terça-feira, 19 de outubro de 2010

Margens



Velhas canções
Tempo
Manhã que não vejo

Longe no rio
Corre o vento

Silêncio se esconde
Encanto e remanso
Perto do monte

Não te alcanço

Longe no rio
Corre o vento

Pedra e penhasco
Distantes
Livre do mundo
Pássaro me vejo

Longe no rio
No meio me encontro
feito forma de margem

Canções antigas
Entoam os mortos

Mas não sei porque os ouço ainda

Fico da cor do céu que chove
Te chamo pelo nome

Livre do mundo
no rio me encontro
Livre do mundo




Pássaro me vejo






Edemir Fernandes Bagon

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Ruas de Agosto



depois de tanto tempo
a chuva veio me encontrar


e eu não sabia que não era mais
o que havia em mim


e a água desceu pelo meu corpo
e nada mais havia de ser levado embora


depois de tanto tempo
a chuva veio me encontrar

mas não existia nada em meus olhos

já não me recordava das mãos claras

do riso

do sino

do mundo do lado de dentro de minha vida

depois de tanto tempo

caminhei pelas ruas de agosto

esperando a noite

esperando



Edemir Fernandes Bagon

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Sensibilidade


Delinear a vida como criança que toca a mãe
Entregar o corpo para o encontro da alegria
Andar por ruas antigas para viver do tempo

sentir saudade do inverno para se deitar
sobre as flores que chegam e que ficam por encanto

esconder as mãos por entre os cabelos
encontrar-me no mundo
   

Edemir Fernandes Bagon               

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Sofia


que sei da vida?
somente aquilo que busco diante dos olhos


o que sei é  saudade
memória sob nuvens de cor anil
                     lembrança de tua voz
nada para além disso no espírito

me escuto num alto-falante denominado instante
escrevo meus sonhos no céu com nuvens


tento descobrir ainda teu sorriso


Edemir Fernandes Bagon

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Personagem

é estranho sentir o que algumas palavras  não sentem
enquanto o tempo conversa com o infinito do olhar


e quando minto me vejo de longe como livro sem página
de vez em quando me sinto verdadeiro feito espelho

e de dentro do eu que escondo, retiro um frasco cheio de areia e com um papel escrito.

Edemir Fernandes Bagon

domingo, 5 de setembro de 2010

Rio




Compartilho meus olhos com tua vida
                    meu ser com tua espera

Compartilho o que sou
                    por todo tempo do mundo
                 
Para te ver em mim
Escrita no mar.

Edemir Fernandes Bagon

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Relíquia

Amor é página de livro velho.

Edemir Fernandes Bagon

Mãe

um pouco de seus olhos guardo ainda para mim


um pouco de seus dedos ainda me tocam com ternura

e um sorriso inteiro ainda guardo para sempre em todas as tardes em que não me faço ser corpo e alma verdadeiramente

Edemir Fernandes Bagon

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Claridade







falta ainda o sorriso que não esqueço
                o vôo sobre o mundo inteiro que eu inventava quando  menino

falta ainda alguma coisa que não sei dizer direito
                o  querer ausente


 a força do  que não se vive com  intensidade
o passado que falta há tempos

ou o presente distante dos olhos que fingem

A luz terá forma?


Edemir Fernandes Bagon

sábado, 31 de julho de 2010

Susan



Hoje conversei com Susan, uma aluna da 7ª série do ano de 1998. Agora ela está com 25 anos de idade. Possui um filho com 4 anos e meio e seu marido está preso por causa do tráfico.Tivera o filho na rua e, depois disso, passou a ser prostituta para sustentar o vício e a criança.
Susan contou-me a respeito de sua vida, de sua dor, de sua angústia. Seu irmão também está preso; sua mãe morreu quando tinha 12 anos e o pai sumiu no mundo.Os "amigos" a chamam o tempo inteiro. Ela se vira e vai em busca daquilo que pensa que quer . Me diz o contrário do que faz, porém segue o caminho dos sobreviventes.
De mim ouviu apenas uma palavra, mas não sei dizer se era realmente o que eu queria falar. Sinceramente, não sei. Acho que tive um pouco de receio e pensei talvez que estivesse indo além de sua condição.Tive medo de dizer a ela que o mais importante da vida era o sonho. Eis condição humana: sonhar.
Nunca mais encontrarei Susan.

Edemir Fernandes Bagon

terça-feira, 27 de julho de 2010

domingo, 25 de julho de 2010

Renovação

de nada me lembro.
apenas sei das coisas, mas não me lembro delas.
nem memória
nem identidade nenhuma
nem casa de absolutamente nada
apenas o vento que me vem de todo o mundo
feito música
 como a chuva
  semelhante canto

Junho estranho
de um frio estranho com sol

meu desespero é não ter para onde ir sendo livre
e ser trazido à vida com a loucura de todas as mortes que terei ainda

de novo o assombro
de novo o aspecto triste de um coração boiando no mar que eu ainda preciso ver
para renovar-me como a terra.

edemir fernandes bagon

Espanto




eu vi o mar sem sal.
nele entrei
e dele bebi suas águas -
fiquei insípido.

Edemir Fernandes Bagon

Desenho na parede

Em cada desenho
há um pouco de mim,
mas não quero ser refeito...







Edemir Fernandes Bagon

terça-feira, 20 de julho de 2010

Descobrimentos

o coração impede a dúvida.
mas a razão, não.


edemir fernandes bagon

Enigma


Infinitamente grande

Infinitamente pequeno

[Sabemos o que não somos]

Aplicamos nossa duplicidade às coisas

E não obtemos respostas


Os homens são desconhecíveis ao Homem.


Edemir Fernandes Bagon

Infinitude



caminho de flores amarelas que encontrei
água que me lava o corpo no tempo
olhos de outro mundo que ficam tristes
tempo de esconder-se sob o chapéu

tempo de virar todas as esquinas
hora de ser toalha de mesa com cores vivas
tempo de flores amarelas que ficam tristes
toalha de mesa no corpo

todas as cores do tempo ignoradas
outro mundo outro tempo
outra hora outro corpo encontrei

outro caminho de flores amarelas
água que me lava o corpo no tempo
tempo que existe sem fim

edemir fernandes bagon





Semblante




Por entre a distância dos olhos  e da consciência
Por entre teu encanto e teu ser nascente
Por entre teus caminhos estranhos
Eu te procuro por trezentos e sessenta e cinco dias.
O coração impede a dúvida.
Mas a razão, não.

[Edemir Fernandes Bagon]

sábado, 17 de julho de 2010

Céu


Sob o céu encontram-se seus olhos castanhos...
E, de repente, vem-me uma saudade tão grande de mim mesmo
Que te procuro
Como um estranho no caminho
Como um galho de árvore no inverno

Sob o céu encontram-se seus olhos.

[Edemir Fernandes Bagon]

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Nascer



outro caminho diante dos olhos
cai a chuva fina
sobre as alegres árvores
que juntas inventam nuvens na terra

de longe

no espelho que se forma no lago perto da estação
com andares de homens e mulheres em seu redor
todos com sorrisos escondidos nos sonhos

ao longe


cada tempo esperado pelo insano
cai no caminho a parte entregue ao coração

(da janela do coletivo vejo o passado)

bem longe


em cada hora escondida na vida
com o espírito cheio de alegria
nasce o inverno

para ter um segundo
de amor

tão longe




Edemir Fernandes Bagon

Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...