domingo, 27 de dezembro de 2015

Que você saiba

que a tarde encontre a saudade sem ver o tempo
que o silêncio deixe em paz o espírito perdido
que o acaso invente histórias sem finais esperados

(agora e para sempre)


Edemir Fernandes Bagon

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Front

a gente viu
que o fim 'tava tão perto

que decidiu ficar bem longe
um do outro


Edemir Fernandes Bagon

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Memórias


Minha vida desenhada no mar

As pedras redescobrem as formas

Ver a beleza do caminho  


[Preciso da vida, porque preciso falar da linguagem do amor]


Edemir Fernandes Bagon

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Os tolos

os tolos acreditam ser tão mais capazes e competentes que a maioria dos mais simples
fazem seus salões de festas com a bondade dos mais pobres
recriam flores e altares
transformam os sonhos e as canções de amor
em contas bancárias

os tolos acreditam ser mais fantásticos que a descoberta do sentido da vida
acreditam ser mais vitoriosos que a própria beleza da linguagem
mais sábios que o silêncio de Deus
mais importantes que a igualdade

os tolos reabrem as portas sem as chaves
e esquecem dos outros
pensando ser invencíveis

os tolos não perdoam o seu próprio egoísmo
e caminham altivos sem conhecerem o fim de seus vícios

seus olhos enganam
seus gestos traem e professam mentiras

caminham e semeiam espinhos nos campos dos cegos
rezando  em nome de suas ambições
para serem Quasímodo



Edemir Fernandes Bagon

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Outrora

Vim ao mundo me encontrar no silêncio das palavras
Vim ao mundo ser seus olhos para ter a minha vida

Vim ao mundo ver de longe as nascentes escondidas sob o mar
Vim ser e conhecer o que há dentro da saudade

Vim ao mundo me entregar em cinzas
Vim deixar minhas partes esquecidas nas encostas das montanhas

Vim ao mundo com os sentidos inventados pelos sonhos
Vim ao mundo me encontrar nos intervalos do que eu sou agora


Edemir Fernandes Bagon





terça-feira, 10 de novembro de 2015

Coliseu

existem caminhos ou apenas um?

imundo é o mundo que nasce  feito de histórias antigas

entregar-se a quem? perder-se em qual realidade?
conhecer a vida e seus sentidos em nome de palavras insanas

sentimentos? importam ?
verdades?

exceções do agora...

o céu é um eu errante sob o deserto
os olhos testemunham ainda o tempo dos homens

o tempo escrevendo leis nas paredes e pedras



Edemir Fernandes Bagon





(Grande Coliseu, Roma, Itália. foto preto e branco — Fotos por elenaburn)

domingo, 8 de novembro de 2015

Simbolismo

O Amor  fala em versos livres
o que os homens não entendem


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Edemir Fernandes Bagon





terça-feira, 3 de novembro de 2015

Descobrimentos II

redescobrir
o mar e o mundo em mim

atravessar o silêncio agarrado nas palavras ocultas

cair com as folhas do tempo em todos os cantos do que sou

enquanto houver vida
enquanto houver amor
enquanto houver

meu destino meus olhos dirão


Edemir Fernandes Bagon

sábado, 31 de outubro de 2015

Agradecimentos

Chegamos à marca de 50.000 visualizações!

O blog Amanhecer no Horizonte surgiu em razão da insistência de um grande amigo e também autor de versos e prosa geniais: Daniel Braym. Gostaria de agradecê-lo por realizar minha inscrição bem como ter idealizado uma frase fantástica para meu perfil na plataforma Blogger ( "Amante do tempo e dos temporais"). Além disso,  gratidão  por me convencer que  utilização das tecnologias digitais em favor da poesia "era o novo caminho a ser trilhado".

Eu também não poderia deixar de falar da renomada poetisa Lou Witt,  haja vista sua imensurável contribuição através de críticas construtivas  sobre meus poemas publicados neste ambiente virtual.

À Letícia Duns, autora do blog Descobrindo Um Novo Ser, meus sinceros e eternos agradecimentos  pelos seus primeiros comentários postados em 2009 (o tempo passa depressa demais!).

Aos leitores e seguidores, obrigado 50.000 vezes!

A poesia liberta!


(Amanhecer no Horizonte - Gráfico de page views 50003 visualizações)



Edemir Fernandes Bagon

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Fac-símile



o que sinto
é verdadeiramente esse descontentamento 
entre a vontade de ter sido o que nunca fui
e o desespero de ter-me tornado um fac-símile 

por onde vou 
me encontro em partes
e a cada desencontro
deixo que meus olhos inventem  ou reinventem os sentidos da vida

minha ausência vai assim escrevendo cartas anônimas 

minhas horas vão depois perdendo as forças 
esperando o eterno que não vem
meus escombros são jogados no mundo 
porque pouco é o tempo de voltar 

minhas mãos procuram tocar o que o céu esconde


Edemir Fernandes Bagon


sábado, 17 de outubro de 2015

Regresso

como se o tempo fosse o mar
como se a vida fosse um regresso
como se a pele fosse uma escrita

como se o céu fosse um espelho
como se os olhos fossem sinais

como se o desespero fosse um caminho
como se o que foi vivido não viesse mais


como se lido me encontrasse a paz

como se todas as letras escritas fossem em minha alma


(todos os dias caem folhas de uma  árvore no meu quintal, cheias de palavras que não entendo)


Edemir Fernandes Bagon





(Pela Silverman - Ref. NBL101274)




sábado, 3 de outubro de 2015

Inconfidência

janelas abertas no céu sem-fim
esquecidos olhos perto da areia

vence o mar o desconhecido

o que vem depois das horas
o que espera antes o destino

amor escrito em sementes - castiçais
                                             escolhidos para serem portas

a cor do vestido despindo o espírito
a pele clara iluminando os dias

um gosto de chuva nos cabelos
lábios com versos em prosa

as mãos seguram os sonhos como  ofertas e dízimos

querer é um ato subversivo
amar é uma inconfidência corpórea



Edemir Fernandes Bagon



(Quadro de Renato Guedes)




segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Efeméridas


"Não saias fora de ti, volta-te a ti mesmo; a verdade habita no homem interior, e, ao dar-te conta de que tua natureza é mutável, transcende a ti mesmo... Busca, então, chegar lá onde a própria lâmpada da razão recebe luz.'' (AGOSTINHO, S. A verdadeira religião, p. 72)



Mas o mundo continua aqui dentro de mim
Sem saber para onde irei

Ou por quais caminhos
Seus olhos e os meus irão seguir

Meu corpo perde para o tempo
E envelhece



Edemir Fernandes Bagon











sábado, 26 de setembro de 2015

Sobre a transferência de mais de 1 milhão de alunos das escolas do Estado de São Paulo


Lamentável é a maneira como a Secretaria da Educação entende os problemas relacionados à aprendizagem dos alunos. Para ela, o que determina o desenvolvimento de habilidades e competências é o espaço físico onde o aluno permanecerá por algumas horas do dia. Por essa razão, propõe-se que sejam transferidos os educandos de um lugar para outro, conforme sua idade e ciclo de ensino. 

Triste mesmo é reconhecer a inoperância do Estado em promover uma política na qual o professor seja valorizado por meio de salários dignos, de um plano de carreira que o estimule a permanecer em sala de aula e que essa mesma sala de aula tenha, no máximo, 25 alunos exercendo seu direito subjetivo de aprender. 


Vejo, com imenso pesar, o descaso do governo estadual para com aquelas mães que exercem jornadas duplas de trabalho, e portanto, sofrem demais para acompanhar a vida escolar dos filhos quando estes estudam em turnos diferentes ou tipos de ensino (fundamental ou médio). Como farão para zelar pela educação dos seus filhos, se eles estiverem em duas escolas, por exemplo? E aquele professor que completa sua jornada, na mesma escola, terá que se desdobrar também para lecionar nas unidades onde a Secretaria da Educação determinar/impor a oferta dos ciclos de ensino? 


Caros Governador e Secretário da Educação, deveriam vir e ver como os professores, as mães, os pais/responsáveis e alunos vivem nas regiões mais carentes do Estado de São Paulo para entender que os índices de qualidade de ensino e aprendizagem não chegarão a níveis de excelência pela imposição de um projeto sem nenhuma natureza democrática e que visa apenas cortar investimentos significativos por meio de uma estratégia neoliberal bastante conhecida: "amontoar" as crianças e os adolescentes em estabelecimentos de ensino padronizados e massificados. 

O Brasil é o país do futuro do pretérito...




Edemir Fernandes Bagon


sábado, 19 de setembro de 2015

Pérgulas




Com seus próprios métodos investigativos do espírito, porém,  
o coração e o tempo conspiram o tempo todo  

contra a constante dos caminhos deixados pelos olhos.




Edemir Fernandes Bagon



Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...