quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Potenciação

A vida nos encontra no mundo
Ora num instante de silêncio pleno
Ora num confronto entre alma e corpo sob as estrelas

Triste talvez seja o fato
de ela nos encontrar em teoria
E o Amor se transformar
Numa espécie de astrônomo-inventor
Querendo calcular os grãos de areia
Necessários para encher o universo
De todos os nossos sonhos

              Edemir Fernandes Bagon

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Casting


se fosse simples viver

a poesia não existiria
não haveria nenhuma necessidade da palavra escrita
os antônimos desapareceriam
não seria preciso olhar lá fora pela janela

se fosse simples viver

o suicídio assistido não seria casting do cinema mudo
as folhas não iriam cair antes das flores
os olhos não falariam


Edemir Fernandes Bagon






domingo, 2 de novembro de 2014

Amanhecer no Horizonte é uma obra literária que apresenta textos poéticos e em prosa. O autor aborda diferentes temáticas relacionadas à existência do ser no tempo e no espaço. Nesse sentido, o amor, a solidão, a saudade, a liberdade e a condição social do homem no mundo são revelados numa linguagem rica em expressividade e sensibilidade. Amanhecer no Horizonte é, portanto, um discurso multifacetado em busca da compreensão da vida encontrada no tempo e explicitada nas relações humanas constituídas.










quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Caminhos II


Quando o vento tocou no passado
Os olhos esqueceram

E de repente as mãos quiseram tocar no mundo
Com a mesma sensibilidade dos peixes nas pedras submersas

Vieram também a criança e a mãe que sonhavam e
Deixaram lá fora o acaso

Quando a vida encontrou o amor
A linguagem e a espera se tornaram símbolos

Desceram os homens as escadas dos seus credos
Enxergaram as pedras em linhas azuis

Quando o vento tocou no passado
Os caminhos pintaram os espelhos


Edemir Fernandes Bagon



                                                                          (By Renato Guedes) 

domingo, 19 de outubro de 2014

Lacunas




quem sabe um dia
mas sem dizer palavra alguma
a gente encontre um ao outro em si mesmo


Edemir Fernandes Bagon




 
  

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Vicissitudes

o tempo
Sente a vida simplesmente

Vez por outra
 seus caminhos se encontram

vez por outra
A espera chega ao fim


Edemir Fernandes Bagon





quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Bálsamos


                os instantes não curam como bálsamos
tampouco cicatrizam os sonhos

                nascem infinitamente
e se encantam como os lábios que falam salmos
             
               dançam com as rosas no vento
compreendem muito pouco
os que desejam
e aqueles que vivem no mundo
esperando pelo destino

os que fingem
os que amam



Edemir Fernandes Bagon





               

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Dálias


Peles que se encontram num quarto escuro
Doce toque de Eva no corpo de Adão

Quarenta dias de chuva sobre as ruas
Dálias perdidas por entre as praças

Tempo de invenção do mundo

Portões de ferro abertos
Terra que silencia versos deixados

Íntimos caminhos sonoros

Medo no tempo vivido desenhado em paredes
Ruas de pedras e pinheiro

Encontram-me seus olhos por onde vou
Seja minha vida o tempo inteiro


Edemir Fernandes Bagon



quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Ortodoxia

oleiro 
joio
trigo 
barcos
vento

árvore da traição
anjos da morte
paixões 


riquezas
roupas de linho e outros tecidos finos
traças e ferrugem
gritos de escravos
ervas do campo
palavras escritas nas estrelas

tempo de começar
pedras de moinho e corpo
abrigos perdidos no meio do deserto
fogo que se acende 
caminhos pelo céu
atravessar o rio de pedras

colheitas no outono
lugar para adoração dos teus olhos: alma 



edemir fernandes bagon






terça-feira, 9 de setembro de 2014

Absolvição

Há cantos que não se encontram em desespero

Cristais e pedras preciosas de mentira
             aparências fingidas
Tantos são os homens com poder sem espelho

Não são caminhos os mistérios?
Se houvesse uma maneira de não fingir o que somos, seríamos tão felizes nas fotografias?

Para onde nos levam os discursos inflamados sobre a moral das máscaras sobre os palcos?
Sendo a vida uma coleção inteira de esperanças,
          o que esperar das pretensas teorias de salvação social?

A alma que se encanta diante dos que nascem
Os olhos que se perdem no longe que alcançam

Existir é um abismo formado entre o parágrafo e o ponto de exclamação colocado no final                   do amor.

Ainda resta um pouco das coisas sonhadas
Há cantos que não se encontram em desespero


Edemir Fernandes Bagon





quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Sacrifício

uma declaração de amor é uma canção que não se esquece nunca
predicado e sujeito escritos no lado eterno do tempo... dos olhos

sementes sobre os campos abertos tocados pelos anjos
telhados molhados de chuva 

cadernos diários com vida


descansa teu corpo num canto
desnuda tua alma

o que não sente é o que faz sentido.


edemir fernandes bagon




Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...