingimos?
somos cristãos esperando pela morte
dos inimigos?
queremos a face tridimensional e o perdão de Deus.
queremos.
mas de repente encontramos na tv a alegria da vingança
a justiça da injustiça
a morte sem um júri
o olho pelo dente
sem que venhamos a oferecer o outro lado de nossas faces
somos cristãos?
edemir fernandes bagon
comemorando a morte
de um homem
pela ruas de nova iorque
somos cristãos
comemorando a morte
de um homem
nas areias de um deserto
nas mansões de hidrocarboneto
somos cristãos
comemorando a morte
de um homem
com bandeirinhas em nossas mãos
somos cristãos
comemorando a morte
de um homem
com a doce vida dessa justiça humana
somos cristãos
comemorando a morte
de um homem
por suas mortes
somos cristãos
comemorando
a morte da insensibilidade
somos cristãos
comemorando
a loucura hipócrita
de nossos hinos de louvor
somos cristãos
para engolir a areia
e cheirar a pólvora
do nosso orgulho de vingança
somos cristãos
idolatrando a dor
do dinheiro podre
dos senhores do mundo
somos cristãos
caminhando sobre
os outros
somos cristãos inventando touros
amamentados por lobas de nosso imaginário
somos os impérios do passado
somos os símbolos da discórdia
somos humanos? somos a verdade,
o caminho e a fé?
somos cristos ou fingimos?
somos cristãos esperando pela morte
dos inimigos?
queremos a face tridimensional e o perdão de Deus.
queremos.
mas de repente encontramos na tv a alegria da vingança
a justiça da injustiça
a morte sem um júri
o olho pelo dente
sem que venhamos a oferecer o outro lado de nossas faces
somos cristãos?
edemir fernandes bagon
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Ser
sabe aquela saudade que a gente sente e fica sem ter para onde ir com a alma
e, por esse motivo, caminha sem direção ou intenção de chegar a nenhum lugar
sabe aquela saudade de um momento que a gente pensava que não iria acabar nunca
o primeiro dia na escola
o medo da professora Maria
o medo de andar sozinho na rua pra voltar pra casa
dos amigos estranhos da sala de aula
daqueles que a gente sequer hoje se recorda do nome
mas que os traços dos rostos ficaram assim na memória
como uma fotografia bem antiga guardada
(daquelas nas quais ficam alguns sentados e outros em pé ou aquelas em que a gente aparece com um sorrisinho torto de braços cruzados sobre uma mesinha com uma bandeirinha do Brasil ao fundo e uma corujinha de óculos segurando um livro)
sabe aquela saudade que a gente sente quando ainda vê do circular uma paixão da adolescência andando pela rua...
sabe aquela saudade do primeiro encontro
da primeira viagem pelos cantos da estação
da primeira vez que se viu sozinho e livre
do primeiro tempo em que os sonhos faziam
sentido
das conversas demoradas na porta de casa
da mãe gritando o nome da gente na rua
sabe dessa saudade que não acaba nunca?
edemir fernandes bagon
domingo, 1 de maio de 2011
Entrada
se esperar por muito tempo para encontrar o Amor
aguarde o entardecer para falar com Deus
espere anoitecer para sentir saudade
escreva versos nos portões das casas
esqueça o corpo sobre o mar da infância
longe voe para tocar no
Eterno
edemir fernandes bagon
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Silêncios
te dou uma rosa para mostrar o que tenho no espírito
e te escrevo centenas de versos para que na minha vida possas continuar seguindo
embora eu saiba que nem mesmo as palavras poderão te encontrar
enquanto estiver no mundo
te procuro de longe sob os céus e os mares
te procuro
a cada sentido teu
eu entrego os meus olhos
com as mãos estendidas e um gosto enterrado no presente
te levo para o lado mais puro de mim tirado
e seguro nos dedos todas as coisas inacabadas
te toco os lábios para calar-me diante do mundo
e traduzo teu silêncio em tudo o que sou
em tudo
edemir fernandes bagon
e te escrevo centenas de versos para que na minha vida possas continuar seguindo
embora eu saiba que nem mesmo as palavras poderão te encontrar
enquanto estiver no mundo
te procuro de longe sob os céus e os mares
te procuro
a cada sentido teu
eu entrego os meus olhos
com as mãos estendidas e um gosto enterrado no presente
te levo para o lado mais puro de mim tirado
e seguro nos dedos todas as coisas inacabadas
te toco os lábios para calar-me diante do mundo
e traduzo teu silêncio em tudo o que sou
em tudo
edemir fernandes bagon
sábado, 16 de abril de 2011
segunda-feira, 11 de abril de 2011
A Casa Materna
do outro lado da rua
olhei com ternura a casa da minha mãe
e me vi menino ainda
pensei que fosse sentir com muito mais intensidade
estranho é que não
[de resto a vida seguiu em frente]
tanto o tempo quanto o esquecimento
me desenharam o corpo
mesmo que se queira
mesmo que seja recriado o tempo
mesmo que se inunde de pecado
mesmo...
olhei ainda com ternura
para tentar amar verdadeiramente
compreender a mim mesmo
entender minhas ausências na vida inteira
para deixar de ser um órfão da hipocrisia
para não fugir daquilo que sou
olhei com ternura a casa materna para viver
para reviver
para renascer
para reconhecer o amor
edemir fernandes bagon
olhei com ternura a casa da minha mãe
e me vi menino ainda
pensei que fosse sentir com muito mais intensidade
estranho é que não
[de resto a vida seguiu em frente]
tanto o tempo quanto o esquecimento
me desenharam o corpo
me reordenaram o espírito
mesmo que se queira
mesmo que seja recriado o tempo
mesmo que se inunde de pecado
mesmo...
olhei ainda com ternura
para tentar amar verdadeiramente
compreender a mim mesmo
entender minhas ausências na vida inteira
para deixar de ser um órfão da hipocrisia
para não fugir daquilo que sou
olhei com ternura a casa materna para viver
para reviver
para renascer
para reconhecer o amor
edemir fernandes bagon
sábado, 9 de abril de 2011
Encanto
esperar é o princípio de toda a vida
mas é tão difícil te ver de tão longe
mas é tão difícil te ver de tão longe
que eu já não quero mais viver
edemir fernandes bagon
terça-feira, 5 de abril de 2011
Simbiose
fica perto de mim
quando estiver triste
fica perto de mim
quando estiver sorrindo
fica perto de mim
fica perto de mim
para me levantar
fica perto de mim
se as estrelas caírem
fica perto de mim
quando eu cantar
fica perto de mim
se me sentir pequeno
fica perto de mim
quando eu estiver ausente
fica perto de mim
para eu colher as flores
fica perto de mim
se eu te beijar
fica perto de mim
para me ver vivendo
fica perto de mim
como horinzonte e mar

edemir fernandes bagon
quando estiver triste
fica perto de mim
quando estiver sorrindo
fica perto de mim
fica perto de mim
para me levantar
fica perto de mim
se as estrelas caírem
fica perto de mim
quando eu cantar
fica perto de mim
se me sentir pequeno
fica perto de mim
quando eu estiver ausente
fica perto de mim
para eu colher as flores
fica perto de mim
se eu te beijar
fica perto de mim
para me ver vivendo
fica perto de mim
como horinzonte e mar

edemir fernandes bagon
quinta-feira, 31 de março de 2011
Pelagianos
Viver:
processo dialético
ou jogo de aparências?
(manipulação das novas exigências do amor humano)
ser...
edemir fernandes bagon
quarta-feira, 30 de março de 2011
Graça
experimento teu mundo
entendo tua palavra
manifesto teus feitos
buscai a mim, Amor
porque te desejo.
edemir fernandes bagon
terça-feira, 29 de março de 2011
Cantiga de Amigo do Século XXI
meu mundo eu te entrego com todo amor
para não esquecer que sou tua
minha estranha alma te acalenta
talvez por sentir que encontra em ti o mar
distanciam-se o vento e a areia
assim como caem os brancos cabelos sobre o encanto da velhice do corpo
não encontro nada se não me gritares pelos céus
meus caminhos se abrem em um ponto de fuga qualquer
inversamente me inspiram os versos que bailam no ar ou em minhas mãos
meu mundo eu te entrego com todo amor
para não esquecer da vida
para não esquecer que sou tua
edemir fernandes bagon
domingo, 27 de março de 2011
Mimetismo
que venham todas as folhas de outono
e possam me cobrir o corpo inteiro
para quando retornarem todas as flores
meu espírito sorrir com seu sorriso

edemir fernandes bagon
sexta-feira, 25 de março de 2011
Dorian
quando tudo for um nonsense
melhor evitar as palavras
que seguir um tolo
evitar a revolução
que em nada se transforme
evitar discórdias com porcos
e engolir as cinzas
quando diante dos olhos tiver
um mundo menor do que era antes
melhor andar sozinho
porque nada nos serve viver
para comer em pratos sujos a vingança
é possível sentir no outro toda dor
até o momento em que nos ferir pelo silêncio
é possível aceitar os que mentem
mas é desumano viver numa farsa
podemos sorrir para não ser vistos por dentro
pois inventamos palavras
pintamos em nós imensos quadros de Dorian
tempo passando pelos olhos
imagens feitas de ausência
espaços se desfazendo aos poucos
vem e espera pela linha perfeita do horizonte
espera o amor se tornar propriedade de alguém
e os porcos insistem em falar sobre seus enganos
insistem ainda em brindar
edemir fernandes bagon
quinta-feira, 24 de março de 2011
Nominal
de repente o tempo fica assim dividido
ora te amo como nunca
ora te quero bem longe de mim
de repente eu te desejo como sempre
mas em pouco tempo te odeio para sempre
de repente de ti me recordo
e num momento de esquecimento
escrevo teu nome
edemir fernandes bagon
ora te amo como nunca
ora te quero bem longe de mim
de repente eu te desejo como sempre
mas em pouco tempo te odeio para sempre
de repente de ti me recordo
e num momento de esquecimento
escrevo teu nome
edemir fernandes bagon
quinta-feira, 17 de março de 2011
Encontrar
venha mais perto
e com teus olhos
encontra meus lábios
entrega a mim teu caminho
e fale em tom de segredo
tua viagem pelo mundo
recorda-me e me acorda
com teu coração
para que eu me sinta teu
te encontro nas palavras
todos os dias no silêncio
venha mais perto
e com os teus olhos
me descubra com verdade
me faça esquecer porque não te esqueço
me encontra longe ao me lembrar de teu sorriso
venha mais perto dos meus olhos
e encontra meu espírito
edemir fernandes bagon
e com teus olhos
encontra meus lábios
entrega a mim teu caminho
e fale em tom de segredo
tua viagem pelo mundo
recorda-me e me acorda
com teu coração
para que eu me sinta teu
te encontro nas palavras
todos os dias no silêncio
venha mais perto
e com os teus olhos
me descubra com verdade
me faça esquecer porque não te esqueço
me encontra longe ao me lembrar de teu sorriso
venha mais perto dos meus olhos
e encontra meu espírito
edemir fernandes bagon
terça-feira, 15 de março de 2011
Veneza
sinto-me livre
dentro de uma saudade
que não sei explicar ao certo
sinto-me pleno
dentro de mim
embrião sagrado
eu me sinto suas palavras
eu me sinto seus olhares
eu me sinto seu espírito
eu me sinto um barco em Veneza
edemir fernandes bagon
dentro de uma saudade
que não sei explicar ao certo
sinto-me pleno
dentro de mim
embrião sagrado
eu me sinto suas palavras
eu me sinto seus olhares
eu me sinto seu espírito
eu me sinto um barco em Veneza
edemir fernandes bagon
sexta-feira, 11 de março de 2011
Achados
recomece a viver
e reencontre
sentido nas coisas simples
como
na maneira
que a mãe
segura o filho
como no tempo
que a nuvem leva
para formar no céu
desenhos
como no namoro da terra
com a chuva
como no encontro
do vento
com os cabelos da mulher sentada na calçada
como na despedida para sempre
como no silêncio incontido do amor
recomece a viver
e reencontre sentido
nas coisas simples
para não perder os sentidos
para não perder os instantes
para não perder o encanto de uma dança do ventre
para não perder o incontingente
para não se esquecer da voz do pai
para não se esquecer das necessidades da vida
reencontre o começo
edemir fernandes bagon
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