quinta-feira, 31 de março de 2011

Pelagianos

Viver:

processo dialético
ou jogo de aparências?

 (manipulação das novas exigências do amor humano)
ser...


edemir fernandes bagon

quarta-feira, 30 de março de 2011

Graça


experimento teu mundo

entendo tua palavra

manifesto teus feitos 

buscai a mim, Amor

porque te desejo.



edemir fernandes bagon

terça-feira, 29 de março de 2011

Cantiga de Amigo do Século XXI



meu mundo eu te entrego com todo amor

para não  esquecer que sou tua 


minha estranha alma te acalenta 


talvez por sentir que encontra em ti o mar 


distanciam-se o vento e a areia 


assim como caem os brancos cabelos sobre o encanto da velhice do corpo


não encontro nada se não me gritares pelos céus


meus caminhos se abrem em um ponto de fuga qualquer


inversamente me inspiram  os versos  que bailam no ar  ou em minhas mãos


meu mundo eu te entrego com todo amor


para não  esquecer da vida


para não  esquecer que sou tua





edemir fernandes bagon

domingo, 27 de março de 2011

Mimetismo



que  venham todas as folhas de outono
e  possam me cobrir o corpo inteiro
para quando  retornarem todas as flores
meu espírito sorrir com seu sorriso






edemir fernandes bagon

sexta-feira, 25 de março de 2011

Dorian


quando tudo for um nonsense

melhor evitar as palavras
que seguir um tolo

evitar a revolução
que em nada se transforme

evitar discórdias com porcos
e engolir as cinzas

quando diante dos olhos tiver
um mundo menor do que era antes
melhor andar sozinho

porque  nada nos serve viver
para comer  em pratos sujos a vingança

é possível sentir no outro toda  dor
 até o momento em que nos ferir pelo silêncio

é possível  aceitar os que mentem
mas é desumano viver numa farsa

podemos sorrir para não ser vistos por dentro
pois  inventamos palavras
pintamos em nós imensos quadros de Dorian

tempo passando pelos olhos
imagens feitas de ausência
espaços se desfazendo aos poucos

vem e espera pela linha perfeita do horizonte
espera o amor se tornar propriedade de alguém


e os porcos insistem em falar sobre seus enganos
insistem ainda em brindar





edemir fernandes bagon

quinta-feira, 24 de março de 2011

Nominal

de repente o tempo fica assim dividido
ora te amo como nunca
ora te quero bem longe de mim

de repente eu te desejo como sempre
mas em pouco tempo te odeio para sempre
de repente de ti me recordo
e num momento de esquecimento
escrevo teu nome




edemir fernandes bagon

quinta-feira, 17 de março de 2011

Encontrar

venha mais perto
e com teus olhos
encontra meus lábios

entrega a mim  teu caminho
e fale em  tom de segredo
tua viagem pelo mundo

recorda-me e me acorda
com teu coração
para que eu me sinta teu

te encontro nas palavras
todos os dias no silêncio

venha mais perto
e com os teus olhos
me descubra com verdade

me faça esquecer porque não te esqueço
me encontra longe ao me lembrar de teu sorriso


venha mais perto dos meus olhos
e encontra meu espírito



edemir fernandes bagon

terça-feira, 15 de março de 2011

Veneza

sinto-me livre

dentro de uma saudade
que não sei explicar ao certo

sinto-me pleno
dentro de mim
embrião sagrado

eu me sinto suas palavras
eu me sinto seus olhares
eu me sinto seu espírito

eu me sinto um barco em Veneza


edemir fernandes bagon

sexta-feira, 11 de março de 2011

Achados



recomece a viver
e reencontre
sentido nas coisas simples



como
na maneira
que a mãe
segura o filho



como no tempo
que a nuvem leva
para formar no céu
desenhos



como no namoro da terra
com a chuva
como no encontro
do vento
com os cabelos da mulher sentada na calçada


como na despedida para sempre
como no silêncio incontido do amor


recomece a viver
e reencontre sentido
nas coisas simples


para não perder os sentidos
para não perder os instantes
para não perder o encanto de uma dança do ventre
para não perder o incontingente
para não se esquecer da voz do pai
para não se esquecer das necessidades da vida


reencontre o começo


edemir fernandes bagon

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Paraíso



estenda seu espírito sobre  o mar inteiro
e em cada ponto do mundo escreva
sobre a vida das crianças  de bangladesh

decore seu apartamento lindo com as pedras do haiti
e desfile pela av. atlântida seu honda civic pago
inteiramente pelo dinheiro do crack do morro da rua do fim

espere pelo funcionário da eletropaulo cortar a luz do cortiço
e vamos  todos juntos tomar banho de água fria no esgoto
ou numa bacia de plástico jogada na beira do córrego

pague para ver na tv a moça sendo desfigurada
e espere o jornal dizer amanhã tudo o que te revolta
para dormir tranquilamente esperando hoje pelo gol  fantástico do mito
e tenha um feliz domingo na praça


edemir fernandes bagon

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Prenúncio

(Espera ainda pela livre essência do mistério)




Barco sobre o mar igual feito sorriso de menino
Infinito  parte seguindo com a chuva que renasce




(Porque és um nômade em teu  próprio corpo-precipício)




Edemir Fernandes Bagon

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Esclarecimentos





 eu te amo da mesma forma desesperada que um menino chora quando espera pela mãe atrasada na porta da escola


eu te amo da mesma forma desesperada que uma moça fica quando perde seu primeiro namorado

eu te amo da mesma forma que um velho se sente ao encontrar seu álbum de fotografia

eu te amo da mesma forma que um crente ama a Deus

eu te amo da mesma forma que um corrupto do congresso nacional ama o poder

eu te amo da mesma forma que um escritor inventa sua obra

eu te amo da mesma forma da saudade que fica à beira da estrada acenando um adeus

eu te amo da mesma forma que o tempo infinito

eu te amo da mesma forma do amor sublime

eu te amo da mesma forma do ciúme de otelo

eu te amo da mesma forma que o céu se coloca sob o mundo [inteiramente azul]

eu te amo como a semente semeada na terra

eu te amo feito corpo e espírito que amam a própria existência unida em intenção

eu te amo como a história da filosofia e da loucura

eu te amo desesperadamente da mesma forma do princípio ao fim [que não reconheço]



edemir fernandes bagon

Opus Dei


semelhantes somos na imagem da Graça

porém desaparecemos diante dos espelhos,

curiosamente, num contrato de indiferenças




Edemir Fernandes Bagon

domingo, 30 de janeiro de 2011

Sobre o tempo

estranho tempo de voltar
estranho tempo de caminhar ao lado de um espírito
estranho tempo de olhar para o céu repleto de estrelas
estranho tempo de ver o verde campo se  perdendo no mar
estranho tempo da restituição do que se perdeu
estranho tempo de Deus
estranho tempo de amor
estranho tempo do mundo inteiro
estranho tempo de nascer
estranho tempo de ir embora


edemir fernandes bagon

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Janelas

desvia o vento por entre a janela
porque o destino se desprende do tempo

[cada um a seu modo insiste em viver]

desvia o vento por entre a janela
porque  é  a espera o tempo de todo destino.





edemir fernandes bagon

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Germinar


Aqui e ali
Deixaram que tudo de nojento
Viesse e tomasse conta da História

Tomaram por vontade própria o Destino
E acabaram com a beleza que havia no Princípio

E o que veio depois disso?
A hipocrisia.

No entanto,
Nascemos para tocar as estrelas que parecem ficar perto do rio
Nascemos para ler os escritos deixados pelas borboletas.

edemir fernandes bagon

sábado, 25 de dezembro de 2010

Retrato





somos desertos
retração de sentidos
inflação de paixões
desmentidas

téoricas verdades
divertidas
somos sempre pôr-do-sol



edemir fernandes bagon



sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Ocaso

E ele entrou naquele ônibus por acaso. Decidiu sentar-se naquele banco quase que por vontade. Sentiu um vento passa por entre seus dedos, vindo de um vazio do mundo.

Sentiu-se só diante de todas aquelas pessoas que o viram chegar com sua pele escura.Teria o que para fazer de si mesmo? Por instantes se iludira.

Tempo vindo e indo. Gosto triste. Alegria de ser um pouco de tudo no seu traje deselegante. Ia desistindo de sua inexistência em cada parada  da viagem. 

Os segundos se faziam um pouco mais demorados. Quis descer perto do Mercado Municipal, mas acabou seguindo outro destino. Sem ter a consciência de nada,  a tarde passou.

Em um  desejo, imaginara seu corpo dividido: uma parte dormia profundamente, enquanto a outra ficava assim como um pássaro voando sob o mar.

Vinda da rua, uma canção o fez lembrar de uma blusa vermelha. Instante da ausência de si. Seria mais se não fosse sua chegada ao lugar onde novamente sentiria aquele vento por entre seus dedos.

Corpo inteiro unido aos ouvidos e olhos. Havia medo, porém um medo estranho que não permitia a sua voz escandir os versos de sua vida e que desobedecia o paradigma do destino. Com  seus olhos traduzira o mundo e fizera um gesto simples com a mão.

No caminho de volta para casa, sentou-se no mesmo banco de ônibus e procurou em seu olhar aquele instante. Procurou em seu corpo e  na própria vida. Diante de todos... continuava semelhante. E o mundo não lhe causava mais estranheza nenhuma.

Seu mundo e de todos os outros recompostos à alma. Tripartidos e consubstanciados. Rindo da imensidão do acaso.

Reacendeu-lhe a vontade de viver. 
Tempo vindo e indo. Tempo indo e vindo.

De repente, no meio da rua e com uma caixa nas mãos, uma moça de olhos brilhantes (usando uma blusa vermelha) apareceu diante dele e de seus instantes.

Permanecera imóvel em seu riso unido aos olhos. 
E aquela música se fez continuar para sempre em sua saudade.


edemir fernandes bagon

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Medievo

I

feição de moça triste no campo sob o estranho céu de Deus
descida de todos os anjos que espreitavam um canto antigo da memória
num  balaústre delineado no amplo território do espírito

II

bem ao fundo
uma parede branca
com armário embranquecido
e no eterno uma cantiga medieval

III

não ao tempo e ao mistério
morte da angústia e da cegueira
abram-se os montes das oliveiras com as mãos
com as vísceras
com a carne

IV

no espelho do quarto
esteja esperando a vez de partir
fique  esperando a vez de sonhar
com o corpo feito de rosas
com cabelos de flores
com dores nos dentes

V

termina a vida com uma canção nos lábios
seja a partida e o sonho ao mesmo instante
sem repartir nada
deixe dois livros sobre a mesa
cinzas de cigarro pelo chão da casa
reivente um mito grego
em silêncio

VI

feição de moça triste nos campos sob o estranho céu de Deus.




edemir fernandes bagon

Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...