Não deixe ninguém roubar a alegria da sua vida.
Edemir Fernandes Bagon
Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
terça-feira, 27 de julho de 2010
domingo, 25 de julho de 2010
Renovação
de nada me lembro.
apenas sei das coisas, mas não me lembro delas.
nem memória
nem identidade nenhuma
nem casa de absolutamente nada
apenas o vento que me vem de todo o mundo
feito música
como a chuva
semelhante canto
Junho estranho
de um frio estranho com sol
meu desespero é não ter para onde ir sendo livre
e ser trazido à vida com a loucura de todas as mortes que terei ainda
de novo o assombro
de novo o aspecto triste de um coração boiando no mar que eu ainda preciso ver
para renovar-me como a terra.
apenas sei das coisas, mas não me lembro delas.
nem memória
nem identidade nenhuma
nem casa de absolutamente nada
apenas o vento que me vem de todo o mundo
feito música
como a chuva
semelhante canto
Junho estranho
de um frio estranho com sol
meu desespero é não ter para onde ir sendo livre
e ser trazido à vida com a loucura de todas as mortes que terei ainda
de novo o assombro
de novo o aspecto triste de um coração boiando no mar que eu ainda preciso ver
para renovar-me como a terra.
edemir fernandes bagon
terça-feira, 20 de julho de 2010
Enigma
Infinitamente pequeno
[Sabemos o que não somos]
Aplicamos nossa duplicidade às coisas
Os homens são desconhecíveis ao Homem.
Edemir Fernandes Bagon
Infinitude
caminho de flores amarelas que encontrei
água que me lava o corpo no tempo
olhos de outro mundo que ficam tristes
tempo de esconder-se sob o chapéu
tempo de virar todas as esquinas
hora de ser toalha de mesa com cores vivas
tempo de flores amarelas que ficam tristes
toalha de mesa no corpo
todas as cores do tempo ignoradas
outro mundo outro tempo
outra hora outro corpo encontrei
outro caminho de flores amarelas
água que me lava o corpo no tempo
tempo que existe sem fim
edemir fernandes bagon
Semblante
Por entre a distância dos olhos e da consciência
Por entre teu encanto e teu ser nascente
Por entre teus caminhos estranhos
Eu te procuro por trezentos e sessenta e cinco dias.
O coração impede a dúvida.
Mas a razão, não.
[Edemir Fernandes Bagon]
sábado, 17 de julho de 2010
Céu
Sob o céu encontram-se seus olhos castanhos...
E, de repente, vem-me uma saudade tão grande de mim mesmo
Que te procuro
Que te procuro
Como um estranho no caminho
Como um galho de árvore no inverno
Sob o céu encontram-se seus olhos.
[Edemir Fernandes Bagon]
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Nascer
outro caminho diante dos olhos
cai a chuva fina
sobre as alegres árvores
que juntas inventam nuvens na terra
de longe
no espelho que se forma no lago perto da estação
com andares de homens e mulheres em seu redor
todos com sorrisos escondidos nos sonhos
ao longe
cada tempo esperado pelo insano
cai no caminho a parte entregue ao coração
(da janela do coletivo vejo o passado)
bem longe
em cada hora escondida na vida
com o espírito cheio de alegria
nasce o inverno
para ter um segundo
de amor
tão longe
Edemir Fernandes Bagon
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Reflexão acerca da Educação Contemporânea
Os que procuram conhecimento desejam estabelecer um vínculo de amizade com aqueles que ensinam. Esse vínculo é, portanto, um ideal pressuposto no processo de ensino e aprendizagem. Etimologicamente, a educação significa "guiar, conduzir para fora”. Assim, é o educador essencial para que o mundo exterior seja ao educando explicitado. O filósofo Sócrates afirmava ser a amizade ("φιλíα" transliteração para o latim: "philia") um meio de conhecimento do mundo e de si próprio. Nesse contexto, a relação professor-aluno precisa ser fundamentada em valores de confiança mútua, estabelecidos a partir do antigo conceito de philia.
Quem aprende, precisa confiar naquele que ensina. A confiança passa a existir à medida que a educação seja vista enquanto bem comum. Sendo assim, o mestre não deve ser considerado, e tampouco considerar-se, um ser superior. Antes, porém, ser reconhecido (reconhecer-se) em sua singularidade e em seu caráter receptivo-interativo, permitindo a fruição da beleza do ato de ensinar e de aprender (com amor e respeito).
Pode-se dizer, também, que os educandos constroem para si um novo sentido da palavra educação quando reconhecem na pessoa que ensina um ser humano que valorize o outro. Para tanto, é necessário um novo olhar do educador em relação ao aprendiz. O professor não deve invalidar, mediante "pretensa" autoridade, a existência e a voz do aluno. Este, por sua vez, precisa reconhecer a figura humana do professor enquanto valor. Logo, a amizade se faz essencial para que sejam atingidos os fins últimos do processo de aprendizagem.
É preciso refletir profundamente sobre o significado da antiga paideia em tempos modernos. Longe de ser um anacronismo, esse conceito se apresenta como alternativa positiva para a reconstrução de uma sociedade contemporânea em crise. Não nos restam dúvidas de que a amizade e o conhecimento podem juntos despertar o gosto pela beleza da vida e do saber. Eis o sentido da verdadeira educação: revelar o mundo ao ser. Já que os valores éticos apresentam-se tão esquecidos por tantos governos e indivíduos, o momento se torna propício para uma reflexão acerca do conceito grego de paidéia com a finalidade de serem encontradas soluções para os graves problemas enfrentados pela Escola atual.
Edemir Fernandes Bagon
terça-feira, 8 de junho de 2010
Espírito
representam as horas o ser
representam as flores o mundo
representam os caminhos encantados o riso
representam as pedras as nuvens
representa o infinito essa linha chamada de horizonte ...
[guerra dentro do pensamento]
vislumbrada de bem longe
igual mistério
estando no mundo
representa uma letra
desconhecida minha mão no céu
- uma heroína inventada na
manhã de inverno
meu espírito me carrega pelo corpo no meio do tempo sempiterno
e o tempo já não representa mais saudade nenhuma dos desencantos que vivi um dia.
Edemir Fernandes Bagon
Contradições
que há de novo em tudo aquilo que desejamos?
talvez nada.
são sempre as mesmas contradições:
ou uma casa, ou um carro, ou Deus?
há nisso algum inconveniente?
penso que não...
a não ser quando me pergunto sobre a vida de crianças portadoras de destinos especiais...
ou quando penso a respeito das mulheres emudecidas pelo matrimônio da sua angústia que, por algum motivo, continuaram vivas...
de repente sinto um pouco do absurdo da vida .
Edemir Fernades Bagon
talvez nada.
são sempre as mesmas contradições:
ou uma casa, ou um carro, ou Deus?
há nisso algum inconveniente?
penso que não...
a não ser quando me pergunto sobre a vida de crianças portadoras de destinos especiais...
ou quando penso a respeito das mulheres emudecidas pelo matrimônio da sua angústia que, por algum motivo, continuaram vivas...
de repente sinto um pouco do absurdo da vida .
Edemir Fernades Bagon
segunda-feira, 7 de junho de 2010
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Lago do Tempo
a vida não é um eterno retorno...
se trata de um instante
no qual se descobrem os abismos
e os céus avermelhados da tarde
que amiúde procuram os lagos perdidos em que
às vezes se julgam as horas cansadas e
noutras tantas se desfaz o sentimento assim repentinamente
como um gemido ou como uma rosa....
e no que se pensa e no que se diz
não há a intensa verdade de uma
oração voltada para uma divindade
não há sequer um pouco do desejo puro
porque este é apenas invenção dos olhos
ainda que se diga o contrário disso
pensar o amor e vivê-lo são coisas diversas -
coisas que não se encontram como os céus avermelhados e a terra.
e, no entanto, deve existir, ou melhor, existe em algum canto do mundo.
mas esse é o abismo interior distanciado da mentira...
de repente, com o tempo passado, a imagem vai se desfigurando...se desfigurando...desfigurando... ando
e uma estranha dor com a forma de algo sem forma é colocada à frente de tudo
e logo não se reconhece mais
e tão-somente se sente a saudade de dentro.
e tão-somente se sente a saudade de dentro.
a vida é saudade puramente saudade [não é eterno retorno de nada].
mesmo assim é necessária para ser dita ao filho
mesmo assim é necessário viver
mesmo assim é imprescindível nascer sempre e contrapor-se aos céticos
e dizer ao menos que não deveria haver injustiça social
que não deveria haver falsidade e egoísmo e racismo e ...
dizer ao menos que a vida é necessária para amar o que se está amando
que é necessária para pensar em outras maneiras de dividir o acumulado nos bancos
de repartir as terras
e dividir a beleza dos livros de amor
e dividir a beleza dos livros de amor
mas é a saudade que todos repartem com todos -
vida que fica na rua quase perdida perto do lago do ego atrás do tempo.
vida que fica na rua quase perdida perto do lago do ego atrás do tempo.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Peles
tira teu coração
e veja o que fica
olhos
boca
pernas
braços
dentes
dedos
unhas
mastiga a alma
e veja o que sobra
solidão
tristeza
dor
morte
cansaço
arranca teus olhos
e pensa no mundo
nas cores
nas formas
nas chuvas
nas montanhas
nos ventos
esconda teus erros
e sinta a verdade
a impossibilidade
a vergonha
o desprezo
o exílio
o martírio
o jugo
o silêncio
corta o tempo
e nada te sobra
do sonho
da vida
do gosto
do encontro
do destino
da loucura
respira a vida sem a graça de Deus: a vontade dos miseráveis
terá sentido?
será omisso o pensamento do que se pressupõe acerca de ti?
[julgamentos puros e irônicos sobre tua forma de viver]
retira teu coração...
não sobra nada
nem origem
nem finalidade
nem finalidade
apenas os outros
que te desejam o menor dos sonhos dessa ridícula bobagem de ser o que jamais será.
recomece o canto aos inimigos para pintar o céu de vermelho e as estrelas da cor de todas as peles humanas
[Edemir Fernandes Bagon]
domingo, 30 de maio de 2010
Transformação
Transformação
vivi inteiramente o passado da longínqua história do homem
vivi a angústia do mundo todo
e assim se me deu a tranformação
o que ninguém é capaz de peceber
é que já não há rimas no final do corredor
e no filme coexistam dois mundos
duas pessoas apaixonadas pela vida
enquanto uma vive para si e
a outra para o mundo
Dois estranhos capazes também de odiar
já não quero ter o tempo
já não desejo o desejo de ter
porque sou um outro semelhante ao carneiro.
[Edemir Fernandes Bagon]
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Vontade e representação
Que importam as representações
Se foram elas inventadas pelo desejo?
As mãos se curam [a si mesmas]
E o sonho compreende a vida.
É tão-somente isso.
Porque a vontade liberta aquilo que não se sonha mais.
Quase o sublime perdido como o sol que se põe no mundo.
E ele não se representa [a si].
É o mundo que o inventa enquanto ser.
[Edemir Fernandes Bagon]
Se foram elas inventadas pelo desejo?
As mãos se curam [a si mesmas]
E o sonho compreende a vida.
É tão-somente isso.
Porque a vontade liberta aquilo que não se sonha mais.
Quase o sublime perdido como o sol que se põe no mundo.
E ele não se representa [a si].
É o mundo que o inventa enquanto ser.
[Edemir Fernandes Bagon]
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