invente um novo coração com plena liberdade de amor
para que se tornem sonhos todas as dificuldades da vida
um coração em forma de escudo, mas daqueles de quando se é um menino ainda...
[o que não invalidaria um verdadeiro duelo em tempos de aflição e de loucura]
invente um outro tipo de alma
sem karma
sem inferno
sem paraíso
uma do tipo trança de cabelo de menina [todas as formas livres]
alma da cor do primeiro encanto da vida,
e com rugas também,
porém sem esclerose nenhuma
invente novas formas de poder com nenhum caráter político
com caráter nenhum de influência sobre o comportamento dos homens
invente outra questão mais complexa que a da natureza das relações humanas
considere ainda a possibilidade de jamais ter sido visto e analisado o pensamento
invente um quadro artístico sem nada haver pensado
[com a dimensão de tudo e de mais nada]
como se não houvesse intenção de compreender o feito da tragédia nascida
espere pela ressurreição da noite para que acenda o fogo
e possa iluminar um navio em pleno mar [inventado e distante]
invente um tipo diferente de dor
azul quando estiver triste ou verde quando eu partisse
em caso de paixão, porém, castanho-escura
mas que seja apenas isso: dor inventada
podendo ser formatada quanto ao tipo de fonte
invente outra alma que possa controlar o amor
porque o corpo não pode, pois não é livre
invente a vida
com ou sem um porto
com ou sem partida
invente o amor
em outras cores para os olhos
- e não corte suas tranças de menina,
porque não se é invenção nenhuma
deixe-se livre como duas almas perfeitas segurando um escudo em forma de coração.
inventar será isso?
edemir fernandes bagon