eu encontrei algumas palavras escritas por você
num livro que li quando tinha 27 anos
quis corrigir seu texto
colocar um ponto final naquela frase...
mas percebi que não havia razão
e que a vida também é assim
e que não existem motivos para pensar em regras
pois somos inconstantes
não se esquece a palavra escrita deixada para sempre
nem mesmo os olhos castanhos
claramente o destino é da cor do céu
eu quis completar sua frase e resisti
passei a folhear o livro
pulando a página em que escreveu
para não te ver mais na minha vida
edemir fernandes bagon
Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
domingo, 25 de setembro de 2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Pontinhos
saudade é assim livre
mar entrando no céu...
coisas que a vida traz
uma oração para Deus
assim
superfície do mar
vento tocando o barco
caminhos que se encontram
saudade é uma doação do tempo aos olhos
de quem descobre a cada instante
que a vida se preenche com pontinhos iguais na forma
se não consigo dormir é porque me perco na imensa saudade do que sinto
[até mesmo nos sonhos]
edemir fernandes bagon
mar entrando no céu...
coisas que a vida traz
uma oração para Deus
assim
superfície do mar
vento tocando o barco
caminhos que se encontram
saudade é uma doação do tempo aos olhos
de quem descobre a cada instante
que a vida se preenche com pontinhos iguais na forma
se não consigo dormir é porque me perco na imensa saudade do que sinto
[até mesmo nos sonhos]
edemir fernandes bagon
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Falling
renuncio a meu corpo
para em segundos ser
talvez livre talvez pleno
como um sol no entardecer]
como um filho vindo imundo ao mundo]
em silêncio as paredes me olham
como Adamastor tocado pelas águas
em silêncio eu me julgarei
como um verso de despedida procurando paz
serei Aquiles?
serei um anjo novo caído?
serei espaço em tempo finito?
serei saudade?
serei vingança?
entregarei minhas partes a cada continente
e cuspirei no chão todo o sangue das veias
misturado aos escombros
guardado nos manicômios
dentro dos úteros perdidos
renuncio a meu corpo
porque ainda quero viver
edemir fernandes bagon
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Percursos
se nada fizer sentido
nisso tudo...
ainda assim serei livre
porque me procuro
não no outro
mas nas possibilidades de ser o que estou sendo
não pela metade
não
me procuro para ser o que estou sendo
em forma de sentimentos
para dialogar com minha vontade
escolhi o mar para ser o que estou sendo
para viver pleno em todos os cantos do mundo
seria perfeitamente possível não ser nada disso
mas sempre os olhos querem
sempre outros olhos
edemir fernandes bagon
nisso tudo...
ainda assim serei livre
porque me procuro
não no outro
mas nas possibilidades de ser o que estou sendo
não pela metade
não
me procuro para ser o que estou sendo
em forma de sentimentos
para dialogar com minha vontade
escolhi o mar para ser o que estou sendo
para viver pleno em todos os cantos do mundo
seria perfeitamente possível não ser nada disso
mas sempre os olhos querem
sempre outros olhos
edemir fernandes bagon
terça-feira, 23 de agosto de 2011
As Noites
tem dias que a vida se apresenta assim como um verso ausente
tem dias que é melhor não ouvir nada apenas para sentir saudade
tem dias que me esqueço de tanto pensar na vida
porque sua imagem insiste tanto em ficar na presença do meu coração
tem dias que me levo pelos segundos
pois não me sinto seguro no mundo
tem dias que tudo é fração
que tudo é imaginado
Mas tem dias que te beijo só em pensar
que me escondo pra te achar
bem perto dos meus sonhos
como luz dentro do quarto
Tem dias que meu espírito te quer sempre.
edemir fernandes bagon
domingo, 14 de agosto de 2011
Pueri Domus
é como andar
em todo canto
à procura de Deus
quase sempre me perco
quase sempre
edemir fernandes bagon
em todo canto
à procura de Deus
quase sempre me perco
quase sempre
edemir fernandes bagon
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Canção de Agosto
retira as aparências
corta as veias do teu orgulho
liberta-te da vaidade e compreenda meu silêncio
siga pela orla
com saudade daquilo que jamais tivera
procura sempre os olhos de quem ama sem egoísmo nenhum
desfaça-te de todos os teus ornamentos
procura ser apenas
desprovido de sentidos
para não ser interpretado como as estrelas
cartas de amor
os julgados pela intolerância
canção francesa
seja um poema na vida de quem jamais se encontrou com Deus
seja uma letra carregada sobre as notas musicais
deixa teus cabelos ao vento
apenas...
apenas para eu me lembrar do final daquelas tardes de agosto
seja eu levado para o céu pela cor dos teus olhos
que o mar venha em mim como um beijo teu
edemir fernandes bagon
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Para Noruega
não se compreende a natureza dos homens
ora as aparências são mais relevantes
ora as idéias se tornam ridículas
em certos momentos a lucidez representa o ódio
e a fé se revela profana como se estivesse no palco
de um teatro pornô
a mistura de uma hipocrisia quase invisível com a arrogância imbecil dos intolerantes
colorindo os sorrisos podres dos que falam em nome do Nada
não se compreende a natureza humana
porque esta entrega o próprio sangue
porque esta engole os próprios filhos
e se lança no meio do medo e da guerra
não são compreendidos os silêncios da vida (?)
porque homens são gritos que não aceitam a beleza do mundo
edemir fernandes bagon
ora as aparências são mais relevantes
ora as idéias se tornam ridículas
em certos momentos a lucidez representa o ódio
e a fé se revela profana como se estivesse no palco
de um teatro pornô
a mistura de uma hipocrisia quase invisível com a arrogância imbecil dos intolerantes
colorindo os sorrisos podres dos que falam em nome do Nada
não se compreende a natureza humana
porque esta entrega o próprio sangue
porque esta engole os próprios filhos
e se lança no meio do medo e da guerra
não são compreendidos os silêncios da vida (?)
porque homens são gritos que não aceitam a beleza do mundo
edemir fernandes bagon
terça-feira, 19 de julho de 2011
Lago
por enquanto
fico à beira do tempo
para ver os pássaros silenciosos
e para desenhar sonhos
por enquanto
permaneço à margem de um lago cristalino
edemir fernandes bagon
terça-feira, 12 de julho de 2011
Estupidez
Mariana saiu de casa bem cedo.
Filhos na creche.
Amigas do trabalho.
Refeitório.
Clientes do mercado.
Retorno para casa.
Comida para as crianças.
Jornal Nacional.
Portas trancadas.
Mariana não esperava que uma das portas se abrisse.
Um soco no rosto.
Sangue no corpo.

Disparos.
Ela não esperava ficar paraplégica e que o ex-marido fugisse impunemente.
edemir fernandes bagon
domingo, 10 de julho de 2011
Poeira
Todo final devia ser
Em silêncio
Feito prece
Árvore cortada
Água em fotografia
Poeira que entra pela janela
edemir fernandes bagon
terça-feira, 5 de julho de 2011
Folhas
o que nos corrompe?
não sei dizer...
mas a vida existe assim
ora um desejo de seguir em frente
ora um cansaço de querer
perder-se como folha na terra.
edemir fernandes bagon
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Completo
eu me sinto assim quando te vejo:
um encontro entre o mar e o céu
um papel rasgado bem no algarismo
que completa o número da senha
eu me sinto assim quando te vejo:
completo
edemir fernandes bagon
domingo, 26 de junho de 2011
Cristalinas
num segundo descubro a vida
num segundo me encontro
noutro instante me deixo livre
noutra forma me torno simples
como saudade
como água
Edemir Fernandes Bagon
num segundo me encontro
noutro instante me deixo livre
noutra forma me torno simples
como saudade
como palavras
como olhos sob o ventocomo água
Edemir Fernandes Bagon
sexta-feira, 24 de junho de 2011
As quatro operações
seu olhar
divide meu eu
em tantas partes
que já não consigo
me remontar
seria melhor então
que seus olhos fossem meus
que suas partes fossem minhas
porque eu teria
assim
dois motivos inventados
pra viver com seu sorriso
pra viver bem ao seu lado
sem que não fosse dividido
em um milhão de pedaços.
edemir fernandes bagon
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Para Luíza
se encontraram por acaso
olharam-se e perceberam as diferenças que seus corpos apresentavam a seus olhos
e seus olhos se entregaram a suas peles
não importava a vida que tiveram e que não fora compartilhada
não importava para ambos nada que antes pudesse ter existido
apenas o tempo que se transformava
apenas o tempo grisalho
unidos
tocava-lhe a boca com o gosto de tantos gostos
com a pureza do instante das mãos envelhecidas
recolhidas no silêncio
bocas que se encontraram por acaso
depois de tanto tempo
renascem
revivem
se descobrem no mundo
com todas as marcas no rosto
com todos os brancos cabelos
como se fossem menino e menina ainda
seguram as mãos juntas
para encontrar a metade de ambos
e caminham ao redor de um lago
como se aqui estivessem ainda
edemir fernandes bagon
olharam-se e perceberam as diferenças que seus corpos apresentavam a seus olhos
e seus olhos se entregaram a suas peles
não importava a vida que tiveram e que não fora compartilhada
não importava para ambos nada que antes pudesse ter existido
apenas o tempo que se transformava
apenas o tempo grisalho
unidos
tocava-lhe a boca com o gosto de tantos gostos
com a pureza do instante das mãos envelhecidas
recolhidas no silêncio
bocas que se encontraram por acaso
depois de tanto tempo
renascem
revivem
se descobrem no mundo
com todas as marcas no rosto
com todos os brancos cabelos
como se fossem menino e menina ainda
seguram as mãos juntas
para encontrar a metade de ambos
e caminham ao redor de um lago
como se aqui estivessem ainda
edemir fernandes bagon
terça-feira, 21 de junho de 2011
Estrangeiro
amor é terra estrangeira
onde a solitude adormece
esperando as horas.
estrangeiro é o destino aos olhos de Deus
que de repente decide migrar para longe.
[do tempo olhos e lábios]
refugia-se na cidade dos lírios
e para os campos entoa uma canção
misturando-se com a luz
libertando-se do medo das razões humanas de querer alguém
amor é terra estrangeira.
edemir fernandes bagon
terça-feira, 14 de junho de 2011
Para Cores da Vida
Em pouco tempo
serei um pássaro sobre o mar-encanto
Em pouco tempo
Os instantes serão imagens azuis no fim dos céus
Em pouco tempo as cores da vida
ficarão nos olhos
dos que sentem
dos que amam
dos que encantam a infância do mundo feito arte de escrever poema
Em pouco tempo as canções serão imagens puras n'alma
Em pouco tempo
Edemir Fernandes Bagon
domingo, 12 de junho de 2011
Distâncias
carrega a flor para longe dos campos
e deixa para trás toda saudade
e um caminho de volta se assim sonhar
edemir fernandes bagon
e deixa para trás toda saudade
e um caminho de volta se assim sonhar
edemir fernandes bagon
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Calles
prefira a liberdade que possa ferir-lhe
a sonhos perfeitos
procure a sombra
e não o lugar errado em que acredita ser pleno e vital
caminhe para trás e descubra a beleza de ser o último
porque será melhor viver sendo o que o outro sempre desejou
sendo conceito humano e relativo
esqueça a felicidade
esqueça a justiça
esqueça o amor
esqueça a vida
caminhe só pelas ruas do tempo
edemir fernandes bagon
a sonhos perfeitos
procure a sombra
e não o lugar errado em que acredita ser pleno e vital
caminhe para trás e descubra a beleza de ser o último
porque será melhor viver sendo o que o outro sempre desejou
sendo conceito humano e relativo
esqueça a felicidade
esqueça a justiça
esqueça o amor
esqueça a vida
caminhe só pelas ruas do tempo
edemir fernandes bagon
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