Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Tetraedro
para este lado do mundo
vive o encanto
para este lado do mundo
brinca o sonho
mas é tão difícil encontrar o caminho para esse lado do mundo
edemir fernandes bagon
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Margens
Velhas canções
Tempo
Manhã que não vejo
Longe no rio
Corre o vento
Silêncio se esconde
Encanto e remanso
Perto do monte
Não te alcanço
Longe no rio
Corre o vento
Pedra e penhasco
Distantes
Livre do mundo
Pássaro me vejo
Longe no rio
No meio me encontro
feito forma de margem
Canções antigas
Entoam os mortos
Mas não sei porque os ouço ainda
Fico da cor do céu que chove
Te chamo pelo nome
Livre do mundo
no rio me encontro
Livre do mundo
Pássaro me vejo
Edemir Fernandes Bagon
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Ruas de Agosto
a chuva veio me encontrar
e eu não sabia que não era mais
o que havia em mim
e a água desceu pelo meu corpo
e nada mais havia de ser levado embora
depois de tanto tempo
a chuva veio me encontrar
mas não existia nada em meus olhos
já não me recordava das mãos claras
do riso
do sino
do mundo do lado de dentro de minha vida
depois de tanto tempo
caminhei pelas ruas de agosto
esperando a noite
esperando
Edemir Fernandes Bagon
e eu não sabia que não era mais
o que havia em mim
e a água desceu pelo meu corpo
e nada mais havia de ser levado embora
depois de tanto tempo
a chuva veio me encontrar
mas não existia nada em meus olhos
já não me recordava das mãos claras
do riso
do sino
do mundo do lado de dentro de minha vida
depois de tanto tempo
caminhei pelas ruas de agosto
esperando a noite
esperando
Edemir Fernandes Bagon
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Sensibilidade
Delinear a vida como criança que toca a mãe
Entregar o corpo para o encontro da alegria
Andar por ruas antigas para viver do tempo
sentir saudade do inverno para se deitar
sobre as flores que chegam e que ficam por encanto
esconder as mãos por entre os cabelos
encontrar-me no mundo
Edemir Fernandes Bagon
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Sofia
que sei da vida?
somente aquilo que busco diante dos olhos
o que sei é saudade
memória sob nuvens de cor anil
lembrança de tua voz
nada para além disso no espírito
me escuto num alto-falante denominado instante
escrevo meus sonhos no céu com nuvens
tento descobrir ainda teu sorriso
Edemir Fernandes Bagon
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Personagem
é estranho sentir o que algumas palavras não sentem
enquanto o tempo conversa com o infinito do olhar
e quando minto me vejo de longe como livro sem página
de vez em quando me sinto verdadeiro feito espelho
e de dentro do eu que escondo, retiro um frasco cheio de areia e com um papel escrito.
Edemir Fernandes Bagon
enquanto o tempo conversa com o infinito do olhar
e quando minto me vejo de longe como livro sem página
de vez em quando me sinto verdadeiro feito espelho
e de dentro do eu que escondo, retiro um frasco cheio de areia e com um papel escrito.
Edemir Fernandes Bagon
domingo, 5 de setembro de 2010
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Mãe
um pouco de seus olhos guardo ainda para mim
um pouco de seus dedos ainda me tocam com ternura
e um sorriso inteiro ainda guardo para sempre em todas as tardes em que não me faço ser corpo e alma verdadeiramente
Edemir Fernandes Bagon
um pouco de seus dedos ainda me tocam com ternura
e um sorriso inteiro ainda guardo para sempre em todas as tardes em que não me faço ser corpo e alma verdadeiramente
Edemir Fernandes Bagon
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Claridade
falta ainda o sorriso que não esqueço
o vôo sobre o mundo inteiro que eu inventava quando menino
falta ainda alguma coisa que não sei dizer direito
o querer ausente
a força do que não se vive com intensidade
o passado que falta há tempos
ou o presente distante dos olhos que fingem
A luz terá forma?
Edemir Fernandes Bagon
sábado, 31 de julho de 2010
Susan
Hoje conversei com Susan, uma aluna da 7ª série do ano de 1998. Agora ela está com 25 anos de idade. Possui um filho com 4 anos e meio e seu marido está preso por causa do tráfico.Tivera o filho na rua e, depois disso, passou a ser prostituta para sustentar o vício e a criança.
Susan contou-me a respeito de sua vida, de sua dor, de sua angústia. Seu irmão também está preso; sua mãe morreu quando tinha 12 anos e o pai sumiu no mundo.Os "amigos" a chamam o tempo inteiro. Ela se vira e vai em busca daquilo que pensa que quer . Me diz o contrário do que faz, porém segue o caminho dos sobreviventes.
De mim ouviu apenas uma palavra, mas não sei dizer se era realmente o que eu queria falar. Sinceramente, não sei. Acho que tive um pouco de receio e pensei talvez que estivesse indo além de sua condição.Tive medo de dizer a ela que o mais importante da vida era o sonho. Eis condição humana: sonhar.
Nunca mais encontrarei Susan.
Edemir Fernandes Bagon
terça-feira, 27 de julho de 2010
domingo, 25 de julho de 2010
Renovação
de nada me lembro.
apenas sei das coisas, mas não me lembro delas.
nem memória
nem identidade nenhuma
nem casa de absolutamente nada
apenas o vento que me vem de todo o mundo
feito música
como a chuva
semelhante canto
Junho estranho
de um frio estranho com sol
meu desespero é não ter para onde ir sendo livre
e ser trazido à vida com a loucura de todas as mortes que terei ainda
de novo o assombro
de novo o aspecto triste de um coração boiando no mar que eu ainda preciso ver
para renovar-me como a terra.
apenas sei das coisas, mas não me lembro delas.
nem memória
nem identidade nenhuma
nem casa de absolutamente nada
apenas o vento que me vem de todo o mundo
feito música
como a chuva
semelhante canto
Junho estranho
de um frio estranho com sol
meu desespero é não ter para onde ir sendo livre
e ser trazido à vida com a loucura de todas as mortes que terei ainda
de novo o assombro
de novo o aspecto triste de um coração boiando no mar que eu ainda preciso ver
para renovar-me como a terra.
edemir fernandes bagon
terça-feira, 20 de julho de 2010
Enigma
Infinitamente pequeno
[Sabemos o que não somos]
Aplicamos nossa duplicidade às coisas
Os homens são desconhecíveis ao Homem.
Edemir Fernandes Bagon
Infinitude
caminho de flores amarelas que encontrei
água que me lava o corpo no tempo
olhos de outro mundo que ficam tristes
tempo de esconder-se sob o chapéu
tempo de virar todas as esquinas
hora de ser toalha de mesa com cores vivas
tempo de flores amarelas que ficam tristes
toalha de mesa no corpo
todas as cores do tempo ignoradas
outro mundo outro tempo
outra hora outro corpo encontrei
outro caminho de flores amarelas
água que me lava o corpo no tempo
tempo que existe sem fim
edemir fernandes bagon
Semblante
Por entre a distância dos olhos e da consciência
Por entre teu encanto e teu ser nascente
Por entre teus caminhos estranhos
Eu te procuro por trezentos e sessenta e cinco dias.
O coração impede a dúvida.
Mas a razão, não.
[Edemir Fernandes Bagon]
sábado, 17 de julho de 2010
Céu
Sob o céu encontram-se seus olhos castanhos...
E, de repente, vem-me uma saudade tão grande de mim mesmo
Que te procuro
Que te procuro
Como um estranho no caminho
Como um galho de árvore no inverno
Sob o céu encontram-se seus olhos.
[Edemir Fernandes Bagon]
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