segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Pedras raras no deserto

os olhos encontram a alma num beijo
os sonhos veem a vida na parte do corpo onde nascem as palavras

me esqueço no tempo
me enlaço no medo de te perder

me faço perfeito em  teu colo
teu espírito vivifica meus lábios

tocamos Deus sem entender que amamos


Edemir Fernandes Bagon


By Renato Guedes.  Sketch: Kiss.
(Disponível em: 
https://www.facebook.com/RENATOGUEDES.art/?fref=nf)



sábado, 9 de janeiro de 2016

Vira-mundo


A vida dos homens e os seus desencantos pela história dos outros
Um exército de solitários (em busca de si mesmo) invadindo uma fortaleza protegida nos campos de Deus

Hipocrisia sobre versos antigos delineiam os desejos viciados
Os ritos multiplicados em unidades expostas em martírio
Velhice dos olhos que vislumbram a cegueira dos egos

Restos deixados pelas guerras inventadas em nome dos santos
Cor de vingança nas mãos

Nenhuma palavra sábia será ouvida no barulho do silêncio


Edemir Fernandes Bagon











domingo, 3 de janeiro de 2016

Clarim

Quis erguer os olhos para bem longe.
Longe dos olhos dos outros. 
Teria fugido do tempo se pudesse. 
O corpo inteiro definhava sobre a cama.
Estendia as mãos para tocar os olhos. 
A alma enxergava tudo?
O passado condenava a própria dor? 
Era um pequeno espaço a caminhar para chegar ao banheiro. 
A janela de madeira aberta e o quintal, lá fora, esperavam a madrugada chegar sem as estrelas. 
A pele seca colocada no osso.
A boca entorpecida de morfina.
Os clarins do céu  soavam. 
Veio um grito estridente do final da rua. 
Os meninos jogavam bola ainda. 
Alguns carros passavam. 
Havia do outro lado um rio cinza com margens cheias de ratos.
Uma fábrica de blocos. 
Um espasmo. 
O portão que não se abria nunca. 
No lado direito da cama, no quarto, pés miúdos se levantaram e  tocaram o chão. 
A porta do banheiro amarelo foi aberta.
A torneira do lavabo, também. 
Outra tosse.
Outra. 
Quis segurar o espírito que jorrava sangue.
Quis ter o perdão do corpo. 

Edemir Fernandes Bagon




domingo, 27 de dezembro de 2015

Que você saiba

que a tarde encontre a saudade sem ver o tempo
que o silêncio deixe em paz o espírito perdido
que o acaso invente histórias sem finais esperados

(agora e para sempre)


Edemir Fernandes Bagon

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Front

a gente viu
que o fim 'tava tão perto

que decidiu ficar bem longe
um do outro


Edemir Fernandes Bagon

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Memórias


Minha vida desenhada no mar

As pedras redescobrem as formas

Ver a beleza do caminho  


[Preciso da vida, porque preciso falar da linguagem do amor]


Edemir Fernandes Bagon

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Os tolos

os tolos acreditam ser tão mais capazes e competentes que a maioria dos mais simples
fazem seus salões de festas com a bondade dos mais pobres
recriam flores e altares
transformam os sonhos e as canções de amor
em contas bancárias

os tolos acreditam ser mais fantásticos que a descoberta do sentido da vida
acreditam ser mais vitoriosos que a própria beleza da linguagem
mais sábios que o silêncio de Deus
mais importantes que a igualdade

os tolos reabrem as portas sem as chaves
e esquecem dos outros
pensando ser invencíveis

os tolos não perdoam o seu próprio egoísmo
e caminham altivos sem conhecerem o fim de seus vícios

seus olhos enganam
seus gestos traem e professam mentiras

caminham e semeiam espinhos nos campos dos cegos
rezando  em nome de suas ambições
para serem Quasímodo



Edemir Fernandes Bagon

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Outrora

Vim ao mundo me encontrar no silêncio das palavras
Vim ao mundo ser seus olhos para ter a minha vida

Vim ao mundo ver de longe as nascentes escondidas sob o mar
Vim ser e conhecer o que há dentro da saudade

Vim ao mundo me entregar em cinzas
Vim deixar minhas partes esquecidas nas encostas das montanhas

Vim ao mundo com os sentidos inventados pelos sonhos
Vim ao mundo me encontrar nos intervalos do que eu sou agora


Edemir Fernandes Bagon





terça-feira, 10 de novembro de 2015

Coliseu

existem caminhos ou apenas um?

imundo é o mundo que nasce  feito de histórias antigas

entregar-se a quem? perder-se em qual realidade?
conhecer a vida e seus sentidos em nome de palavras insanas

sentimentos? importam ?
verdades?

exceções do agora...

o céu é um eu errante sob o deserto
os olhos testemunham ainda o tempo dos homens

o tempo escrevendo leis nas paredes e pedras



Edemir Fernandes Bagon





(Grande Coliseu, Roma, Itália. foto preto e branco — Fotos por elenaburn)

domingo, 8 de novembro de 2015

Simbolismo

O Amor  fala em versos livres
o que os homens não entendem


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Edemir Fernandes Bagon





terça-feira, 3 de novembro de 2015

Descobrimentos II

redescobrir
o mar e o mundo em mim

atravessar o silêncio agarrado nas palavras ocultas

cair com as folhas do tempo em todos os cantos do que sou

enquanto houver vida
enquanto houver amor
enquanto houver

meu destino meus olhos dirão


Edemir Fernandes Bagon

sábado, 31 de outubro de 2015

Agradecimentos

Chegamos à marca de 50.000 visualizações!

O blog Amanhecer no Horizonte surgiu em razão da insistência de um grande amigo e também autor de versos e prosa geniais: Daniel Braym. Gostaria de agradecê-lo por realizar minha inscrição bem como ter idealizado uma frase fantástica para meu perfil na plataforma Blogger ( "Amante do tempo e dos temporais"). Além disso,  gratidão  por me convencer que  utilização das tecnologias digitais em favor da poesia "era o novo caminho a ser trilhado".

Eu também não poderia deixar de falar da renomada poetisa Lou Witt,  haja vista sua imensurável contribuição através de críticas construtivas  sobre meus poemas publicados neste ambiente virtual.

À Letícia Duns, autora do blog Descobrindo Um Novo Ser, meus sinceros e eternos agradecimentos  pelos seus primeiros comentários postados em 2009 (o tempo passa depressa demais!).

Aos leitores e seguidores, obrigado 50.000 vezes!

A poesia liberta!


(Amanhecer no Horizonte - Gráfico de page views 50003 visualizações)



Edemir Fernandes Bagon

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Fac-símile



o que sinto
é verdadeiramente esse descontentamento 
entre a vontade de ter sido o que nunca fui
e o desespero de ter-me tornado um fac-símile 

por onde vou 
me encontro em partes
e a cada desencontro
deixo que meus olhos inventem  ou reinventem os sentidos da vida

minha ausência vai assim escrevendo cartas anônimas 

minhas horas vão depois perdendo as forças 
esperando o eterno que não vem
meus escombros são jogados no mundo 
porque pouco é o tempo de voltar 

minhas mãos procuram tocar o que o céu esconde


Edemir Fernandes Bagon


sábado, 17 de outubro de 2015

Regresso

como se o tempo fosse o mar
como se a vida fosse um regresso
como se a pele fosse uma escrita

como se o céu fosse um espelho
como se os olhos fossem sinais

como se o desespero fosse um caminho
como se o que foi vivido não viesse mais


como se lido me encontrasse a paz

como se todas as letras escritas fossem em minha alma


(todos os dias caem folhas de uma  árvore no meu quintal, cheias de palavras que não entendo)


Edemir Fernandes Bagon





(Pela Silverman - Ref. NBL101274)




sábado, 3 de outubro de 2015

Inconfidência

janelas abertas no céu sem-fim
esquecidos olhos perto da areia

vence o mar o desconhecido

o que vem depois das horas
o que espera antes o destino

amor escrito em sementes - castiçais
                                             escolhidos para serem portas

a cor do vestido despindo o espírito
a pele clara iluminando os dias

um gosto de chuva nos cabelos
lábios com versos em prosa

as mãos seguram os sonhos como  ofertas e dízimos

querer é um ato subversivo
amar é uma inconfidência corpórea



Edemir Fernandes Bagon



(Quadro de Renato Guedes)




Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...