terça-feira, 25 de outubro de 2011

Alternativas

eu me perco em todos os segundos
me guardo em todos os seus passados

eu me desconstruo na sua ausência
me reencontro nos seus olhos

eu me torno um só
como sonho

eu me ignoro nesse mundo
se me procuro

eu me corto no seu beijo
e me transformo em cinco
alternativas de absurdos

como num canto transparente da alma
não me vejo

e sinto desenhos sobre minha pele
retorcida como um fio de cobre

eu me perco em todos os segundos
como céu entre nuvens

como prece na infância

edemir fernandes bagon

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Travessia

descoberto o coração:  talvez seja ele entregue a qualquer um que entenda o silêncio do Amor

(o sino que fica sobre a pele  se os olhos forem descobertos ou procurados  nos textos do silêncio)

dádiva dos que se perdem nos poros e na miséria



sempre há lembranças porque somos mitos escritos com sabor de ausência

quase revoltas  que não se deixam ser

universos velejando sob os olhos antigos


descoberto o coração: não somos mar e nem barcos


edemir fernandes bagon

domingo, 25 de setembro de 2011

Páginas

eu encontrei algumas palavras escritas por você  
num livro que li quando  tinha 27 anos

quis corrigir seu texto
colocar um ponto final naquela frase...
mas percebi que não havia razão

e que a vida também é assim
e que não existem motivos para pensar em regras
pois somos inconstantes

não se esquece a palavra escrita deixada para sempre
nem  mesmo os olhos castanhos

claramente o destino é da cor do céu

eu quis completar sua frase e resisti
passei a folhear o livro
pulando a página em que  escreveu
para não te ver mais na minha vida



 edemir fernandes bagon

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Pontinhos

saudade é assim livre
 mar entrando no céu...
                                             coisas que a vida traz
                                                   
                                             uma oração para  Deus


 assim
 superfície do mar
                                   vento tocando o barco
                                 
caminhos  que se encontram

saudade é uma doação do tempo aos olhos
de quem descobre a cada instante
que a vida se preenche com pontinhos  iguais na forma


se  não consigo dormir é porque me perco na imensa saudade do que sinto
                                  [até mesmo nos sonhos]



edemir fernandes bagon

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Falling



renuncio a meu corpo
para em segundos  ser
talvez livre talvez pleno

como um sol no entardecer]

como um filho vindo imundo ao mundo]

em silêncio as paredes me olham
como Adamastor tocado pelas águas
em silêncio eu me julgarei
como um verso de despedida procurando paz

serei Aquiles?
serei um anjo novo caído?
serei espaço em tempo finito?
serei saudade?
serei vingança?

entregarei minhas partes a cada continente
e cuspirei no chão todo o sangue das veias
misturado aos  escombros
guardado nos manicômios
dentro dos úteros perdidos

renuncio a meu corpo
porque  ainda quero viver



edemir fernandes bagon

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Percursos

se nada fizer sentido
nisso tudo...


ainda assim serei livre


porque me procuro

não no outro
mas nas possibilidades de ser o que estou sendo
não pela metade
não


me procuro para ser o que estou sendo 
em forma de sentimentos
para dialogar com  minha vontade


escolhi o mar para ser o que estou sendo
para viver pleno em todos os cantos do mundo



seria perfeitamente possível não ser nada disso


mas sempre os olhos querem
sempre outros olhos



edemir fernandes bagon

terça-feira, 23 de agosto de 2011

As Noites


tem dias que a vida se apresenta assim como um verso ausente
tem dias que é melhor não ouvir nada apenas para sentir  saudade

tem dias que me esqueço de tanto pensar na vida
porque sua imagem  insiste tanto em ficar na presença do meu coração

tem dias que me levo pelos segundos
pois não me sinto seguro no mundo

tem dias que tudo é fração
              que tudo é  imaginado

Mas tem dias que  te beijo só em pensar
                       que me escondo pra te achar
                            bem perto dos meus sonhos
                                como luz  dentro do quarto

Tem dias que meu espírito te quer sempre.





edemir fernandes bagon

domingo, 14 de agosto de 2011

Pueri Domus

é como andar
em todo canto
à procura de Deus

quase sempre me perco
quase sempre




edemir fernandes bagon

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Canção de Agosto


retira as aparências
corta as veias do teu orgulho
liberta-te da vaidade e compreenda meu silêncio

siga pela orla
com saudade daquilo que jamais tivera

procura sempre os olhos de quem ama sem egoísmo nenhum
desfaça-te de todos os teus ornamentos
procura ser apenas
desprovido de sentidos
para não ser interpretado como as estrelas
cartas de amor
os julgados pela intolerância
canção francesa

seja um poema na vida de quem jamais se encontrou com Deus
seja uma letra carregada sobre as notas musicais
deixa teus cabelos ao vento
apenas...
apenas para eu me lembrar do final daquelas tardes de agosto

seja eu levado para o céu pela cor dos teus olhos
que o mar venha em mim como um beijo teu



edemir fernandes bagon

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Para Noruega

não se compreende a natureza dos homens

ora as aparências são mais relevantes
ora as idéias se tornam ridículas

em certos momentos a lucidez representa o ódio
e a fé se revela profana  como se estivesse no palco
de um  teatro pornô

a mistura de uma hipocrisia quase invisível com a arrogância imbecil dos intolerantes
colorindo os sorrisos podres dos que falam em nome do Nada

não se compreende a natureza humana
porque esta entrega o próprio sangue
porque esta engole os próprios filhos
e se lança no meio do medo e da guerra

não são compreendidos os silêncios da vida (?) 
porque homens são gritos que não aceitam a beleza do mundo




edemir fernandes bagon

terça-feira, 19 de julho de 2011

Lago

por enquanto

fico à beira do tempo
   
para ver os pássaros silenciosos 

e para desenhar sonhos 

por enquanto 

permaneço à margem de um lago cristalino 



edemir fernandes bagon







terça-feira, 12 de julho de 2011

Estupidez


Mariana saiu de casa bem cedo.

Filhos na creche.

Amigas do trabalho.

Refeitório.

Clientes do mercado.


Retorno para casa.

Comida para as crianças.

Jornal Nacional.

Portas trancadas.


Mariana não esperava que  uma das portas se abrisse.

Um soco no rosto.

Sangue no corpo.



Disparos.


Ela  não esperava ficar paraplégica e que o ex-marido fugisse impunemente.






edemir fernandes bagon

domingo, 10 de julho de 2011

Poeira


Todo final devia ser
Em silêncio


Feito prece
Árvore cortada
Água em fotografia
Poeira que entra pela janela



edemir fernandes bagon

terça-feira, 5 de julho de 2011

Folhas


o que nos corrompe?
           não sei dizer...

mas a vida existe assim

ora um desejo de seguir em frente
ora um cansaço de querer



perder-se como folha na terra.


edemir fernandes bagon

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Completo


eu me sinto assim quando te vejo:
um encontro entre o mar e o céu

um papel rasgado bem no algarismo
que completa o número da senha

eu me sinto assim quando te vejo:
                                         completo


edemir fernandes bagon

domingo, 26 de junho de 2011

Cristalinas

num segundo descubro a vida
num segundo me encontro
noutro instante me deixo livre
noutra forma me torno simples

 como saudade 
                     como palavras
                                          como  olhos sob o vento
                                                                             como água


Edemir Fernandes Bagon

sexta-feira, 24 de junho de 2011

As quatro operações



seu olhar 
divide meu eu
em tantas partes
que  já não consigo
me remontar

seria  melhor então 
que seus olhos fossem meus
que suas partes fossem minhas

porque eu teria 
assim
dois motivos inventados

pra viver com seu sorriso
pra viver bem ao seu lado
sem que  não fosse dividido 
em um milhão de pedaços.


edemir fernandes bagon

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Para Luíza

se encontraram  por acaso
olharam-se e perceberam as diferenças que seus corpos apresentavam a seus olhos


e seus olhos se entregaram a suas peles 

não importava a vida que tiveram e que não fora compartilhada
não importava  para ambos nada que antes pudesse ter existido

apenas o tempo que se transformava
apenas o tempo grisalho

unidos

tocava-lhe a boca com o gosto de tantos gostos
com a pureza do instante das mãos envelhecidas
recolhidas no silêncio


bocas que se encontraram  por acaso
depois de tanto tempo

renascem
revivem


se descobrem no mundo
com todas as marcas no rosto
com todos os brancos cabelos

como se fossem menino e menina ainda

seguram as mãos juntas
para encontrar a metade de ambos
e caminham ao redor de um  lago
como se aqui estivessem ainda





edemir fernandes bagon

terça-feira, 21 de junho de 2011

Estrangeiro


amor é terra estrangeira
onde a solitude adormece
esperando as horas.

estrangeiro é o destino aos olhos de Deus
que de repente decide migrar  para longe.

[do tempo olhos e lábios]

refugia-se na cidade dos lírios 
e  para os campos  entoa uma canção 



misturando-se com a luz 
libertando-se do medo das razões humanas de querer alguém


amor é terra estrangeira.

edemir fernandes bagon


terça-feira, 14 de junho de 2011

Para Cores da Vida


Em pouco tempo
serei um pássaro sobre o mar-encanto

Em pouco tempo
Os instantes serão imagens azuis no fim dos céus

Em pouco tempo as cores da vida
ficarão nos olhos
dos que sentem
dos que amam
dos que encantam a infância do mundo feito arte de escrever poema

Em pouco tempo as canções serão imagens  puras n'alma
Em pouco tempo



Edemir Fernandes Bagon

Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...