sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Os tolos

os tolos acreditam ser tão mais capazes e competentes que a maioria dos mais simples
fazem seus salões de festas com a bondade dos mais pobres
recriam flores e altares
transformam os sonhos e as canções de amor
em contas bancárias

os tolos acreditam ser mais fantásticos que a descoberta do sentido da vida
acreditam ser mais vitoriosos que a própria beleza da linguagem
mais sábios que o silêncio de Deus
mais importantes que a igualdade

os tolos reabrem as portas sem as chaves
e esquecem dos outros
pensando ser invencíveis

os tolos não perdoam o seu próprio egoísmo
e caminham altivos sem conhecerem o fim de seus vícios

seus olhos enganam
seus gestos traem e professam mentiras

caminham e semeiam espinhos nos campos dos cegos
rezando  em nome de suas ambições
para serem Quasímodo



Edemir Fernandes Bagon

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Outrora

Vim ao mundo me encontrar no silêncio das palavras
Vim ao mundo ser seus olhos para ter a minha vida

Vim ao mundo ver de longe as nascentes escondidas sob o mar
Vim ser e conhecer o que há dentro da saudade

Vim ao mundo me entregar em cinzas
Vim deixar minhas partes esquecidas nas encostas das montanhas

Vim ao mundo com os sentidos inventados pelos sonhos
Vim ao mundo me encontrar nos intervalos do que eu sou agora


Edemir Fernandes Bagon





terça-feira, 10 de novembro de 2015

Coliseu

existem caminhos ou apenas um?

imundo é o mundo que nasce  feito de histórias antigas

entregar-se a quem? perder-se em qual realidade?
conhecer a vida e seus sentidos em nome de palavras insanas

sentimentos? importam ?
verdades?

exceções do agora...

o céu é um eu errante sob o deserto
os olhos testemunham ainda o tempo dos homens

o tempo escrevendo leis nas paredes e pedras



Edemir Fernandes Bagon





(Grande Coliseu, Roma, Itália. foto preto e branco — Fotos por elenaburn)

domingo, 8 de novembro de 2015

Simbolismo

O Amor  fala em versos livres
o que os homens não entendem


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Edemir Fernandes Bagon





terça-feira, 3 de novembro de 2015

Descobrimentos II

redescobrir
o mar e o mundo em mim

atravessar o silêncio agarrado nas palavras ocultas

cair com as folhas do tempo em todos os cantos do que sou

enquanto houver vida
enquanto houver amor
enquanto houver

meu destino meus olhos dirão


Edemir Fernandes Bagon

sábado, 31 de outubro de 2015

Agradecimentos

Chegamos à marca de 50.000 visualizações!

O blog Amanhecer no Horizonte surgiu em razão da insistência de um grande amigo e também autor de versos e prosa geniais: Daniel Braym. Gostaria de agradecê-lo por realizar minha inscrição bem como ter idealizado uma frase fantástica para meu perfil na plataforma Blogger ( "Amante do tempo e dos temporais"). Além disso,  gratidão  por me convencer que  utilização das tecnologias digitais em favor da poesia "era o novo caminho a ser trilhado".

Eu também não poderia deixar de falar da renomada poetisa Lou Witt,  haja vista sua imensurável contribuição através de críticas construtivas  sobre meus poemas publicados neste ambiente virtual.

À Letícia Duns, autora do blog Descobrindo Um Novo Ser, meus sinceros e eternos agradecimentos  pelos seus primeiros comentários postados em 2009 (o tempo passa depressa demais!).

Aos leitores e seguidores, obrigado 50.000 vezes!

A poesia liberta!


(Amanhecer no Horizonte - Gráfico de page views 50003 visualizações)



Edemir Fernandes Bagon

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Fac-símile



o que sinto
é verdadeiramente esse descontentamento 
entre a vontade de ter sido o que nunca fui
e o desespero de ter-me tornado um fac-símile 

por onde vou 
me encontro em partes
e a cada desencontro
deixo que meus olhos inventem  ou reinventem os sentidos da vida

minha ausência vai assim escrevendo cartas anônimas 

minhas horas vão depois perdendo as forças 
esperando o eterno que não vem
meus escombros são jogados no mundo 
porque pouco é o tempo de voltar 

minhas mãos procuram tocar o que o céu esconde


Edemir Fernandes Bagon


sábado, 17 de outubro de 2015

Regresso

como se o tempo fosse o mar
como se a vida fosse um regresso
como se a pele fosse uma escrita

como se o céu fosse um espelho
como se os olhos fossem sinais

como se o desespero fosse um caminho
como se o que foi vivido não viesse mais


como se lido me encontrasse a paz

como se todas as letras escritas fossem em minha alma


(todos os dias caem folhas de uma  árvore no meu quintal, cheias de palavras que não entendo)


Edemir Fernandes Bagon





(Pela Silverman - Ref. NBL101274)




sábado, 3 de outubro de 2015

Inconfidência

janelas abertas no céu sem-fim
esquecidos olhos perto da areia

vence o mar o desconhecido

o que vem depois das horas
o que espera antes o destino

amor escrito em sementes - castiçais
                                             escolhidos para serem portas

a cor do vestido despindo o espírito
a pele clara iluminando os dias

um gosto de chuva nos cabelos
lábios com versos em prosa

as mãos seguram os sonhos como  ofertas e dízimos

querer é um ato subversivo
amar é uma inconfidência corpórea



Edemir Fernandes Bagon



(Quadro de Renato Guedes)




segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Efeméridas


"Não saias fora de ti, volta-te a ti mesmo; a verdade habita no homem interior, e, ao dar-te conta de que tua natureza é mutável, transcende a ti mesmo... Busca, então, chegar lá onde a própria lâmpada da razão recebe luz.'' (AGOSTINHO, S. A verdadeira religião, p. 72)



Mas o mundo continua aqui dentro de mim
Sem saber para onde irei

Ou por quais caminhos
Seus olhos e os meus irão seguir

Meu corpo perde para o tempo
E envelhece



Edemir Fernandes Bagon











sábado, 26 de setembro de 2015

Sobre a transferência de mais de 1 milhão de alunos das escolas do Estado de São Paulo


Lamentável é a maneira como a Secretaria da Educação entende os problemas relacionados à aprendizagem dos alunos. Para ela, o que determina o desenvolvimento de habilidades e competências é o espaço físico onde o aluno permanecerá por algumas horas do dia. Por essa razão, propõe-se que sejam transferidos os educandos de um lugar para outro, conforme sua idade e ciclo de ensino. 

Triste mesmo é reconhecer a inoperância do Estado em promover uma política na qual o professor seja valorizado por meio de salários dignos, de um plano de carreira que o estimule a permanecer em sala de aula e que essa mesma sala de aula tenha, no máximo, 25 alunos exercendo seu direito subjetivo de aprender. 


Vejo, com imenso pesar, o descaso do governo estadual para com aquelas mães que exercem jornadas duplas de trabalho, e portanto, sofrem demais para acompanhar a vida escolar dos filhos quando estes estudam em turnos diferentes ou tipos de ensino (fundamental ou médio). Como farão para zelar pela educação dos seus filhos, se eles estiverem em duas escolas, por exemplo? E aquele professor que completa sua jornada, na mesma escola, terá que se desdobrar também para lecionar nas unidades onde a Secretaria da Educação determinar/impor a oferta dos ciclos de ensino? 


Caros Governador e Secretário da Educação, deveriam vir e ver como os professores, as mães, os pais/responsáveis e alunos vivem nas regiões mais carentes do Estado de São Paulo para entender que os índices de qualidade de ensino e aprendizagem não chegarão a níveis de excelência pela imposição de um projeto sem nenhuma natureza democrática e que visa apenas cortar investimentos significativos por meio de uma estratégia neoliberal bastante conhecida: "amontoar" as crianças e os adolescentes em estabelecimentos de ensino padronizados e massificados. 

O Brasil é o país do futuro do pretérito...




Edemir Fernandes Bagon


sábado, 19 de setembro de 2015

Pérgulas




Com seus próprios métodos investigativos do espírito, porém,  
o coração e o tempo conspiram o tempo todo  

contra a constante dos caminhos deixados pelos olhos.




Edemir Fernandes Bagon



domingo, 13 de setembro de 2015

Caelum

Minha alma é um escrito deixado no tempo por Deus
Meus olhos são versículos datados nos mais diferentes livros sagrados
Meu coração não cansa porque todo ele é feito de salmos

Meus pés resistem nos cânticos de todos os calvários
Minhas mãos - pregadas por reis em madeira -
                      ungidas com água salgada pelas mulheres que sofrem

Mar inteiro ornado pelos dedos das filhas
Desertos tocando no céu vermelho
Setenta vezes sete dividido por amor ou por qualquer mistério

Minhas são as pedras do sepulcro
Minhas são as chagas do passado
Meus são os perdidos pelas praças
Meus são os que vivem nas calçadas

Meus os que deixam os sonhos
Meus os que escrevem nos cantos com a forma de seus corpos


Nasci esperando sua ausência



Edemir Fernandes Bagon



(Jornal do Brasil.Operação acolhe 95 usuários de crack na região de Manguinhos )






sábado, 12 de setembro de 2015

Enquanto


O medo  está sobretudo na ideia  de que o destino possa de fato existir
                                                 e de que a multiplicidade dos eventos esteja sob o domínio da razão

ou  que seja uma pretensão dos homens em fazer do amor uma categoria do discurso apenas

prefiro buscar compreender a vida  a partir de suas próprias contradições
visto que os olhos só entendem os caminhos imaginados ou deixados no tempo


por hora me encontro em paz com os instantes (que não são deuses e nem nobres)



fossem os desejos prescritos em leis
fossem sabidamente reconhecidos os lugares  em que as sementes se abrem para acolher o mundo

ou tivessem os jovens amantes dons de profecia



o medo não significaria forma de opressão nenhuma
porque o destino transfigurar-se-ia em humanidade



existiriam assim os caminhos do mundo

por enquanto



Edemir Fernandes Bagon




sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Ornitorrincos

depois de caminharem à beira da estrada sob forte chuva
mais de três mil entraram na Áustria

imigrantes sem poesia atravessam os campos
Antígona silencia os que esperam nos barcos longe dos deuses


Edemir Fernandes Bagon










sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Γένεσις



amanhã, o mundo será o mesmo
pois quase nada se transforma sem amor

quase nenhuma forma se desfaz sem a presença da memória

quase nenhum sentido na contramão da luz encontra um fim
posto que o  mundo inteiro se esconde atrás de máscaras

os olhos podem mentir para Deus?
o destino tem medo dos círculos?


pouco importa

amanhã, o mundo será o mesmo
pois quase nada se transforma sem desejo


Edemir Fernandes Bagon











terça-feira, 1 de setembro de 2015

Resignação


as folhas caem e desaparecem
as mãos não as tocam 

mas os olhos 
estes continuam livres 


edemir fernandes bagon

Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...