domingo, 26 de junho de 2011

Cristalinas

num segundo descubro a vida
num segundo me encontro
noutro instante me deixo livre
noutra forma me torno simples

 como saudade 
                     como palavras
                                          como  olhos sob o vento
                                                                             como água


Edemir Fernandes Bagon

sexta-feira, 24 de junho de 2011

As quatro operações



seu olhar 
divide meu eu
em tantas partes
que  já não consigo
me remontar

seria  melhor então 
que seus olhos fossem meus
que suas partes fossem minhas

porque eu teria 
assim
dois motivos inventados

pra viver com seu sorriso
pra viver bem ao seu lado
sem que  não fosse dividido 
em um milhão de pedaços.


edemir fernandes bagon

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Para Luíza

se encontraram  por acaso
olharam-se e perceberam as diferenças que seus corpos apresentavam a seus olhos


e seus olhos se entregaram a suas peles 

não importava a vida que tiveram e que não fora compartilhada
não importava  para ambos nada que antes pudesse ter existido

apenas o tempo que se transformava
apenas o tempo grisalho

unidos

tocava-lhe a boca com o gosto de tantos gostos
com a pureza do instante das mãos envelhecidas
recolhidas no silêncio


bocas que se encontraram  por acaso
depois de tanto tempo

renascem
revivem


se descobrem no mundo
com todas as marcas no rosto
com todos os brancos cabelos

como se fossem menino e menina ainda

seguram as mãos juntas
para encontrar a metade de ambos
e caminham ao redor de um  lago
como se aqui estivessem ainda





edemir fernandes bagon

terça-feira, 21 de junho de 2011

Estrangeiro


amor é terra estrangeira
onde a solitude adormece
esperando as horas.

estrangeiro é o destino aos olhos de Deus
que de repente decide migrar  para longe.

[do tempo olhos e lábios]

refugia-se na cidade dos lírios 
e  para os campos  entoa uma canção 



misturando-se com a luz 
libertando-se do medo das razões humanas de querer alguém


amor é terra estrangeira.

edemir fernandes bagon


terça-feira, 14 de junho de 2011

Para Cores da Vida


Em pouco tempo
serei um pássaro sobre o mar-encanto

Em pouco tempo
Os instantes serão imagens azuis no fim dos céus

Em pouco tempo as cores da vida
ficarão nos olhos
dos que sentem
dos que amam
dos que encantam a infância do mundo feito arte de escrever poema

Em pouco tempo as canções serão imagens  puras n'alma
Em pouco tempo



Edemir Fernandes Bagon

domingo, 12 de junho de 2011

Distâncias

carrega a flor para longe dos campos
e deixa para trás toda saudade

e um caminho de volta se assim sonhar

edemir fernandes bagon

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Calles

prefira a liberdade que possa ferir-lhe
a sonhos perfeitos

procure a sombra
e não o lugar errado em que acredita ser pleno e vital

caminhe para trás e descubra a beleza de ser o último
porque será melhor viver sendo  o que o outro sempre desejou

sendo conceito humano e relativo
esqueça a felicidade
esqueça a justiça
esqueça o amor
esqueça a vida

caminhe só pelas ruas do tempo

edemir fernandes bagon

sábado, 28 de maio de 2011

The Way

i prefer to look for my destiny in the ocean
i prefer to lose my body in your eyes
i prefer  simple questions and no answers
'cause i believe in sad dreams and fake smiles

edemir fernandes bagon

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Bird

but i don't know that i can't feel
sometimes i can see my soul in the sky
sometimes i think that you're mine
and the birds fly for me

edemir fernandes bagon

Rewrite

gostaria de  ter novamente  minha maneira de sentir o mundo
e meu  medo de ficar sozinho e  de não saber o caminho de volta pra casa

houve um tempo em que eu não tinha a consciência da existência de fato das coisas
houve um tempo em que eu não tinha a consciência de estar só no mundo tão cheio de palavras

naquele tempo eu apenas brincava de ser um super-herói voando sobre os muros ou sobre as calçadas
naquele tempo eu não sabia do que era feito o mundo
naquele tempo eu sentia medo de ficar sozinho e não saber o caminho de volta pra casa
naquele tempo eu queria viver de verdade apenas por brincadeira

gostaria de voltar no passado apenas pra fazer alguns retoques na minha história
só pra ver no que daria
só pra ver...



edemir fernandes bagon

domingo, 8 de maio de 2011

Gates



caem  folhas no jardim
quase todos os dias
e sempre o vento
as arrasta para longe


caem folhas sobre um rio
e as águas se abrem como nos sonhos dos anjos tristes


caem folhas
caem folhas sob a ponte


edemir fernandes bagon

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Maio de 2011

somos cristãos
comemorando a morte
de um homem
pela ruas de nova iorque


somos cristãos
comemorando a morte
de um homem
nas areias de um deserto
nas mansões de hidrocarboneto


somos cristãos
comemorando a morte
de um homem
com bandeirinhas em nossas mãos


somos cristãos
comemorando a morte
de um homem
com a doce vida dessa justiça humana


somos cristãos
comemorando a morte
de um homem
por suas mortes


somos cristãos
comemorando
a morte da insensibilidade


somos cristãos
comemorando
a loucura hipócrita
de nossos hinos de louvor


somos cristãos
para engolir a areia
e cheirar a pólvora
do nosso orgulho de vingança


somos cristãos
idolatrando a dor
do dinheiro podre
dos senhores do mundo


somos cristãos
caminhando sobre
os outros


somos cristãos inventando touros
amamentados por lobas de nosso imaginário


somos os impérios do passado
somos os símbolos da discórdia


somos humanos? somos a verdade,
o caminho e a fé?
somos cristos ou fingimos?


somos cristãos esperando pela morte
dos inimigos?




queremos a face tridimensional e o perdão de Deus.
queremos.


mas de repente encontramos na tv a alegria da vingança
a justiça da injustiça
a morte sem um júri
o olho pelo dente
sem que venhamos a  oferecer o outro lado de nossas faces


somos cristãos?




edemir fernandes bagon

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Ser


sabe aquela saudade que a gente sente  e fica sem ter para onde ir com a alma
e, por esse motivo, caminha sem direção ou intenção de chegar a nenhum lugar

sabe aquela saudade de um momento que a gente pensava  que não iria acabar nunca


o primeiro dia na escola
o medo da professora Maria
o medo de andar sozinho na rua pra voltar pra casa

dos amigos estranhos da sala de aula
daqueles que a gente sequer hoje se recorda do nome
mas que os traços dos rostos ficaram assim na memória 
como uma fotografia bem antiga guardada 

(daquelas nas quais ficam alguns sentados e outros em pé ou aquelas em que a gente aparece com um sorrisinho torto de braços cruzados sobre uma mesinha com uma bandeirinha do Brasil ao fundo e uma corujinha de óculos segurando um livro)

sabe aquela saudade que a gente sente quando ainda vê do circular uma paixão da adolescência andando pela rua...

sabe aquela saudade do primeiro encontro
                                     da primeira viagem pelos cantos da estação
                                     da primeira vez que se viu sozinho e livre
                                     do primeiro tempo em que os sonhos faziam
                                     sentido
                                     das conversas demoradas na porta de casa
                                     da mãe gritando o nome da gente na rua

sabe dessa saudade que não acaba nunca?


edemir fernandes bagon








domingo, 1 de maio de 2011

Entrada


se esperar por muito tempo  para encontrar o Amor
aguarde o entardecer para falar com Deus
espere anoitecer para sentir saudade 
 escreva versos nos portões das casas


 esqueça o corpo sobre o mar da infância
 longe voe para tocar no 
Eterno



edemir fernandes bagon

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Silêncios

te dou  uma rosa para mostrar o que tenho no espírito
e te escrevo centenas de versos para  que na minha vida possas continuar seguindo
embora eu  saiba que nem mesmo as palavras poderão te encontrar
 enquanto  estiver no mundo

te procuro de longe sob os céus e os mares

te procuro


a cada sentido teu
eu entrego os meus olhos
com as mãos estendidas e um gosto enterrado no presente


te levo para o lado mais puro de mim tirado
e seguro nos dedos todas as coisas inacabadas
te toco os lábios para calar-me diante do mundo
e traduzo  teu silêncio em tudo o que sou
em tudo


edemir fernandes bagon

sábado, 16 de abril de 2011

Distâncias



 se  eu encontrasse  seus olhos
               
eu iria embora do mundo


edemir fernandes bagon

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A Casa Materna

do outro lado da rua
olhei com ternura a casa da minha mãe


e  me vi menino ainda

pensei  que fosse  sentir com muito mais intensidade
estranho é que não

[de resto a vida seguiu em frente]

tanto o tempo quanto o esquecimento 
me desenharam o corpo
me reordenaram o espírito

mesmo que se queira
mesmo que seja recriado o tempo
mesmo que se inunde de pecado
mesmo...

olhei ainda com ternura
para tentar amar verdadeiramente
         compreender a mim mesmo
         entender minhas ausências na vida inteira
para deixar de ser  um órfão da hipocrisia

para não fugir daquilo que sou

olhei com ternura a casa materna para viver

para reviver
para renascer
para reconhecer o amor

edemir fernandes bagon

sábado, 9 de abril de 2011

Encanto



 esperar é o princípio de toda a vida
 mas é tão difícil te ver de tão longe
 que eu já não quero mais viver


edemir fernandes bagon

terça-feira, 5 de abril de 2011

Simbiose

fica perto de mim
quando estiver triste
fica perto de mim
quando estiver sorrindo
fica perto de mim

fica perto de mim
para me levantar
fica perto de mim
se as estrelas caírem
fica perto de mim
quando eu cantar

fica perto de mim
se me sentir pequeno
fica perto de mim
quando eu estiver ausente
fica perto de mim
para eu colher as flores

fica perto de mim
se eu te beijar
fica perto de mim
para me ver vivendo
fica perto de mim
como horinzonte e mar












edemir fernandes bagon

quinta-feira, 31 de março de 2011

Pelagianos

Viver:

processo dialético
ou jogo de aparências?

 (manipulação das novas exigências do amor humano)
ser...


edemir fernandes bagon

Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...