não se compreende a natureza dos homens
ora as aparências são mais relevantes
ora as idéias se tornam ridículas
em certos momentos a lucidez representa o ódio
e a fé se revela profana como se estivesse no palco
de um teatro pornô
a mistura de uma hipocrisia quase invisível com a arrogância imbecil dos intolerantes
colorindo os sorrisos podres dos que falam em nome do Nada
não se compreende a natureza humana
porque esta entrega o próprio sangue
porque esta engole os próprios filhos
e se lança no meio do medo e da guerra
não são compreendidos os silêncios da vida (?)
porque homens são gritos que não aceitam a beleza do mundo
edemir fernandes bagon
Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
terça-feira, 19 de julho de 2011
Lago
por enquanto
fico à beira do tempo
para ver os pássaros silenciosos
e para desenhar sonhos
por enquanto
permaneço à margem de um lago cristalino
edemir fernandes bagon
terça-feira, 12 de julho de 2011
Estupidez
Mariana saiu de casa bem cedo.
Filhos na creche.
Amigas do trabalho.
Refeitório.
Clientes do mercado.
Retorno para casa.
Comida para as crianças.
Jornal Nacional.
Portas trancadas.
Mariana não esperava que uma das portas se abrisse.
Um soco no rosto.
Sangue no corpo.

Disparos.
Ela não esperava ficar paraplégica e que o ex-marido fugisse impunemente.
edemir fernandes bagon
domingo, 10 de julho de 2011
Poeira
Todo final devia ser
Em silêncio
Feito prece
Árvore cortada
Água em fotografia
Poeira que entra pela janela
edemir fernandes bagon
terça-feira, 5 de julho de 2011
Folhas
o que nos corrompe?
não sei dizer...
mas a vida existe assim
ora um desejo de seguir em frente
ora um cansaço de querer
perder-se como folha na terra.
edemir fernandes bagon
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Completo
eu me sinto assim quando te vejo:
um encontro entre o mar e o céu
um papel rasgado bem no algarismo
que completa o número da senha
eu me sinto assim quando te vejo:
completo
edemir fernandes bagon
domingo, 26 de junho de 2011
Cristalinas
num segundo descubro a vida
num segundo me encontro
noutro instante me deixo livre
noutra forma me torno simples
como saudade
como água
Edemir Fernandes Bagon
num segundo me encontro
noutro instante me deixo livre
noutra forma me torno simples
como saudade
como palavras
como olhos sob o ventocomo água
Edemir Fernandes Bagon
sexta-feira, 24 de junho de 2011
As quatro operações
seu olhar
divide meu eu
em tantas partes
que já não consigo
me remontar
seria melhor então
que seus olhos fossem meus
que suas partes fossem minhas
porque eu teria
assim
dois motivos inventados
pra viver com seu sorriso
pra viver bem ao seu lado
sem que não fosse dividido
em um milhão de pedaços.
edemir fernandes bagon
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Para Luíza
se encontraram por acaso
olharam-se e perceberam as diferenças que seus corpos apresentavam a seus olhos
e seus olhos se entregaram a suas peles
não importava a vida que tiveram e que não fora compartilhada
não importava para ambos nada que antes pudesse ter existido
apenas o tempo que se transformava
apenas o tempo grisalho
unidos
tocava-lhe a boca com o gosto de tantos gostos
com a pureza do instante das mãos envelhecidas
recolhidas no silêncio
bocas que se encontraram por acaso
depois de tanto tempo
renascem
revivem
se descobrem no mundo
com todas as marcas no rosto
com todos os brancos cabelos
como se fossem menino e menina ainda
seguram as mãos juntas
para encontrar a metade de ambos
e caminham ao redor de um lago
como se aqui estivessem ainda
edemir fernandes bagon
olharam-se e perceberam as diferenças que seus corpos apresentavam a seus olhos
e seus olhos se entregaram a suas peles
não importava a vida que tiveram e que não fora compartilhada
não importava para ambos nada que antes pudesse ter existido
apenas o tempo que se transformava
apenas o tempo grisalho
unidos
tocava-lhe a boca com o gosto de tantos gostos
com a pureza do instante das mãos envelhecidas
recolhidas no silêncio
bocas que se encontraram por acaso
depois de tanto tempo
renascem
revivem
se descobrem no mundo
com todas as marcas no rosto
com todos os brancos cabelos
como se fossem menino e menina ainda
seguram as mãos juntas
para encontrar a metade de ambos
e caminham ao redor de um lago
como se aqui estivessem ainda
edemir fernandes bagon
terça-feira, 21 de junho de 2011
Estrangeiro
amor é terra estrangeira
onde a solitude adormece
esperando as horas.
estrangeiro é o destino aos olhos de Deus
que de repente decide migrar para longe.
[do tempo olhos e lábios]
refugia-se na cidade dos lírios
e para os campos entoa uma canção
misturando-se com a luz
libertando-se do medo das razões humanas de querer alguém
amor é terra estrangeira.
edemir fernandes bagon
terça-feira, 14 de junho de 2011
Para Cores da Vida
Em pouco tempo
serei um pássaro sobre o mar-encanto
Em pouco tempo
Os instantes serão imagens azuis no fim dos céus
Em pouco tempo as cores da vida
ficarão nos olhos
dos que sentem
dos que amam
dos que encantam a infância do mundo feito arte de escrever poema
Em pouco tempo as canções serão imagens puras n'alma
Em pouco tempo
Edemir Fernandes Bagon
domingo, 12 de junho de 2011
Distâncias
carrega a flor para longe dos campos
e deixa para trás toda saudade
e um caminho de volta se assim sonhar
edemir fernandes bagon
e deixa para trás toda saudade
e um caminho de volta se assim sonhar
edemir fernandes bagon
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Calles
prefira a liberdade que possa ferir-lhe
a sonhos perfeitos
procure a sombra
e não o lugar errado em que acredita ser pleno e vital
caminhe para trás e descubra a beleza de ser o último
porque será melhor viver sendo o que o outro sempre desejou
sendo conceito humano e relativo
esqueça a felicidade
esqueça a justiça
esqueça o amor
esqueça a vida
caminhe só pelas ruas do tempo
edemir fernandes bagon
a sonhos perfeitos
procure a sombra
e não o lugar errado em que acredita ser pleno e vital
caminhe para trás e descubra a beleza de ser o último
porque será melhor viver sendo o que o outro sempre desejou
sendo conceito humano e relativo
esqueça a felicidade
esqueça a justiça
esqueça o amor
esqueça a vida
caminhe só pelas ruas do tempo
edemir fernandes bagon
sábado, 28 de maio de 2011
The Way
i prefer to look for my destiny in the ocean
i prefer to lose my body in your eyes
i prefer simple questions and no answers
'cause i believe in sad dreams and fake smiles
edemir fernandes bagon
i prefer to lose my body in your eyes
i prefer simple questions and no answers
'cause i believe in sad dreams and fake smiles
edemir fernandes bagon
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Bird
but i don't know that i can't feel
sometimes i can see my soul in the sky
sometimes i think that you're mine
and the birds fly for me
edemir fernandes bagon
sometimes i can see my soul in the sky
sometimes i think that you're mine
and the birds fly for me
edemir fernandes bagon
Rewrite
gostaria de ter novamente minha maneira de sentir o mundo
e meu medo de ficar sozinho e de não saber o caminho de volta pra casa
houve um tempo em que eu não tinha a consciência da existência de fato das coisas
houve um tempo em que eu não tinha a consciência de estar só no mundo tão cheio de palavras
naquele tempo eu apenas brincava de ser um super-herói voando sobre os muros ou sobre as calçadas
naquele tempo eu não sabia do que era feito o mundo
naquele tempo eu sentia medo de ficar sozinho e não saber o caminho de volta pra casa
naquele tempo eu queria viver de verdade apenas por brincadeira
gostaria de voltar no passado apenas pra fazer alguns retoques na minha história
só pra ver no que daria
só pra ver...
edemir fernandes bagon
e meu medo de ficar sozinho e de não saber o caminho de volta pra casa
houve um tempo em que eu não tinha a consciência da existência de fato das coisas
houve um tempo em que eu não tinha a consciência de estar só no mundo tão cheio de palavras
naquele tempo eu apenas brincava de ser um super-herói voando sobre os muros ou sobre as calçadas
naquele tempo eu não sabia do que era feito o mundo
naquele tempo eu sentia medo de ficar sozinho e não saber o caminho de volta pra casa
naquele tempo eu queria viver de verdade apenas por brincadeira
gostaria de voltar no passado apenas pra fazer alguns retoques na minha história
só pra ver no que daria
só pra ver...
edemir fernandes bagon
domingo, 8 de maio de 2011
Gates
caem folhas no jardim
quase todos os dias
e sempre o vento
as arrasta para longe
caem folhas sobre um rio
e as águas se abrem como nos sonhos dos anjos tristes
caem folhas
caem folhas sob a ponte
edemir fernandes bagon
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Maio de 2011
somos cristãos
comemorando a morte
de um homem
pela ruas de nova iorque
somos cristãos
comemorando a morte
de um homem
nas areias de um deserto
nas mansões de hidrocarboneto
somos cristãos
comemorando a morte
de um homem
com bandeirinhas em nossas mãos
somos cristãos
comemorando a morte
de um homem
com a doce vida dessa justiça humana
somos cristãos
comemorando a morte
de um homem
por suas mortes
somos cristãos
comemorando
a morte da insensibilidade
somos cristãos
comemorando
a loucura hipócrita
de nossos hinos de louvor
somos cristãos
para engolir a areia
e cheirar a pólvora
do nosso orgulho de vingança
somos cristãos
idolatrando a dor
do dinheiro podre
dos senhores do mundo
somos cristãos
caminhando sobre
os outros
somos cristãos inventando touros
amamentados por lobas de nosso imaginário
somos os impérios do passado
somos os símbolos da discórdia
somos humanos? somos a verdade,
o caminho e a fé?
somos cristos ou fingimos?
somos cristãos esperando pela morte
dos inimigos?
queremos a face tridimensional e o perdão de Deus.
queremos.
mas de repente encontramos na tv a alegria da vingança
a justiça da injustiça
a morte sem um júri
o olho pelo dente
sem que venhamos a oferecer o outro lado de nossas faces
somos cristãos?
edemir fernandes bagon
comemorando a morte
de um homem
pela ruas de nova iorque
somos cristãos
comemorando a morte
de um homem
nas areias de um deserto
nas mansões de hidrocarboneto
somos cristãos
comemorando a morte
de um homem
com bandeirinhas em nossas mãos
somos cristãos
comemorando a morte
de um homem
com a doce vida dessa justiça humana
somos cristãos
comemorando a morte
de um homem
por suas mortes
somos cristãos
comemorando
a morte da insensibilidade
somos cristãos
comemorando
a loucura hipócrita
de nossos hinos de louvor
somos cristãos
para engolir a areia
e cheirar a pólvora
do nosso orgulho de vingança
somos cristãos
idolatrando a dor
do dinheiro podre
dos senhores do mundo
somos cristãos
caminhando sobre
os outros
somos cristãos inventando touros
amamentados por lobas de nosso imaginário
somos os impérios do passado
somos os símbolos da discórdia
somos humanos? somos a verdade,
o caminho e a fé?
somos cristos ou fingimos?
somos cristãos esperando pela morte
dos inimigos?
queremos a face tridimensional e o perdão de Deus.
queremos.
mas de repente encontramos na tv a alegria da vingança
a justiça da injustiça
a morte sem um júri
o olho pelo dente
sem que venhamos a oferecer o outro lado de nossas faces
somos cristãos?
edemir fernandes bagon
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Ser
sabe aquela saudade que a gente sente e fica sem ter para onde ir com a alma
e, por esse motivo, caminha sem direção ou intenção de chegar a nenhum lugar
sabe aquela saudade de um momento que a gente pensava que não iria acabar nunca
o primeiro dia na escola
o medo da professora Maria
o medo de andar sozinho na rua pra voltar pra casa
dos amigos estranhos da sala de aula
daqueles que a gente sequer hoje se recorda do nome
mas que os traços dos rostos ficaram assim na memória
como uma fotografia bem antiga guardada
(daquelas nas quais ficam alguns sentados e outros em pé ou aquelas em que a gente aparece com um sorrisinho torto de braços cruzados sobre uma mesinha com uma bandeirinha do Brasil ao fundo e uma corujinha de óculos segurando um livro)
sabe aquela saudade que a gente sente quando ainda vê do circular uma paixão da adolescência andando pela rua...
sabe aquela saudade do primeiro encontro
da primeira viagem pelos cantos da estação
da primeira vez que se viu sozinho e livre
do primeiro tempo em que os sonhos faziam
sentido
das conversas demoradas na porta de casa
da mãe gritando o nome da gente na rua
sabe dessa saudade que não acaba nunca?
edemir fernandes bagon
domingo, 1 de maio de 2011
Entrada
se esperar por muito tempo para encontrar o Amor
aguarde o entardecer para falar com Deus
espere anoitecer para sentir saudade
escreva versos nos portões das casas
esqueça o corpo sobre o mar da infância
longe voe para tocar no
Eterno
edemir fernandes bagon
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The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...
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Edemir Fernandes Bagon [1] Resumo : O objetivo deste artigo é discutir o processo de construção do conto “A solução”, de Clari...
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O tempo nomeia o medo das coisas. Não há distanciamentos destinados por encantos humanizados. Tudo é temporariamente um nome. E...

